7ª Arte

Os grandes clássicos do Cinema – 8 filmes que já devias conhecer

Existe um leque de filmes clássicos para os mais variados gostos que todas as pessoas, principalmente os amantes da 7.ª arte, devem ver pelo menos uma vez na vida. Deixamos-te aqui oito deles como propostas para uma noite de cinema caseira:

  • Citizen Kane (1941), Orson Welles:

Considerado por muitos o maior e melhor filme de todos os tempos, Cidadão Kane, de Orson Welles, foi lançado há 76 anos. O enredo tem como protagonista Charles Foster Kane (inspirado em William Randolph Hearst e interpretado pelo próprio Welles), um magnata da imprensa americana. Kane é o protótipo de sucesso da época, no entanto, morre sozinho e triste.

A narrativa é repleta de avanços e retrocessos no tempo, sem causar confusão ao espectador. Na biografia de Kane, cada facto é apresentado segundo várias versões, o que aumenta a curiosidade acerca da personagem, sem nunca dar ao espectador uma verdade absoluta.

Mas talvez o que mais cative o espectador seja a parte inicial do filme. A narrativa começa com a morte de Kane, que pronuncia a palavra “Rosebud” nos momentos finais da sua vida. Kane estava sozinho e esta palavra foi apenas ouvida pelo espectador. Após isto, todo o filme se vai basear na procura do significado desta palavra. A imprensa investiga qual será este mesmo significado, sendo mostrados os bastidores da indústria jornalística. No entanto, uma pergunta paira no ar: Quem contou aos jornalistas?

Welles planeia deste modo uma espécie de artimanha que faz com que o espectador seja imediatamente colocado dentro do filme e da situação que nele se desenrola. Para isto, a narrativa desenha-se de uma forma semelhante ao funcionamento da mente. Existem conexões a todo o momento. Não há uma cronologia, apenas idas e vindas a um ritmo alucinante, tal como acontece com o nosso pensamento.

Apesar de ter sido lançado há 76 anos, este filme adapta-se também aos dias de hoje, sendo uma crítica ao facto de, por vezes, os media menosprezarem notícias importantes para se dedicarem a assuntos superficiais.

 

  • The Godfather (1972), Francis Ford Coppola:

Este filme, adaptado do romance de ficção de Mario Puzo, é o mais popular de sempre dentro deste tema. Conta a história de uma família da máfia italiana que imigra para os Estados Unidos. Esta é liderada por Don Vito Corleone (interpretado na perfeição por Marlon Brando).

O enredo centra-se sobretudo na ascensão de Don Vito Corleone, desde imigrante pobre a líder de uma das famílias mais poderosas do mundo da máfia. Conta com um excecional elenco, para além de Marlon Brando, cujas personagens mais marcantes são interpretadas por Al Pacino, Robert Duvall e James Caan. Para além disto, todo o ambiente de cena contribui para que o clima do filme se mantenha sempre no ponto certo. A trilha sonora que o compõe acentua ainda mais todo o ambiente arrepiante que marca este filme.

Para além deste, foram ainda lançadas duas sequelas: The Godfather: Part II (1974) e The Godfather: Part III (1990).

 

  • Psycho (1960), Alfred Hitchcock:

Provavelmente o melhor filme de suspense de Alfred Hitchcock, considerado o mestre deste género cinematográfico, Psycho é baseado no livro de Robert Bloch. A narrativa gira à volta de Marion Crane, interpretada por Janet Leigh, uma secretária que, após desfalcar o seu chefe, vai parar ao Motel Bates, um motel decadente que quase fechou portas. Este é dirigido por Norman Bates, um jovem vulnerável, tímido e estranho. O enredo retrata, portanto, tudo o que acontece a partir da entrada de Marion neste motel.

Psycho contém uma icónica cena no chuveiro, que foi filmada num espaço de 4m2, tendo demorado uma semana a filmar uma vez ser composta por 50 cortes. Nesta cena, existem vários cortes na imagem em representação de cada facada que acontece, sendo que foi usado o som de melões a serem cortados e molho de chocolate como sangue, de forma a tornar toda a ação o mais realista possível.

