Literatura

A trança de Inês (2001), de Rosa Lobato de Faria

A trança de Inês (20021) é um romance baseado em factos reais. Foi escrito pela poetisa e romancista Rosa Lobato de Faria (1932-2010) e adaptado ao cinema português em 2018.

Imaginemos uma história que se repete no tempo, era após era, conduzindo-nos sempre ao mesmo desfecho trágico. Rosa Lobato de Faria faz-nos reviver o famoso romance de D. Pedro e Inês de Castro, envolvendo-nos numa trama única que relativiza a liberdade humana, subjugando-a sempre ao Destino. 

A história divide-se em três épocas, no seio de três sociedades diferentes: representam o passado, o presente e o futuro. A primeira época remonta-nos à vida de D. Inês de Castro e D. Pedro, no século XIV. O príncipe herdeiro do trono português era casado com D. Constança, uma nobre castelhana, quando se apaixonou perdidamente por Inês de Castro, uma simples aia. A segunda época, século XXI, dá-nos a conhecer Pedro Santa Clara, um empresário bem-sucedido, com uma vida aparentemente estável. É casado com uma mulher aceite pela sua família, chamada Constança… Mas surge novamente uma Inês de Castro, que demonstra que a vida de Pedro era completamente vazia, com rotinas e preocupações fúteis que não lhe traziam a verdadeira felicidade. A terceira época, século XXII, leva-nos a Pedro Rey e Inês, dois jovens com futuros traçados de acordo com o seu desempenho num teste que define os seus lugares na sociedade. Em todas as eras experienciamos uma história de amor impossível, onde os dois amantes lutam contra todos os que se opõem à sua relação, como é o caso de Afonso, pai de Pedro, que, em todas as situações, se revela o seu principal verdadeiro inimigo. 

A trama é narrada pelo próprio Pedro Santa Clara, o protagonista correspondente ao século XX, que se encontra internado num hospital psiquiátrico sob efeito da medicação após o assassinato de Inês de Castro. Este facto causa a fusão das três histórias. Através de Pedro, é construído um cenário distópico que nos leva a questionar o controlo que realmente temos sobre as nossas próprias vidas e a refletir sobre vários temas. A personagem transmite-nos a mensagem de intemporalidade de vários conceitos e da verdadeira importância daquilo que preenche as nossas rotinas, deixando várias questões em aberto. Somos guiados a questões como se a morte simbolizasse realmente o fim, o que é importante para a vida humana, o que é a felicidade e a paz interior, qual o sentido da nossa existência, até que ponto o ser humano consegue controlar ou influenciar tudo aquilo que acontece a seu redor… entre muitas outras. A obra abrange também conceitos como o ódio, a loucura, a paixão, a luta e o amor. 

A trança de Inês destina-se a amantes de romance e, no fundo, de filosofia: “Eles, os saudáveis, que se consomem uns aos outros, que se matam uns aos outros, que se destroem uns aos outros, não podem ter acesso ao nosso mundo peculiar.” 

Recomendo vivamente a leitura desta obra e espero ter deixado alguma curiosidade. Boas leituras!

Fonte de Imagem de Capa: Wook

Artigo escrito por Daniela Leonardo

Artigo revisto por Miguel Bravo Morais

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