Os impactos da inteligência artificial na literatura
Se é verdade que há uns anos o livro era a expressão da alma do autor, hoje vê-se um fenómeno diferente, onde a inteligência artificial (IA) é a protagonista. A escrita foi desde sempre um meio através do qual um autor se podia expressar e mostrar a sua criatividade, mas cada vez mais o leitor tem receio de que a emoção que lhe é transmitida não seja oriunda de uma pessoa, mas sim de uma ferramenta que a substituiu.
Há vários modos de utilizar a IA de forma positiva: para fazer brainstorming, superar um bloqueio criativo ou ajudar na criação de cenários para que sejam mais coerentes. A inteligência artificial pode também trazer benefícios para desafios criativos, onde os autores pedem ao assistente digital um tema e escrevem sobre o mesmo – esta pode ser uma grande ajuda para explorar temas não tão óbvios e mais desafiantes, e ajuda os escritores a treinarem a sua escrita.

Mesmo assim, tem-se assistido a um uso excessivo destas ferramentas, sendo até mesmo possível ver livros escritos integralmente através das mesmas. Isto aparece como um problema real para os escritores, não só por haver uma maior concorrência de livros escritos e lançados a um ritmo muito mais rápido, mas também por descredibilizar o trabalho daqueles que dedicam a vida à criação literária nos mais variados géneros.
Para além da própria escrita, o uso da inteligência artificial também está ligado à tradução e ao mundo editorial. É cada vez mais notório o uso de ferramentas de IA para fazer a tradução de livros estrangeiros, o que retira emoção à leitura (visto que a tradução não pode ser sempre literal, especialmente quando se refere a expressões e tendências culturais, que podem ou não ser parecidas às nossas). Quando não há o cuidado de adaptar a tradução ao público e ao leitor, ocorre uma falha, e torna-se impossível para o mesmo relacionar-se de forma tão direta com a história escrita. A IA é igualmente utilizada para realizar correções e revisões de texto, edição, criação de capa e outros processos que estão relacionados com a produção de um livro. Ainda assim, existe uma alta taxa de rejeição aos livros que utilizam capas geradas por inteligência artificial.
Em fevereiro de 2026, estavam publicados na Amazon cerca de 200 livros escritos com recurso ao ChatGPT.
Este número, avançado pela agência Reuters, gerou uma preocupação aos escritores estadunidenses visto poderem estar perante o fim da sua profissão. Títulos como The Wise Little Squirrel e ChatGPT on ChatGPT: The AI Explains Itself são exemplos do uso desta ferramenta para a publicação de livros integrais. Uma pesquisa do Book Industry Study Group (BISG) mostra que 98% dos profissionais do mercado literário afirmam estar preocupados com a inteligência artificial.
Fonte da imagem: Waterstones

Quanto aos leitores, a sua frustração é maioritariamente manifestada em posts nas redes sociais, em que criticam livros gerados por estas ferramentas e revelam não sentir vontade de ler obras que não tenham sido escritas por autores.
Ainda que a IA tenha os seus pontos positivos, a sua crescente utilização na literatura é algo negativo tanto para o escritor, que perde a sua credibilidade, como para o leitor, pois não se relaciona tão bem com o livro e tem tendência para não gostar de conteúdos gerados unicamente por esta ferramenta digital.
Imagem de Capa: L. Batista
Artigo revisto por Érica Gregório
AUTORIA
A Sofia é estudante do 2ºano de Publicidade e Marketing. Não se lembra de um tempo em que não gostasse de ler e escrever, e é nas palavras escritas que encontra a melhor forma de se expressar. Estar com as pessoas de quem gosta é a sua forma favorita de passar o tempo, seja uma tarde no café ou a fazerem uma atividade que encontraram nas redes sociais. O desporto e a música têm também um lugar especial no seu coração. Encontrou na Magazine o sítio perfeito para explorar a sua criatividade e escrever sobre algo pelo que é apaixonada.

