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“As pessoas que se apresentam têm mundos e histórias únicas” – Entrevista a Sílvia Alberto

No âmbito da semana de aniversário da ESCS Magazine, no dia 15 de abril, tive o prazer de entrevistar, juntamente com a nossa Coordenadora de Redes, Laura Martins, a Sílvia Alberto, uma das apresentadoras mais estimadas dos palcos portugueses.

Confesso que sentia algum receio por entrevistar uma figura pública tão conhecida e que acompanho na televisão desde pequena. No entanto, assim que a Sílvia nos cumprimentou com um sorriso aberto e uma atitude genuína, todos esses receios desapareceram. Percebi, naquele momento, que a melhor parte de todas as pessoas é a sua humanidade, algo que nos une a todos, independentemente da fama ou da condição social.

A entrevista foi preparada com semanas de antecedência, o que nos permitiu aprofundar o conhecimento sobre o seu percurso. Começámos por abordar a sua formação académica na Escola Superior de Teatro e Cinema, onde estudou Dramaturgia, e na Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa, no curso de Teoria da Literatura. 

Quando questionada se estas bases lhe deram ferramentas diferentes de um licenciado em comunicação, Sílvia explicou que a dramaturgia foi essencial dizendo que “levei tudo aquilo, que foi a bagagem cultural que a fui buscar ali” e que a ensinou a dominar a arte da improvisação mencionando na entrevista “que é um pouco esta técnica que se trabalha de nunca deixar cair o discurso” uma competência fundamental nos programas em direto.

Fonte: ESCS Magazine

Ao longo da conversa, recordámos as suas experiências em grandes formatos como Ídolos, Operação Triunfo, Got Talent e Eurovisão. Curiosamente, apesar da dimensão mundial da Eurovisão, foi pelo Got Talent que revelou ter um carinho especial que menciona ser “o projeto mais longínquo que tenho”. Apresenta o programa há quase dez anos e mantém o mesmo entusiasmo desde o primeiro dia, referindo que cada concorrente é um novo mistério “Um projeto como o Got Talent tem sempre uma novidade (…) As pessoas que se apresentam têm mundos e histórias únicas” e que as surpresas são sempre diferentes.

Fonte: Flickr

Sílvia colocou também a questão de se faz sentido continuar a fazer o Got Talent ao que a resposta foi “Faz sempre sentido, é uma fonte inesgotável a partir do momento que estamos a falar de caminhos artísticos.”.

Abordou-se as discrepâncias monetárias em relação a outros programas internacionais como o Got Talent mas sendo que apesar de financiamentos mais baixos, os programas portugueses citando a Sílvia “ainda assim conseguimos o nível técnico e de beleza em palco que se vê e não fica nada aquém dos formatos nacionais irmãos”. Uma frase que lhe ficou na cabeça tendo os orçamentos cada vez mais vindo a diminuir de ano para ano foi “o tempo das vacas gordas acabou” que até hoje se ouve simbolizando também estes tempos em que cada vez mais o financiamento é menor.

Noutra questão falamos sobre a escolha da RTP como sua casa de eleição e diz que “o mercado privado é bastante competitivo… a guerra das audiências é mais notória” notando que a RTP não pode ser um entrave ao trabalho das privadas mas que é um bem essencial. A Sílvia colocou-nos a problemática sobre qual o valor por mês de contribuinte que um cidadão gasta para ter televisão pública? Ao que observamos que para as públicas é o valor de 3,02 euros.

“Ele tem que existir, é essencial e ainda por cima é um serviço praticamente gratuito”

– palavras de Sílvia Alberto sobre o serviço de televisão pública portuguesa. 

Falámos também sobre a rapidez do consumo de conteúdos e o privilégio dado ao imediatismo. Sílvia notou que a televisão e os seus públicos mudaram que, embora a nossa geração ainda assista a vários programas, já não o faz de forma tão comum como antigamente. Menciona que “Estamos tão habituados a consumir conteúdos de 30 segundos que de repente o nosso tempo de atenção e de foco reduziu exponencialmente”.

Sobre como manter uma carreira de 25 anos sem sofrer desgaste de imagem, a apresentadora foi honesta ao dizer que o desgaste acontece, mas que o segredo reside na consistência dada ao público, “com paciência, com muito cuidado na gestão das tuas decisões, não pisar os demais, sendo boa pessoa”. Manter-se natural e relevante é um desafio que enfrenta diariamente com um sorriso no rosto e esperança da continuação do seu percurso com visibilidade e impacto que tem tido ao longo destes últimos 25 anos.

Para quem deseja uma carreira próspera na área, o seu conselho foi pautado pela persistência, genuinidade e empatia, mencionando também a frase “fica perto de onde te sentes bem”. Sublinhou ainda a importância de não deixar que a fama nos mude e de permanecer íntegro perante as complexidades do mundo. 

No que toca às críticas, aconselhou a separá-las em duas caixas: as construtivas, que devemos ouvir para melhorar, e as gratuitas, que devemos simplesmente ignorar para não afetarem a nossa essência, repetindo a frase dita pela sua mãe “nós reagimos de acordo com a nossa essência” e que tais críticas gratuitas não nos devem afetar. 

Nas perguntas do público, descobrimos o seu interesse pelo design dizendo que “gostava de conseguir dominar ferramentas como AutoCad e sketchup” e a vontade de tirar um curso na área, bem como o desejo de retomar a sua volta ao mundo dizendo que é “o seu sonho adiado”.

Antes de ser mãe, Sílvia viajou pelo Nepal, Vietname entre outros países de mochila às costas, e que esse “bichinho” da sua volta ao mundo continua presente, esperando ser reativado daqui a uns anos.

Após a Talk, ainda tivemos a oportunidade de conhecer histórias de bastidores, como a vez em que, no programa Dança Comigo, um percalço com o vestuário a obrigou a uma saída abrupta e a um improviso rápido durante a apresentação de Daniela Ruah. 

A experiência com a Sílvia Alberto foi incrível e surpreendente, sobretudo pela facilidade e descontração da conversa, que se estendeu para lá da entrevista sobre os problemas do mundo e as mudanças na comunicação.

Sara Gaião e Laura Martins (2.º ano RPCE) com Silvia Alberto
Fonte: ESCS Magazine

Fonte da Capa: ESCS Magazine

Artigo revisto por Mariana Ranha e Eva Guedes

AUTORIA

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A Sara desde cedo sempre gostou de dar voz aos que não tinham, de dar ideias, asas a pensamentos e impulsos a opiniões. No seu primeiro ano de Licenciatura em Relações Públicas e Comunicação Empresarial, aos 18 anos, Sara começou o seu caminho na Magazine como redatora no departamento de Opinião, onde teve oportunidade de escrever vários artigos inovadores. Hoje a começar o seu segundo ano na Escs, aos 19 anos tornou-se Editora de Opinião, aceitando o desafio de guiar os atuais e futuros redatores para alcançar o seu grande potencial e inspirar novas mentes com diferentes pontos de vista, comprometendo-se a inovar, criar e incentivar este departamento neste novo ano.