• Literatura

    Orgulho e Bom Senso, Sensibilidade e Preconceito

    Dedicado aos apaixonados pelas palavras não ditas de Mr. Darcy, estas que, por vezes, entram em conflito com a brutalidade no que é dito em Orgulho e Preconceito. Dedicado aos apaixonados pelo drama em volta de John Willoughby e Marianne Dashwood, em Sensibilidade e Bom Senso, e pela história de amor de Elinor Dashwood e Edward Ferrars. Dedicado àqueles que conhecem Jane Austen. Dedicado àqueles que são apaixonados pelas palavras dela. Apesar de as primeiras obras terem sido publicadas anonimamente (século XVIII, tudo era destinado à figura masculina), Jane Austen é uma das autoras mais influentes, deixando uma marca que se perpetuou, desde Amor e Amizade até Persuasão. Falemos de…

  • Literatura

    O VIRGEM NEGRA EXPLICADO ÀS CRIANCINHAS NATURAIS E ESTRANGEIRAS POR J. P. M.

    Quando me propus a ler O Virgem Negra de Mário Cesariny, nunca pensei vir a entrincheirar-me numa encrenca destas. Afinal, já havia estudado Cesariny na minha licenciatura (com a tutoria da queridíssima professora Rosa Martelo), assim como Fernando Pessoa, o autor que serve de mote a este livro, tanto no liceu como na mesma licenciatura. Em termos de preparação contextual, julgava-me nas plenas faculdades para entender a obra cuja primeira edição foi lançada em 1989. Interprete-se como um reconhecimento de humildade ou como uma autoflagelação ignorante, a verdade é que, em bom português, não entendi merda nenhuma. Afinal, não conheço assim tanto nem a obra cesarinyana, nem a obra pessoana.…

  • Literatura

    Do ganso do Canadá ao refrigerante Dr. Pepper – um ensaio de John Green sobre o Antropoceno

    John Green é um nome que não fica indiferente quando mencionado. O nome deste autor, de 43 anos, remete, muitas vezes, para a ideia de livros de romance para jovens adultos, mais especificamente para a sua famosa história: “A Culpa é das Estrelas”, que moldou bastante a sua carreira e a forma como as pessoas imaginavam o lançamento de um novo livro seu: um romance adolescente com um pouco de drama real.  Não será uma ideia completamente errada, tendo em conta outras obras do autor como “Cidades de Papel” e “À Procura de Alaska”, que até já contam com uma adaptação audiovisual. No entanto, Green, em escritas mais recentes, tenta…

  • Literatura

    Escrever direito por linhas tortas: A resistência singrante das mulheres na Literatura portuguesa

    A mulher é um elemento muito forte e presente na Literatura, tanto como personagem ficcional, como sua criadora. Todavia, a sua afirmação enquanto autora nem sempre foi um caminho facilitado ou, mais do que isso, creditado. Antes escrevia às escondidas, ao reconhecer que a sua condição enquanto mulher a impedia de ser levada a sério como escritora e pensadora. Fazia-o de forma discreta ou sob pseudónimo. Prova disso é a recente investigação conduzida por Vanda Anastácio, professora na Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa que publicou, em 2013, a obra “Uma Antologia Improvável – A Escrita de Mulheres”, revelando mais de mil mulheres escritoras em Portugal, entre os séculos…

  • Literatura

    22 de maio: Dia do Autor Português

    Sociedade de Escritores e Compositores Teatrais Portugueses (SECTP) (1925) Ao longo da História portuguesa, como é de conhecimento geral, os artistas enfrentaram inúmeras dificuldades para se conseguirem efetivamente afirmar na sociedade. Por esta razão, muitas das iniciativas ligadas a este ramo falharam mas, no dia 22 de maio de 1925 nasce a Sociedade de Escritores e Compositores Teatrais Portugueses (SECTP), através da assinatura da escritura de constituição da mesma, em Lisboa. A sociedade foi criada com o objetivo de unir “escritores teatrais e compositores musicais portugueses para a defesa dos seus direitos e melhoria dos seus interesses…”. Em 1970, a sua designação alterada para a atual: Sociedade Portuguesa de Autores…

