Cinema e Televisão

Sinners: o terror e a segregação racial

Ryan Coogler é o diretor do novo filme de terror sobrenatural e suspense: Sinners. Esta longa-metragem é muito diferente dos seus trabalhos anteriores, mas muito especial para o realizador, pois já é o quinto filme de Coogler que conta com a participação de Michael B. Jordan. O diretor afirmou em diversas entrevistas que o seu objetivo é explorar algo inovador usando os estereótipos deste género, que é exatamente o que Stephen King tem feito ao longo da sua carreira. Ainda acrescenta que não pretende abrir novos caminhos nem nada do género, mas está convencido de que o terror é essencial para o cinema. Agora, este estilo domina as bilheteiras e ganha prémios, o que é uma verdadeira novidade.

Fonte: Pinterest

Este filme é passado nos anos 30, onde Michael B. Jordan interpreta duas personagens, os irmãos gémeos Smoke, Elijah e Elias, ou mais conhecidos por Smoke e Stack. Os irmãos regressam à sua cidade natal no sul dos Estados Unidos para tentar recomeçar a vida. A cidade, marcada pela pobreza, tensão racial e religiosidade intensa, parece viver sob uma atmosfera pesada. Quando regressam trazem os bolsos cheios de dinheiro roubado da máfia.

O plano era usar esse dinheiro para abrir um bar/clube de blues numa antiga serração encerrada, oferecendo à comunidade negra um local de refúgio e música. Mas a verdade é que quem lhes vendeu essa antiga e velha serração foi um homem membro do Ku Klux Klan (KKK), um grupo de ódio supremacista branco americano, de extrema-direita e liderado por protestantes, conhecido pela violência contra minorias.

Infelizmente os gémeos e o resto das pessoas que frequentavam esse bar acabaram por ser atacadas por vampiros, liderados por Remmick, um imigrante irlandês transformado há séculos. Estes vampiros são apresentados como uma “mente coletiva” que apaga a identidade de quem transformam. A noite de abertura do clube torna-se um campo de batalha sangrento, pois embora conseguissem sobreviver aos vampiros, acabariam por ser assassinados pela manhã pelo KKK.

Fonte: Pinterest

Um dos aspetos mais marcantes deste filme é a representação do racismo. Sinners mostra como o preconceito não é apenas algo individual e sim parte de um sistema, pois neste filme é nos apresentada a exclusão social e económica da comunidade negra e a segregação racial normalizada. Para além disso, Ryan Coogler expõe-nos a comunidade KKK, talvez não tão conhecida pelo público. A ideologia deste grupo baseia-se na supremacia branca, nacionalismo e historicamente opõem-se a católicos, judeus e imigrantes. Os métodos que usavam eram o uso de intimidação, violência física, assassinatos e queima de cruzes para atuar contra ativistas dos direitos civis e minorias. Com isto, Coogler usa o terror como metáfora para um sistema opressivo.

Outro tópico explorado no filme é a famosa cultura de Blues. Em Sinners, a cultura musical é um dos elementos centrais da narrativa. Não é apenas banda sonora, mas uma forma de contar a história, identidade e resistência. Este estilo surgiu entre comunidades negras no começo do século XX e expressa a dor, fé, resistência e experiências da vida após a escravidão. Com isso, a música afro-americana mostra-nos que sempre foi uma forma de resistência contra o racismo e opressão.

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Sinners destaca-se como uma obra que transcende o simples terror sobrenatural. Coogler utiliza os elementos tradicionais do género, como vampiros, suspense e violência, para desenvolver uma narrativa ligada à história e à cultura afro-americana.

Fonte da capa: Pinterest

Artigo corrigido por: Diana Martins

AUTORIA

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A Margarida tem 18 anos, vem de Mafra, e está no primeiro ano em jornalismo. Sempre foi muito tímida, mas quando ganha confiança não para de falar. Acredita que uma das suas melhores qualidades é a empatia e então tenta sempre ver o lado bom das pessoas. Adora sair com os amigos, ir a concertos, ler e fazer reviews no letterboxd mas a sua verdadeira obsessão é a Billie Eilish e filmes da Marvel. Desde pequena que adora desporto e atualmente faz patinagem artística. Sempre gostou de escrever e acredita que entrar na ESCS Magazine é uma oportunidade perfeita para aprender coisas novas.