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A liberdade de imprensa em Hong Kong, Macau e China sofreu graves ameaças

Captura de ecrã 2016-01-31, às 02.22.24O relatório divulgado pelo FIJ foi publicado este sábado. Fonte: jtm.com.mo

O Partido Comunista Chinês usa bloqueios para controlar a liberdade de informação

“A Liberdade de imprensa na China, Hong Kong e Macau deteriorou-se ainda mais em 2015, com o Partido Comunista Chinês a usar todos os meios de comunicação à sua disposição para controlar a imprensa”, lê-se, assim, no relatório da Federação Internacional de Jornalistas (FIJ), divulgado este sábado, em relação ao nível de cumprimento dos direitos e deveres dos jornalistas por todo o mundo.

Nesta oitava avaliação, os pontos mais preocupantes apontados pela organização foram a autocensura e a crescente influência de Pequim sobre os meios de comunicação em Hong Kong. Estes fatores surgem num ambiente crítico para a liberdade chinesa, que vem ao encontro do desaparecimento de cinco livreiros da antiga colónia britânica. Os cinco eram funcionários da editora Mighty Current, famosa por publicar títulos controversos sobre os líderes de Pequim.

A mobilização começou junto aos escritórios da representação do governo da China. Os manifestantes, que incluem membros da oposição, acreditam que os cinco indivíduos foram detidos pelas autoridades chinesas, ou pelas forças de Hong Kong, a pedido de Pequim.

Ainda nestes documentos, as atenções focam-se também em pressões na cidade resultantes das eleições legislativas em 2017 com o objetivo de escolher o próximo chefe do Executivo. “Atendendo a que Hong Kong vai a eleições no próximo ano, o partido está também a usar a sua considerável riqueza para consolidar a sua influência na região”, acrescenta a Federação.

Outros conflitos interferiram com a esfera social chinesa. Segundo o relatório, em 2015, o incêndio da casa do magnata da comunicação social de Hong Kong, Jimmy Lai, e a sede da sua empresa, Next Media, acentuaram este clima de tensão, como explica o jornal Apple Daily.

O Apple Daily ainda avançou com o caso do jogo de qualificação para o Mundial de 2018 disputado entre a China e Hong Kong. Segundo o jornal, dezenas de jornalistas foram detidos pela polícia durante três horas e acusados de “jornalismo ilegal”.

O relatório do ano passado salientou um alerta para as “jogadas de bastidores”, numa altura em que as tensões permaneciam elevadas em Hong Kong, após mais de dois meses de ocupação das ruas no final de 2014, em protesto em prol do sufrágio universal.

A região administrativa da República Popular da China tem um estatuto semiautónomo após ter sido devolvido à China pela Grã-Bretanha em 1997, e mantém uma liberdade que não existe no território continental. Contudo, há receios de que estas liberdades estejam a desaparecer particularmente depois das grandes manifestações pró-democracia em 2014 e a rejeição, em junho de 2015, da reforma proposta por Pequim para o território.

Em relação a Macau, o relatório menciona o caso ocorrido no dia 15 de março, contando que um jornalista foi afastado por seguranças durante uma cerimónia de inauguração de uma exposição no casino MGM. As forças policiais detiveram o homem, enquanto este entrevistava responsáveis do Governo.

Um mês depois, o jornal All About Macau reportou ações de censura por pessoas não identificadas a profissionais da televisão MSTV, enquanto estes faziam a cobertura de um incêndio num dormitório da Universidade de Macau.

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