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    O espetro da fanfiction e do “se fosse eu, faria assim”

    Somos seres críticos. Todos temos as nossas opiniões. Gostamos, por natureza, tanto de criticar como de simplesmente opinar. Quantas vezes acabamos um livro e pensamos em tudo aquilo que ainda poderia ter acontecido após o dito “FIM”? Quantas vezes achamos que a história dos nossos personagens favoritos poderia ter tido um rumo diferente daquele que o autor deu?  Obras conhecidas como a saga Harry Potter, de J. K. Rowling, veem-se como um exemplo para a criação de enredos totalmente diferentes daqueles que Rowling criou, como uma relação entre Harry Potter e Draco Malfoy, ou, ainda mais estranho, entre o professor de poções – Severus Snape – e a melhor amiga…

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    Afinal, a morte não tinha hora marcada – é o que aprendemos com Chloe Benjamin

    Para fecharmos este bookclub (é o último, infelizmente), é interessante que a temática do nosso livro do mês, “Os Imortalistas”, tenha sido o fim das coisas.  A premissa suscitava curiosidade, incomodava e seduzia-nos. Afinal, se a morte tivesse hora marcada, como viveríamos? Benjamin contou-nos uma história absolutamente deliciosa e com um contexto do trajeto pessoal humano riquíssimo.  Tal como discutimos no último post, o livro encontrava-se dividido em quatro partes – cada uma sobre a vida de um dos irmãos Gold –, sendo que esta divisão começa do mais novo para o mais velho dos irmãos. Todos sem exceção visitam uma vidente que lhes dá um dia para o término…

  • Literatura

    O ‘espetáculo’ em Guy Debord: transição ou aprofundamento?

    Em 1967, nas vésperas da última grande revolução estudantil, o intelectual francês Guy Debord publicou “La Société du Spectacle”, “A Sociedade do Espetáculo” em português. Mais de cinquenta anos se passaram e Debord mantém intacto o seu mito, pelo legado, currículo, fim trágico e relevância no pensamento contemporâneo. Este ano, a excelente editora Antígona fez-nos chegar, pelas quatro mãos da tradução de Francisco Alves e Afonso Monteiro, a primeira edição da obra em português de Portugal. Parece inacreditável como uma das obras mais pertinentes da filosofia pós-moderna chega tão tardiamente ao nosso país. Mas deixemos isso. O que significa, então, ‘espetáculo’ e o que significa estarmos imersos na intitulada ‘sociedade…

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    Rita Dores: “Se eu fosse uma criança, o que é que eu gostaria de ler?”

    Vê-se sentada à secretária para escrever apenas quando a inspiração a chama. Rita Dores, nascida a 5 de setembro de 1998, afirma que existe uma facilidade em trabalhar com crianças face à inexistência de qualquer tipo de máscara da parte delas. Licenciada em Estudos de Cultura e Comunicação pela Faculdade de Letras, Rita publicou o seu livro “Um Livro Causador de Bichos Carpinteiros”, em 2019, com a menina Matilde cheia de criatividade. Desde a entrada no Mestrado em Jornalismo que afirma que houve uma coincidência feliz que a puxou para o mundo das crianças e que, desde então, sente que quer deixar uma marca nas crianças através da sua escrita. …

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    Dia Mundial do Livro e do Direito de Autor: «Saber ler implica saber ler bem»

    Hoje, 23 de abril, celebra-se o Dia Mundial do Livro e do Direito de Autor, instituído pela UNESCO, em 1995. Já naquele momento, o principal objetivo era fomentar o gosto pela leitura e torná-la numa rotina em todos nós. Atualmente, com o grande foco nas redes sociais, este objetivo é ainda mais reforçado.  Este dia é celebrado em todo o mundo e com diferentes tradições. No entanto, fica sempre a dúvida do porquê de ter sido escolhido o dia 23 de abril para celebrar o Dia Mundial do Livro e do Direito de Autor. Ninguém sabe a verdadeira explicação, mas o tão aclamado escritor Shakespeare nasceu e morreu neste mesmo…