Viver como um monstro ou morrer como um bom homem?

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Fonte: Cupboard

Qualquer adorador de cinema terá, com certeza, o nome Martin Scorsese na ponta da língua quando questionado acerca de quem serão os melhores diretores de cinema. Foi ao longo da década de 70 que Scorsese alcançou o estatuto de um dos grandes diretores de cinema dos Estados Unidos.

Temas profundos, histórias interessantes e personagens complexas e conhecidas pelas suas perturbações – é disto que são feitos os filmes dirigidos por Scorsese.

A história de Scorsese e DiCaprio recua ao ano de 2002, quando foi lançado o filme “Gangs of New York”. Ao todo foram cinco colaborações até à data, no entanto, a história fica marcada graças ao ano de 2008, no qual o diretor ganhou pela primeira vez o Oscar de Melhor Diretor, com o filme “The Departed”, o que voltou a acontecer com “TheWolf of Wall Street” (2013). Para o futuro, os dois já prometeram um regresso com os filmes “KillersoftheFlowerMoon” e “Roosevelt”.

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Fonte: filmtasticno.com

Em 2010, o duo voltou a juntar-se em Shutter Island, uma obra-prima caída dos céus que cria uma atmosfera de tensão que se traduz numa experiência fascinante ao vê-la. Não valeu a DiCaprio o seu primeiro Oscar, mas não foi por falta de talento.

Desde logo, Shutter Island presenteia-nos com uma cena inicial prazerosamente bem gravada. A sinfonia que a acompanha, escrita por Krzysztof Penderecki em 1988, permite que o ambiente à nossa volta se torne misterioso e assustador. Neste momento, tudo pode acontecer.

O filme é baseado no thriller de Dennis Lehane, escrito em 2003, e remonta aos anos 50. Nesta altura, muitos dos homens que lutaram na Segunda Guerra Mundial viam-se agora em postos de trabalho da polícia. É o caso de Teddy Daniels, interpretado por DiCaprio, um Marshall que chega a Shutter Island, uma prisão de máxima segurança para pessoas perturbadas psicologicamente, para investigar o desaparecimento de uma prisioneira. A seu lado, Leonardo DiCaprio tem Mark Ruffalo, que interpreta o seu parceiro, Chuck Aule. O filme conta ainda com um leque de atores que dispensam apresentações, como Ben Kingsley, Michelle Williams, Max vonSydow e PatriciaClarkson.

Apesar do elenco de luxo, oinício do filme até nos pode fazer pensar que este poderia ser apenas mais um thriller com um enredo básico e aborrecido, mas Shutter Island reserva-nos tão mais do que isso. O que parecia simples no início, complexifica-se à medida que o filme avança e o enredo enriquece, e é isso que torna o filme tão bom. Não ficamos a desejar que houvesse mais, Scorsese sabe exatamente como nos satisfazer, mas ficamos com pena por já ter terminado.

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Fonte: © 2010 Paramount Pictures, Phoenix Pictures, SikeliaProductions, AppianWay. Distribuida em Espanha por Paramount Pictures.

O enredo é fácil de seguir, mas não oferece espaço para distrações. E apesar de se tornar cada vez mais complexo e, por vezes, mirabolante, nada fica por explicar. No entanto, nem toda a gente consegue perceber tudo apenas com uma visualização do filme. Shutter Island é daqueles raros filmes que merecem ser visto duas vezes. Tudo o que pareceu demasiado confuso no final do filme quase se torna óbvio ao vê-lo pela segunda vez – desde a primeira cena que tudo faz sentido, tudo se dirige para o inevitável desfecho.

Todas as cenas e interações relacionadas com a personagem principal, mesmo que pareçam meras distrações da história em foco, foram perfeita e inteligentemente trabalhadas para criar uma perfeita sinfonia de cenas.

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Fonte: Youtube

Ao longo de toda a trama, Teddy Daniels, a personagem principal, consegue puxar-nos para dentro da sua cabeça de uma forma sensacional sem sequer nos apercebermos. E, quando finalmente somos puxados de volta para fora da sua cabeça, nada parece real. O mesmo acontece com o duplo plot-twist que o filme nos oferece – é pura magia e troca-nos as voltas de uma forma tão boa que ficamos a desejar que as voltas nos sejam sempre trocadas. Scorsese faz o que quer dos seus espectadores e sabe exatamente o que tem de fazer para gerar os sentimentos que pretende. E, apesar das opiniões díspares que possam existir, este é um filme que vale o nosso tempo.

Artigo revisto por Gonçalo Taborda

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