Literatura

História das Guerras Mundiais (uma versão simplificada)

O dia 27 de janeiro é atualmente assinalado como o Dia Internacional em Memória das Vítimas do Holocausto. A data foi implementada pela Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas (ONU), no dia 1 de novembro de 2005, com o objetivo de relembrar as vítimas do genocídio em massa. Milhares de nazis torturaram e assassinaram milhões de judeus e outras minorias étnicas, sob o comando de Adolf Hitler. A história do Holocausto foi recontada para além das gerações que viveram no período da Segunda Guerra Mundial, mas infelizmente não se trata apenas de uma narrativa de ficção. Este é considerado por muitos um dos maiores crimes cometidos contra a humanidade, mas, para relembrar este acontecimento e a sua respetiva origem, é pertinente ter alguma contextualização histórica, recuando até à Primeira Guerra Mundial e situando o caso da Alemanha ao longo da história.

Henry Kissinger, uma testemunha do Holocausto

Kissinger foi Secretário de Estado (1973 – 1977) e conselheiro oficial (1969 – 1975) dos Estados Unidos da América, tendo obtido a nacionalidade estado-unidense após a fuga às perseguições nazis, devido ao facto de a sua família pertencer à religião judaica. Lançou várias obras relacionadas com a área da política, sendo que, no que diz respeito às Guerras Mundiais, é possível destacar Diplomacy – ou, em português, Diplomacia (1994). Trata-se de um livro de não ficção que retrata o cenário mundial das negociações e cimeiras realizadas, com o objetivo de utilizar a diplomacia para manter a estabilidade e a paz a nível internacional. Desta forma, entre os episódios referidos na obra, destaca-se a unificação da Alemanha e a sua transformação numa grande potência europeia, ainda antes da Primeira Guerra Mundial.

Com a ascensão de Guilherme II, a política alemã deixou de ser estável no que diz respeito à manutenção da paz e, juntamente com a instabilidade política da zona balcânica – com a declaração de algumas ameaças e com o início de formação de alianças –, os países não conseguiram manter a paz através da diplomacia, dando origem à Primeira Guerra Mundial, fruto também da precipitação política após o assassinato de Francisco Fernando, o arquiduque da Áustria-Hungria. Como se pode observar através desta sinopse do cenário pré-guerra reconstruído pelo autor, a morte do arquiduque foi apenas o “gatilho” para lançar uma guerra que já estaria a ser construída de qualquer das formas. O autor continua a sua obra, descrevendo o ambiente entre guerras, mostrando que é claramente visível a continuação da procura de alianças, nomeadamente em países como a França, que estaria isolada, no que diz respeito às relações internacionais, uma vez que não estava de acordo com as medidas aplicadas à Alemanha, após a guerra. A Alemanha, por sua vez, começa a aproximar-se de outros países, como a Grã-Bretanha, tentando libertar-se das medidas implementadas, uma vez que era vista como a culpada da guerra. Mas como é que se chegou à Alemanha de Hitler?

Segunda Guerra Mundial: causas e regimes políticos

Adotando agora o ponto de vista de Steve Morewood, o autor do capítulo The origins of World War Two in Europe (As origens da Segunda Guerra Mundial na Europa), presente no livro Themes in Modern European History 1890-1945 (Temas da História Europeia Moderna), era claro o desejo expansionista alemão, tal como o desejo de Hitler de implementar a sua visão. Segundo o autor, o líder alemão culpou os judeus e os comunistas pelo fracasso alemão na Primeira Guerra. Hitler estava disposto a deixar a diplomacia de parte e, após a sua ascensão ao poder em 1933, juntamente com outros fatores a nível mundial, assim como a formação e ruptura de alianças, iniciou-se a Segunda Guerra Mundial.  

Para um país que se encontrava sob medidas restritivas, sendo tomado como um culpado da Primeira Guerra Mundial, foi fácil para Hitler apelar aos cidadãos que estavam insatisfeitos com a situação do país. Era necessário um “messias que salvasse a nação”. Talvez o percurso de Hitler não tivesse sido fácil no que diz respeito ao início da sua ascensão – tendo estado preso, inclusivamente –, mas a “necessidade” cega do povo acabou por permitir a subida ao poder do ditador. Que fatores o distinguiram e permitiram a disseminação do nazismo? Visto que fascismo e nazismo são termos que por vezes são confundidos, é necessário clarificar que para muitos autores, incluindo Allan Todd, não existe uma definição clara de fascismo. Na sua obra The European Dictatorships (As Ditaduras Europeias), o autor refere que o fascismo pode ser visto como uma “terceira via” em reação ao cenário pós-guerra, centrada no nacionalismo. No que diz respeito ao nazismo, trata-se da reação, em específico, da Alemanha, na qual os judeus e outras minorias eram vistos como inimigos, culpados do fracasso. Este ódio aos judeus não teve grande impacto noutros países, como por exemplo em Itália que, na altura, vivia também sob a ditadura (Mussolini).

Ao longo da obra de Todd, são assim clarificados os regimes políticos da época como o da Rússia (que pode ser visto como uma ditadura comunista), o da Itália e o da Alemanha, e conceitos como totalitarismo e autoritarismo. Esta obra merece destaque, uma vez que, atualmente, facilmente partidos, agentes políticos ou até mesmo cidadãos sem nenhum cargo político são referidos como “comunistas”, “fascistas” ou “autoritários”. Contudo, é necessário ter em conta os conceitos, tal como o facto de já terem existido ditaduras, tanto da esquerda como da direita, no que diz respeito ao espectro político. 

As vítimas do Holocausto merecem o devido reconhecimento, mas também devemos perceber o contexto histórico, social e político no qual estão inseridas. Através do estudo da História, podemos reconhecer os erros do passado, investindo num futuro melhor.

Fonte de capa: Revista Bula

Artigo revisto por Andreia Custódio

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