O excesso de consumo e desperdício no mundo atual
O consumismo e o consequente desperdício são problemas graves que estão presentes em larga escala nas sociedades atuais. Vivemos numa sociedade de consumo, isto é, uma sociedade onde existe uma abundância de produção (por vezes superior à procura) e onde o consumidor é a peça central da economia.
O nosso consumo é fortemente influenciado pela publicidade e por trends, o que faz com que muitas vezes adquiramos produtos dos quais não necessitamos verdadeiramente. Muitas vezes também fazemos compras com base naquilo que é mais cómodo para o momento.
Aquilo que melhor representa isto é o consumo de fast-fashion. Pela facilidade com que podemos adquirir peças de roupa a um preço baixo e sem termos de nos deslocar, muitas vezes não fazemos escolhas conscientes. É comum comprarmos artigos de baixa qualidade ou que vamos usar pouquíssimas vezes.
Fonte: Sic Notícias
Este consumo negligente leva a que os produtos tenham uma vida útil muito inferior à que deveriam ter e que acabem por ser descartados, muitas vezes de forma inapropriada. O ideal é reutilizar ou doar as roupas a que já não damos uso.
Contudo, a culpa do desperdício não é só do consumidor. Este ano, a União Europeia aprovou uma medida para reduzir o desperdício, proibindo que a roupa possa ser descartada antes de ser vendida. Mas até aqui, entre 4% e 9% da roupa eram descartados mesmo antes de chegar às lojas. Devido ao excesso de produção, é mais lucrativo para as empresas desfazerem-se dos excedentes do que cobrir os custos de transporte e armazenamento.
A reutilização também não depende só de nós. Quando colocamos roupa nos contentores destinados à doação, esta nem sempre vai para onde pensamos. As peças em boas condições são vendidas em lojas de segunda mão ainda no nosso país, mas as que se encontram em pior estado são levadas para países em desenvolvimento e vendidas em mercados a um preço muito reduzido. Estas são escolhidas e as que não são vendidas acabam por se tornar lixo.
Fonte: Fashion Revolution
Os próprios processos de fabrico têm uma série de implicações éticas e ambientais que devemos ter em conta ao fazer compras. Muitas empresas sediadas em países “de primeiro mundo” deslocalizam as suas fábricas para países menos desenvolvidos, onde existe mão de obra barata e menos regulamentação ambiental. Ao cortar nos salários, condições dignas de trabalho e em medidas de descarte de resíduos, as empresas lucram mais sem ter de lidar com nenhum tipo de fiscalização por parte desses países.
O excesso de consumo e desperdício estão presentes em inúmeros setores, pelo que devemos estar atentos e fazer escolhas conscientes. Quanto mais compramos, mais incentivamos a produção, que, por sua vez, terá de ser escoada, entrando assim num ciclo vicioso. Apesar de o desperdício não estar totalmente sob o nosso controlo, podemos tomar medidas para mitigar as suas consequências. Pensar se queremos mesmo algo ou se estamos a ser influenciados, evitar o consumo compulsivo de fast-fashion ou optar por alternativas mais duradouras e, se possível, comprar apenas aquilo de que realmente precisamos.
Fonte da capa: Unsplash
Artigo revisto por Constança Paixão
AUTORIA
A Carla Vitório, vinda da Lourinhã, terminou o secundário sem saber o que queria fazer e acabou por cair de paraquedas no curso de Jornalismo da ESCS. Descobriu, através da disciplina de Língua e Expressão do Português, que gosta muito de gramática e de espalhar o uso do bom português, logo resolveu juntar-se ao departamento de Correção Linguística da ESCS Magazine. Apesar do seu humor sarcástico e um pouco seco, a Carla adora criar boas relações com os outros e dá o seu melhor para que ninguém se sinta julgado quando ela está por perto.