Como se não bastasse, para acrescentar ainda mais emoção a cada uma das cenas, a trilha sonora foi criada na perfeição por Bernard Herrmann (que fez também a banda sonora do filme Citizen Crane). A música que acompanha a cena do chuveiro tornou-se tão icónica quanto a cena em si. Até aos dias de hoje, esta continua a ser uma das bandas sonoras mais marcantes do cinema.

Todo o filme é construído inteligentemente de forma a passar para o público toda a intensidade da ação que está a decorrer. Para além disto, o plot-twist no final do filme deixará boquiabertos até os espectadores menos impressionáveis.

 

  • Breakfast at Tiffany’s (1961), Blake Edwards:

Protagonizado por Audrey Hepburn, este clássico retrata a vida de Holly Golightly, uma acompanhante de luxo que sonha em casar com um homem rico e tornar-se atriz em Hollywood. Mudou-se para Nova Iorque para esquecer o passado e tentar alcançar o seu sonho. Já em Nova Iorque, passa a ser ajudada financeiramente por Sally Tomato, um mafioso que está preso em Sing-Sing (local onde os dois se encontram todas as quintas-feiras).

Holly acaba por se envolver com o seu vizinho Paul Varjak (interpretado por George Peppard), um escritor. Acaba por se desenvolver uma amizade entre os dois. Paul não tem o mesmo interesse carnal que todos os homens têm por Holly. Por essa razão, esta confia-lhe a sua amizade. No entanto, apesar do seu interesse por Paul, Holly não se quer deixar entregar a um amor que contraria os seus objetivos de se tornar rica. É nesta relação, na forma como as diferenças de ambos se completam na perfeição e na forma como cada um altera o destino do outro, que se foca uma grande parte da narrativa.

O enredo foca-se nesta personagem extrovertida e com uma enorme graciosidade. Holly tornou-se um símbolo da cultura pop, por ser uma personagem feminina que representa os excessos consumistas da sociedade contemporânea. O maior fator de apelo talvez seja mesmo aquilo que Holly representa. Utiliza o seu corpo para atrair homens e ganhar dinheiro, no entanto, demonstra uma vulnerabilidade escondida e uma grande dificuldade em descobrir-se enquanto pessoa. Tem tanto de fútil como de apaixonante. Holly é uma mulher complexa que vamos conhecendo aos poucos e pela qual, tal como Paul, nos apaixonamos. Breakfast at Tiffany’s surge como uma obra apaixonante e inesquecível, que nos mune de pequenos pormenores que ficam gravados na memória.

 

  • The Exorcist (1973), William Friedkin:

Sendo um dos filmes mais perturbadores e assustadores de sempre, The Exorcist é, sem dúvida, um dos filmes mais adorados do género terror. Foi o primeiro filme de terror a fazer sucesso com cenas “pesadas”, como uma cena na qual a rapariga, Regan, desce as escadas (que virou costume em filmes deste género cinematográfico). É considerado por muitos o filme mais clássico e marcante de exorcismos que o mundo já viu, tanto que é reconhecido mesmo por quem ainda não viu o filme.

Este filme entrelaça o género terror com o drama pessoal do padre. Por um lado, temos o que se sucede com Regan MacNeil (interpretada por Linda Blair), uma rapariga de 12 anos que apresenta uma série de convulsões e demonstra uma força anormal. Após várias tentativas de tratamento psicológico, a mãe de Reagan é aconselhada a tentar algo diferente: um exorcismo. Enquanto isto, é apresentada a história de Damien Karras (interpretado por Jason Miller), um jovem padre e psiquiatra que lida com o estado de saúde da sua mãe.

Damien Karras é contactado por Chris MacNeil, mãe de Reagen, para realizar o exorcismo. A cena do exorcismo é, sem dúvida alguma, um dos momentos mais marcantes na história do cinema.

 

  • Schindler’s List (1993), Steven Spielberg:

Baseado em factos reais, este filme foca-se no alemão Oskar Schindler (interpretado por Liam Neeson), um empresário alemão que salvou a vida a mais de mil judeus durante o Holocausto, empregando-os na sua fábrica.

