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ESCS recebe o colóquio da AMI – Jornalismo Contra a Indiferença

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Com a comemoração do 30.º aniversário da Assistência Médica Internacional, a ESCS recebeu o colóquio «Jornalismo Contra a Indiferença», que juntou todos os jornalistas que venceram, nos últimos 16 anos, o prémio AMI Jornalismo Contra a Indiferença. Profissionais da área, como Cândida Pinto, Pedro Coelho ou Daniel Cruzeiro juntaram-se a docentes da Escola Superior Comunicação Social, entre eles os professores Mário Mesquita e Ana Leal, para discutirem entraves ao jornalismo actual e dar a conhecer aos alunos as suas perspectivas de futuro. A sessão, que decorreu no auditório Vitor Macieira, contou com a apresentação de Fernanda Freitas.

Numa semana marcada pelas tragédias no Mar Mediterrâneo, o mentor da abertura (às 9 horas da manhã), o Professor Fernando Nobre, Presidente da Fundação AMI e docente da Faculdade de Medicina de Lisboa, apontou como uma das principais causas para a elevada migração rumo à Europa a explosão demográfica do resto do mundo e o fervilhar de situações caóticas ao redor do continente: a sublevação radical no Iemen, na Síria, no Iraque, na Nigéria e na Líbia, a que se acrescentam as péssimas condições de vida das populações em países como o Níger. O resultado, para além do que foi sublinhado, é o surgimento de dúvidas no jornalismo, que serviram de mote para o colóquio: Jornalismo em cenário de guerra, a Ética e Dheontologia na informação, e os limites da liberdade de expressão; cada um corresponde às três principais sessões que dominaram o dia.

A primeira contou com a participação de Cândida Pinto, coordenadora da Grande Reportagem da SIC, e Carlos Narciso, e com a moderação do professor da ESCS Paulo Moura. Entre as questões debatidas, destacam-se as condições a que os jornalistas se sujeitam quando trabalham em cenários de guerra, como por exemplo, serem enganados por fontes – com ou sem intenção -, o desligar da atenção internacional nos momentos em que um dado acontecimento não está no seu auge, saber o que é ser repórter de guerra num mundo em que “o jornalista já não é alguém bem-vindo em qualquer lado”, e conseguir viver com ameaças à vida constantes.

Cruzando o perigo eminente e os momentos em que a Ética e a Deontologia do jornalismo foram postas em causa, Mário Mesquisa, docente na Escola Superior de Comunicação Social, moderou o segundo debate, em que estiveram presentes Ana Dias Cordeiro, Jornalista do Público, Ana Sofia Fonseca, que colabora com a SIC, Bernardo Oliveira Duarte, da TSF, e Pedro Coelho, repórter da estação de Carnaxide. Todos contaram para a plateia momentos em que quebraram (ou quase) a ética profissional. «O jornalismo está muito precário, muito frágil», afirmou Pedro Coelho.

Durante o resto do dia ainda se abordou os limites da liberdade de expressão e os novos ataques à imprensa, contando-se também com a participação de Malén Aznárez, Presidente dos Reporteres Sin Frontiras, em Espanha.

Quanto aos prémios da AMI Jornalismo Contra a Indiferença, o jornal O Público foi o grande vencedor: o primeiro lugar coube a Catarina Gomes, com o seu projecto “Lepra – Órfãos de Pais Vivos / Infância de vitrine” e o segundo lugar pertenceu a José Carlos Fernandes, com o trabalho de cujo tema principal era o Alzheimer, lugar também partilhado com a SIC, com a reportagem «Faz de conta que é uma casa».

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