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@needlebylena: “tenho 20 anos e faço croché, what?”

Durante a pandemia, enquanto muitos procuravam novas formas de ocupar o tempo, Madalena Filipe, atualmente com 20 anos, encontrou no croché muito mais do que um simples passatempo: decidiu transformar linhas, agulhas e criatividade num projeto que hoje dá pelo nome de @needlebylena.

Inspirada pelo boom do croché nas redes sociais, do Pinterest ao TikTok, e por criadoras internacionais que partilhavam o processo de criação das suas próprias peças, Madalena sentiu aquele clique: “era bué fixe aprender a fazer isto”. E assim foi…

Mas como é que tudo começou?

Apesar de o interesse ter começado durante a pandemia, o contacto com o croché não era novidade e tem raízes familiares. A avó, presença constante neste percurso, sempre trabalhou com técnicas como croché, tricô e ponto cruz. E foi com ela que Madalena aprendeu as bases e ganhou confiança para avançar sozinha.

Depois de um dia inteiro dedicado a aprender os pontos essenciais com a avó, seguiu-se a fase dos treinos: peças simples, tentativas, erros e muitos tutoriais no YouTube. Os primeiros grandes protagonistas? Os tops, que continuam a ser, até hoje, uma das peças mais procuradas.

Fonte: Madalena Filipe, diretamente da @needlebylena

Durante bastante tempo, o croché foi algo exclusivamente pessoal. As peças eram feitas para uso próprio, sem qualquer intenção de venda. As primeiras criações para oferecer surgiram em 2021, no seu 17.º aniversário: porta-chaves em forma de havaianas e pequenas lembranças feitas à mão.

Entre o final do secundário e a entrada na faculdade, o croché acabou por ficar em segundo plano. Não por falta de gosto, mas por falta de tempo. Ainda assim, a ideia de transformar este hobby em algo maior começou a ganhar forma.

E assim nasceu a @needlebylena…

Foi em janeiro de 2025 que o projeto ganhou vida no Instagram. A @needlebylena, uma página dedicada a peças feitas à mão, sempre sob encomenda. Para além de roupa, Madalena cria também marcadores de livros, bases para copos, bolsas de maquilhagem, luvas e outros acessórios.

Apesar de nem sempre conseguir manter uma presença constante na página, devido, essencialmente, à faculdade, as encomendas continuam a surgir. Muitas vêm de amigos e familiares, mas outras chegam de completos desconhecidos. “Já fiz para pessoas que nunca tinha visto na vida e é muito gratificante ver que não me conhecem e confiam no meu trabalho”, partilha Madalena, sublinhando a importância da confiança no projeto criativo.

Fonte: Madalena Filipe, diretamente da @needlebylena

O compromisso e a liberdade criativa

Ao contrário de muitas lojas online, a @needlebylena funciona sem pressões excessivas. As encomendas só são pagas no momento da entrega e existe sempre transparência quando o tempo não contribui com todo o processo. Esta estrutura permite algo essencial para Madalena: que o croché continue a ser um escape e não uma obrigação.

Tenho medo de fazer do croché uma coisa obrigatória”, admite. Para ela, este é um hobby vivido por fases. Há períodos de pausa e outros de maior produção. E está tudo bem assim. Não há produção em massa, nem peças estereotipadas. Cada criação é pensada ao detalhe e adaptada ao pedido de quem encomenda.

Fonte: Madalena Filipe, diretamente da @needlebylena

E os preços?

Os preços refletem exatamente esse cuidado: tempo, materiais e trabalho manual. Cada peça implica contas que vão desde o custo das linhas até às horas dedicadas à sua execução. São peças que podem parecer caras à primeira vista, mas que carregam consigo o valor e o toque único e especial daquilo que é feito à mão.

Um projeto com tempo próprio

Atualmente, Madalena encontra-se numa fase mais reservada do projeto, em que continua a criar, sobretudo para si própria. “Agora estou naquela fase em que continuo a fazer, mas é um bocadinho só para mim, porque o meu medo sempre foi um bocado fazer as coisas por fazer”, explica. Para a jovem criadora, o croché é mais do que um negócio: “é uma terapia e eu nunca quis sentir que o croché fosse uma coisa obrigatória na minha vida”. 

É precisamente nesse equilíbrio que a @needlebylena se afirma, respeitando o seu ritmo e a relação terapêutica que Madalena mantém com o croché. Um projeto que cresce ao seu próprio tempo, sem pressas, sem obrigações desnecessárias, mas com identidade.

Fonte: Madalena Filipe, diretamente da @needlebylena

Fonte da Capa: Madalena Filipe, diretamente da @needlebylena

Artigo revisto por Mariana Ranha e Eva Guedes

AUTORIA

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A Leonor tem 20 anos e está no terceiro ano da licenciatura em RPCE. Visto que sempre gostou de escrever, começou a fazer parte da ESCS Magazine na secção do Mundo Académico e, no ano seguinte, aceitou o desafio de se tornar editora dessa mesma secção. Agora, dá o próximo passo e assume o cargo de diretora com motivação e empenho, enquanto continua a aprimorar as suas competências de escrita e revisão linguística.