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Hantavírus: O medo de uma nova pandemia

Após uma visita ao sul do Chile, alguns passageiros a bordo do cruzeiro MV Hondius, que fazia uma rota pelo Atlântico Sul, apresentaram febre, problemas gastrointestinais e sintomas de pneumonia. Foi no dia 2 de maio que se descobriu que um dos pacientes em estado grave estava infetado com hantavírus.

Mas, afinal, o que é o hantavírus? 

O hantavírus não é um único vírus, mas sim um grupo deles pertencente à família Hantaviridae, que são normalmente encontrados em roedores selvagens de zonas rurais. Embora existam várias espécies de hantavírus distribuídas pelo mundo, apenas algumas são capazes de causar doenças graves nos seres humanos.

Fonte: euronews

Os hantavírus causam duas doenças principais, que variam de acordo com a região geográfica e com o tipo de vírus envolvido: 

A Síndrome Cardiopulmonar por Hantavírus (HCPS), causada pela estirpe do Andes vírus ou do SinNombre vírus, ocorre no continente americano e afeta principalmente o coração e os pulmões. Os sintomas iniciais são semelhantes aos de uma gripe comum, mas, numa fase mais avançada, podem progredir para tosse, dificuldades respiratórias graves, acumulação de líquido nos pulmões e estado de choque. A taxa de mortalidade da HCPS pode atingir os 50%.

A Febre Hemorrágica com Síndrome Renal (HFRS) pode ser causada pelo Hantaan vírus, pelo Puumala vírus, pelo Seoul vírus e pelo Dobrava-Belgrade vírus, e é mais comum na Europa e na Ásia. Os seus sintomas iniciais são semelhantes aos da HCPS, mas evoluem para baixa tensão arterial, hemorragias e insuficiência renal.

Os sintomas de ambas as formas da doença costumam surgir entre uma a oito semanas após a exposição ao vírus, fazendo com que seja difícil diagnosticar os pacientes precocemente, devido à semelhança com outras doenças comuns. 

Atualmente, não existe nenhuma vacina que impeça ou cure a infeção por hantavírus. O tratamento baseia-se em cuidados de suporte e acompanhamento das complicações respiratórias, cardíacas e renais. A prevenção continua a ser a medida mais eficaz, envolvendo o controlo de roedores, a higiene adequada dos espaços habitados e a redução da exposição a ambientes contaminados.

Fonte: kgou

Este surto de hantavírus a bordo do MV Hondius levantou uma série de questões e preocupações a nível mundial. 

Será que isto vai dar início a uma pandemia semelhante à do Covid-19? A resposta é não. Apesar de os hantavírus serem mais difíceis de detetar e tratar, a sua disseminação também é mais lenta.

O Covid-19 transmitia-se entre humanos com grande facilidade e sem necessidade de contacto direto. Já o hantavírus propaga-se mais frequentemente através do contacto com partículas de fezes ou urina dos roedores infetados. Também é possível o contágio através de mordidas ou arranhões desses animais ou do consumo de água contaminada, apesar de não ser tão comum. A transmissão entre seres humanos é possível, mas muito rara. Até agora só foi documentada através do Andes vírus, que exige contacto próximo e prolongado com a pessoa infetada.

Também não existe a possibilidade de se fazer um confinamento geral. As medidas preventivas contra a infeção por hantavírus estão mais relacionadas a cuidados de higiene na realização de trabalhos onde possa haver contacto com roedores e não necessariamente ao distanciamento social.

É muito importante que nos mantenhamos informados e não nos deixemos alarmar por esta situação. A quarentena global que ocorreu durante a pandemia de Covid-19 deixou marcas profundas nas nossas vidas e na nossa memória, mas não é uma realidade que se possa vir a repetir tão cedo.

Fonte da capa: Heraldonline

Artigo revisto por Mariana Ranha

AUTORIA

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A Carla Vitório, vinda da Lourinhã, terminou o secundário sem saber o que queria fazer e acabou por cair de paraquedas no curso de Jornalismo da ESCS. Descobriu, através da disciplina de Língua e Expressão do Português, que gosta muito de gramática e de espalhar o uso do bom português, logo resolveu juntar-se ao departamento de Correção Linguística da ESCS Magazine. Apesar do seu humor sarcástico e um pouco seco, a Carla adora criar boas relações com os outros e dá o seu melhor para que ninguém se sinta julgado quando ela está por perto.