Moda e Lifestyle

A moda e o medo de envelhecer

A moda é um veículo de expressão; e que época para nos expressarmos seria melhor do que aquela em que nos conhecemos melhor?

O mundo da moda sempre teve um grande medo: o envelhecimento.

De acordo com o The Guardian, as mulheres com mais de 40 anos são as maiores consumidoras do mercado de alta-costura; elas possuem um maior capital económico e um melhor conhecimento do mercado. No entanto, apesar de sua fidelidade como consumidoras, raramente são as protagonistas do mundo da moda. 

O Journal of Women&Aging conduziu um estudo sobre a invisibilidade das mulheres mais velhas, identificando a indústria da moda como uma das principais culpadas. A indústria pressiona constantemente as mulheres mais velhas a “desafiarem o processo de envelhecimento”. Exemplos desse tipo de pressão não faltam nas revistas e artigos de moda.

Fonte: Sapo | Metro World News Brasil | Daily Express | The Independent

Um espelho da sociedade

O medo de envelhecer não foi criado pela indústria da moda, mas sim  fomentado pela sociedade. “Aqui está a verdade desconfortável sobre a moda: tudo o que ela faz é pegar nos desejos e atitudes da sociedade e exagerá-los.”, salienta o artigo “Why do fashion hate old people?” de The Guardian.

Parece cruel a forma como a indústria da moda ignora as mulheres mais velhas, quando, com a idade, ganhamos não só mais poder económico e conhecimento do mercado, mas também um entendimento mais profundo de quem somos. A moda é um veículo de expressão; e que melhor época para nos expressarmos do que aquela em que nos conhecemos melhor?

É verdade que o envelhecimento significa mudanças físicas e é natural que, à medida que o corpo se transforma, as roupas que antes nos serviam perfeitamente podem já não se ajustar da mesma maneira, e então faz sentido procurar conselhos de moda.

Fonte: Wolfgang’s

Por exemplo, em 1949 a revista Harper’s Bazaar, publicou conselhos de moda para mulheres acima dos 50 anos, uma leitora submeteu: “Perguntem-me o que quero para o Natal – um casaco de pele preto, muito melhor para os meus cabelos brancos do que o castanho.” 

No entanto, a maioria destes supostos conselhos de moda têm a intenção escondida de vender produtos.

Fonte: The Business of Fashion | GB News

Um sopro de ar fresco

Recentemente, observou-se uma mudança no cenário da moda. Cada vez se estão a incluir mais mulheres mais velhas. Em 2019, com 97 anos, o ícone da moda, Iris Apfel, tornou-se modelo da IMG: a agência de modelos de estrelas como Gigi Hadid, Kaia Gerber, e Karlie Kloss. 

Fonte: Instagram @iris.apfel

Em 2023, a atriz Maggie Smith, aos 88 anos, foi a estrela da campanha da marca Loewe de pré-coleção primavera 2024. A campanha recebeu imensos elogios, por incluir a atriz mundialmente famosa pelos seus papéis nas franquias de Harry Potter e Downton Abbey.

Fonte: The Times

Apo Whang-Od foi capa de revista da VOGUE Filipinas, tornando-se, assim, a mulher mais velha na capa da VOGUE, um grande marco para a revista. Antes da tatuadora, a mulher mais velha na capa da revista foi a atriz Judi Dench, em 2020, com 85 anos.

Fonte: Revista Envelhecer

Surgiu, também, uma nova tendência nas redes sociais, a “coastal grandma” que romantiza um estilo de roupa normalmente atribuído a mulheres mais velhas. 

Segundo a AARP Magazine, “Coastal grandma” é um estilo como o das personagens interpretadas por Diane Keaton em Something’s Gotta Give ou Meryl Streep em It’s Complicated. Vivem e vestem-se com uma paleta de cores suaves, associadas ao verão.” Esta tendência mostra um novo olhar positivo sob roupas, normalmente, associadas a uma faixa etária mais velha.

Fonte: The Telegraph

O mercado de beleza anti envelhecimento permanece firme e estável. No entanto, as novas tendências podem indicar uma mudança na mentalidade da população. Será que as mulheres mais velhas vão finalmente adquirir um palco no mundo da moda, ou será que estes marcos vão passar despercebidos, engolidos pelo medo da população de envelhecer? Nas palavras de Iris Apfel, “se tiveres a sorte de envelhecer, acho que deves celebrá-lo.”, esperemos que a celebração continue.

Fonte da Capa: Visão

Artigo revisto por Beatriz Morgado

AUTORIA

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Uma vida sem arte e literatura seria impensável para Catarina. A aspirante a jornalista vê na ESCS Magazine a oportunidade perfeita para ouvir novas histórias e conhecer diferentes perspetivas. É sonhadora por natureza, mente aberta por convicção, e encontra-se atualmente a fazer de tudo para não acabar num trabalho de escritório.