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Jornalista da revista Der Spiegel admite ter fabricado histórias

Claas Relotius admitiu ter inventado histórias e distorcido factos em artigos escritos para a Der Spiegel. O jornalista alemão apresentou a demissão e devolveu todos os prémios que recebeu pelas suas peças. O caso levou a revista a pôr em causa a eficácia do seu método de verificação de factos.

Esta quarta-feira, a revista Der Spiegel revelou que factos e fontes de artigos escritos por Claas Relotius eram inventados. A revista explica que o jornalista “incluiu indivíduos nas suas histórias que nunca conheceu ou com quem nunca falou, ao contar as suas histórias, ou citando-as”. Relotius admitiu que 14 dos seus 60 artigos têm factos e fontes inventadas. A investigação para apurar o número exato de artigos com informações fabricadas está, mesmo assim, a decorrer.

O artigo “Jaeger’s Border”, publicado em novembro de 2018, foi a peça que levantou as primeira suspeitas. Relotius e Juan Moreno, repórter para a Der Spiegel, são os autores do artigo sobre um grupo de vigilantes norte-americanos na fronteira entre o México e os EUA. Moreno, ao desconfiar da veracidade do trabalho do colega, viajou até aos EUA e reuniu informações para incriminar Relotius. Uma das integrantes do grupo relatado no artigo “Jaeger’s Borders”, Janet, também colocou em causa as informações do artigo. Janet enviou um e-mail a perguntar como poderia ter Claas Relotius escrito um artigo sobre o seu grupo sem lhe ter feito uma entrevista.

O jornalista alemão admitiu que a sua insegurança o levou a fazer o que fez. ““Foi por medo de falhar. A pressão para não falhar cresceu à medida que me tornava mais bem-sucedido”, explicou Relotius. A revista Der Spiegel confessou que este caso é” particularmente doloroso e levanta questões sobre a estrutura interna que devem ser resolvidas o quanto antes”. O editor da revista alemã, Mathieu von Rohr, considerou os atos de Relotius uma traição à revista e ao seu público.

Claas Reotius era considerado um dos melhores jornalistas alemães e um dos editores da Der Spiegel. Foi como jornalista freelancer que começou a escrever para a revista alemã. Desde 2011 escreveu 60 artigos, sendo que com alguns deles recebeu importantes prémios. No início deste mês recebeu o prémio de Repórter do Ano por uma peça sobre jovens que estariam na origem da guerra civil na Síria em 2011.

Corrigido: Beatriz Pardal

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