Artes Visuais e Performativas

5 Lésbicas e uma Quiche – Review

A Yellow Star Company apresenta uma peça com um título controverso e um elenco de luxo que tem vindo a entreter o público lisboeta. Entre gargalhadas e estereótipos, a peça 5 Lésbicas e uma Quiche, aborda questões que, embora a narrativa se desenvolva nos anos 50 são transversais aos dias de hoje.

“Sociedade de irmãs, viúvas, independentes, bem conservadas e com boas maneiras”. São estas as senhoras que dirigem a reunião anual de quiches de 1956. O público não é um mero espectador, representa as outras irmãs da sociedade. Isto cria uma proximidade em relação às personagens, dado que há uma maior envolvência do público no decorrer da peça.

De perto, observamos o comportamento dos membros desta sociedade numa situação “apocalíptica”, na qual o “nosso”  centro de reuniões se transformará num bunker durante quatro anos. Enfrentamos, assim, a hipótese de nunca mais podermos contactar com o mundo externo, e a possibilidade de comer pela última vez uma quiche. Além de solteiras, todas adoramos quiche e reconhecemos o poder do ovo.

O ovo representa muito mais que uma fonte rica de alimento, é uma analogia. Evidencia tanto os estereótipos de conversas e comportamentos de “galinheiro”, como a fertilidade e bênção da maternidade. Deste modo, tal como uma quiche, as mensagens de um discurso feminista são subtis, com sabores que apenas os mais atentos reconhecerão.

Fonte: canelaehortela.com

Por outro lado, algo que não passa despercebido são as interações entre as personagens: as tensões e olhares por vezes trocados, tornando o título ainda mais explícito. Mais do que solteiras, viúvas (mesmo que fosse apenas uma mentira) e com boas maneiras, são lésbicas que apenas “saem do armário” porque já não temem o preconceito. O que retrata que este é ainda um assunto tabu, muitas vezes escondido até ao extremo.

A homossexualidade tanto masculina como feminina está ainda condicionada por estereótipos, segundo os quais a orientação sexual é ditada pelo modo como se vestem e comportam. Este grupo de mulheres rompe essa ilusão, provando que ser feminina em nada compromete a orientação sexual e, tal como isso, também em nada compromete a maternidade de uma mulher.

Pessoalmente, apesar do conceito forte, a narrativa não me conseguiu entreter. As expectativas que tinha não foram ultrapassadas e senti que a peça deveria ter sido mais desenvolvida. É uma boa aposta para quem está à procura de um momento de entrenimento efémero para espairecer.

A peça estará em cena de quinta a domingo, até ao dia 10 de junho, no Teatro Armando Cortez.

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