Schindler, um membro do Partido Nazista, tem a esperança de conseguir lucrar com a guerra. Patrocinado pelos militares, adquire uma fábrica para produzir panelas para o exército. Tem a seu lado Itzhak Stern, um oficial do Conselho Judeu de Cracóvia, que possui contactos com a comunidade empresária de judeus e com os mercadores negros dentro do Gueto. Posto isto, consegue contratar judeus poloneses, mais baratos, que recebem permissão para sair do Gueto. Entretanto, Stern falsifica documentos de forma a que mais judeus sejam considerados essenciais e, consequentemente, sejam salvos de serem transportados para campos de concentração ou mortos. O enredo gira à volta disto mesmo. Aquilo que começa como uma forma de enriquecer, passa a ser uma espécie de missão de salvamento.

Sendo este filme um relato de guerra fora do comum, usando a poesia visual e a narrativa, é um filme que nos emociona e puxa para dentro do mesmo. Equilibrando momentos tocantes e momentos bastante violentos, e graças a um acompanhamento pormenorizado das emoções das personagens, o diretor consegue tornar tudo bastante íntimo para o espectador. Schindler’s List é um dos menos característicos filmes de Steven Spielberg. No entanto, é um dos melhores filmes do cineasta.

 

  • The Silence of the Lambs (1991), Jonathan Demme:

Clarice Starling (interpretada por Jodie Foster) é uma das melhores estudantes da academia de treinamento do FBI. Consequentemente, é selecionada para entrevistar o Dr. Hannibal Lecter (interpretado por Anthony Hopkins), um psiquiatra brilhante e, simultaneamente, um psicopata violento que está a cumprir prisão devido a atos de assassinato e canibalismo. Jack Crawford acredita que Hannibal o pode ajudar na investigação de Buffalo Bill, um assassino que sequestra a filha de uma senadora, e que Clarice, sendo jovem e atraente, poderá servir de isco.

Hannibal aceita revelar o que sabe acerca de Buffalo Bill. No entanto, pede algo em troca: quer ser colocado num lugar mais confortável e quer falar com Clarice acerca do seu passado. O enredo foca-se, portanto, na relação que Clarice e Hannibal irão estabelecer. Este força-a a revelar os seus traumas mais profundos e coloca-a numa posição de vulnerabilidade.

Este filme mistura os horrores de atos criminosos com os horrores do interrogatório que Hannibal faz a Clarice. Hopkins consegue hipnotizar-nos. Ao vê-lo, a sensação de estarmos perante um verdadeiro psicopata invade o nosso pensamento. É uma atuação perfeita de Hopkins. Lecter é talvez o melhor vilão alguma vez visto no mundo do cinema.

Para além desta tenebrosa personagem, o guião foi de tal forma bem construído que é como se cada cena levasse a outra, com vários desfechos possíveis. Há uma tensão e uma curiosidade constante nos espectadores. É um filme que nos prende desde o início até ao fim, e todas as suas partes funcionam numa perfeita harmonia aterrorizante, mas que nos deixa sempre com vontade de ver mais.

 

  • Clockwork Orange (1971), Stanley Kubrick:

Baseado no romance de Anthony Burgess, é um filme de crime distópico e a melhor palavra para o descrever seria perturbador.

A narrativa segue a vida de Alexander DeLarge (interpretado por Malcolm McDowell), um sociopata que se interessa por música clássica, estupro e ultraviolência. DeLarge lidera um gangue, composto pelos seus “drugues”. Neste violento filme, o espectador acompanha os crimes que Alex e o seu gangue cometem, a sua captura e a tentativa de reabilitação através do tratamento Ludovico, uma terapia experimental de aversão à violência para a reabilitação de criminosos.

Alex é, para além de personagem principal, o narrador, o que faz com que, de certa forma, sejamos puxados para a trama como cúmplices da mesma. Kubrick distorce ainda as imagens de maior violência, criando uma ideia de delírio nas cenas mais fortes.

Quando damos por nós, Alex está atrás das grades, a cumprir uma pena pelos seus crimes e, consequentemente, a ser alvo de uma cura de caráter moral duvidoso. Posto isto, a personagem que antes odiávamos provoca em nós um sentimento de empatia, pois passamos a sofrer com ela. Este filme é, portanto, uma sátira social que lida com a questão de saber se o condicionamento psicológico poderá ser usado como arma pela parte do Governo. O filme é uma ode ao livre-arbítrio.

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