Netflix – A Nova Professora de Educação Sexual

O novo sucesso da Netflix é a série Sex Education. Muito provavelmente já ouviste falar dela, pois todos estamos familiarizados com a nova moda de “dar hype” a determinadas séries. Esta, claro, não podia ser exceção.

Se não tens nada para fazer a um domingo, ou se queres uma pausa de tudo aquilo que tens para fazer, aqui está a solução. São apenas oito episódios, com a duração normal (entre 45 a 50 minutos). Este original da Netflix ainda só tem uma temporada, que estreou dia 11 de janeiro deste ano. No dia 1 de fevereiro, menos de um mês após a estreia, a série já estava renovada para a segunda temporada (com data ainda por revelar).

Destacam-se três personagens. A incontestável principal é Otis Milburn, interpretada por Asa Butterfield – o nome pode não te parecer familiar, mas se eu te disser que é o Bruno de “O Rapaz do Pijama às Riscas” (o menino rico), talvez já tenhas uma ideia de quem é. Asa conseguiu esse papel aos 10 anos de idade e, hoje, com 21, é a estrela do novo hit polémico dos nossos ecrãs. Otis passa despercebido na escola, não é popular e ainda não iniciou a sua vida sexual. Por ser filho de uma terapeuta sexual, o assunto tornou-se algo bastante presente no seu quotidiano (não vivesse ele numa casa cheia de objetos sexuais, que é também o escritório da mãe).

Gillian Anderson faz de Jean Milburn, mãe de Otis e terapeuta sexual. Na sua carreira, conta já com um Emmy e um Globo de Ouro de “Melhor Atriz em Série Dramática”, devido à sua performance em X-Files.  

Maeve Wiley, encarnada por Emma Mackey, é o interesse amoroso de Otis Milburn. Este jovem peculiar, apesar de não se sentir à vontade para descobrir o seu corpo, fica caidinho pela aluna alterna e misteriosa. Maeve está sempre na boca do mundo, mas não pelas melhores razões. Como em qualquer escola secundária, os rumores são constantes, mas não o suficiente para afastar Otis.

Toda a experiência da secundária se torna mais fácil de suportar com o apoio do seu melhor amigo, Eric Effiong, vulgo, Ncuti Gatwa. Na minha opinião, é das melhores personagens da série. Tem uma personalidade cativante e uma energia espetacular. Está sempre bem-disposto e pronto para alegrar o dia dos seus amigos, apesar de não ter a vida facilitada pelas suas preferências sexuais e pela sua etnia.

Usando os conhecimentos que adquire graças à mãe, Otis começa a dar conselhos aos alunos de Mooredale High School quanto à sua vida sexual. Quando se descobre que realmente são eficazes, Maeve alia-se a Otis e criam um consultório sexual para ajudar a combater as dúvidas dos adolescentes.

Fonte: Medium

Aquilo que diferencia Sex Education de outras séries (e o que a torna tão interessante) é a forma como aborda vários temas pertinentes. Para já, o título por si só reflete que o tema “sexo” estará sempre presente. Isso tinha tudo para correr mal – só eu sei o quão à toa fiquei quando vi que a primeira cena do primeiro episódio era mesmo dois adolescentes a praticarem o ato. Pensei: “mas será que esta série vai mesmo ser só sexo?” – não podia estar mais enganada. Sei que há pessoas que não veem a série por acharem isso mesmo, mas há que dar-lhe uma oportunidade. Não retrata o sexo de uma forma cringe, o que não é algo fácil de fazer.

Contudo, como disse, a série não é só sexo. O enredo e as personagens expõem assuntos importantes como: saúde mental, homofobia, masturbação, aborto, sexismo e racismo. A forma como os tratam é muito terra-a-terra, o que é de louvar. A comunidade LGBTQIA+ está bem representada e normaliza-se o aborto como eu nunca tinha visto numa série. Em suma, pegam nos temas difíceis e polémicos e desmistificam-nos de uma forma brilhante.

Assim, fica aqui a minha recomendação para umas horas bem passadas. Escusado será dizer que os episódios conseguem ser vistos em apenas um dia. Pode não ser o tipo de série para o gosto de todos, mas sem dúvida marca a diferença de forma positiva. Eis um cheirinho daquilo que é Sex Education: https://www.youtube.com/watch?v=o308rJlWKUc

Fonte da fotografia “thumbnail”: Blogando Cultura

Revisto por: Ana Margarida Patinho

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