7ª Arte,  Secções

Evereste


Evereste, realizado por Baltasar Kormákur, é inspirado na tragédia que em Maio de 1996 vitimou oito pessoas que tentavam chegar ao cume do Monte Evereste. Este filme é uma experiência verdadeiramente intensa que te irá deixar com falta de ar e provavelmente com vertigens.

Rob Hall, protagonizado por Jason Clarke, estrela de Dawn of the Planet of the Apes, é um montanhista que gere a empresa Adventure Consultants, cujo objectivo é levar os clientes ao cume do Evereste. Na expedição, Rob irá levar consigo Beck (Josh Brolin), Doug (John Hawkes) – que já falhara uma vez a chegada ao topo -, Yasuko (Naoko Mori), que já alcançou o cume de todas as montanhas mais altas, e Jon Krakauer (Michael Kelly), que parte com eles para escrever um artigo para a revista Outside.

Quando a equipa chega ao acampamento base conhecemos alguns guias rivais, entre eles Scott Fisher (Jake Gyllenhaal). O acampamento encontra-se sobrelotado e o facto de todos quererem executar a chegada ao topo no mesmo dia é uma ameaça para a segurança das pessoas. Contudo, neste momento parece que é comum, senão mesmo simples, subir o Evereste e existe uma sensação de segurança e certeza.

Assim, a primeira parte do filme relata os quarenta dias de preparação a que o grupo se sujeita. Eles efectuam várias subidas aos campos mais elevados para se aclimatizarem à altitude e é aqui que se desenvolve o companheirismo entre as personagens e começamos a sentir a ansiedade e a antecipação do dia que se aproxima rapidamente.

A segunda hora do filme é dedicada à subida final e às suas consequências numa sequência de eventos emocionante e intensa.

Na manhã de 10 de Maio de 1996, os montanhistas começam a subida até ao ponto mais alto da Terra. Algumas das personagens começam a ser vítimas das bruscas condições climatéricas mas vários conseguem o tão desejado prémio: chegar ao topo do mundo. É durante a descida que uma inesperada e violenta tempestade atinge a equipa, que é obrigada a lutar pelas suas vidas contra temperaturas gélidas e ventos vigorosos. Existem várias vezes em que é impossível identificar quem se encontra debaixo do casaco e da máscara mas isso não impede que a acção se mantenha envolvente. A força da natureza é esgotante e a exposição aos elementos é dolorosamente visível.

Quando não estamos envoltos no caos que se vive na montanha somos levados para os momentos emocionais que aqueles que foram deixados para trás vivem – Jan Harnold (Keira Knightley), a mulher grávida de Rob, a família de Beck e os três ajudantes de Rob que se encontram no acampamento base: Helen Wilton (Emily Watson), que trata da logística, Guy Cotter (Sam Worthington), o guia, e Caroline Mackenzie (Elizabeth Debicki), a médica da equipa. Estas personagens transmitem o desespero que é querer ajudar quem amamos mas não podermos fazer nada.

Everest é um filme implacável que te deixa preso no topo da montanha e te faz imaginar o quão louco alguém tem de ser para pensar em subir até um local onde o teu corpo está literalmente a morrer. A cinematografia é estonteante – as imagens dos montanhistas e a forma como a câmara se move mostram o perigo que é estar num local que pode passar do paraíso ao inferno numa fracção de segundos.

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