• Artes Visuais e Performativas

    5 Lésbicas e uma Quiche – Review

    A Yellow Star Company apresenta uma peça com um título controverso e um elenco de luxo que tem vindo a entreter o público lisboeta. Entre gargalhadas e estereótipos, a peça 5 Lésbicas e uma Quiche, aborda questões que, embora a narrativa se desenvolva nos anos 50 são transversais aos dias de hoje. “Sociedade de irmãs, viúvas, independentes, bem conservadas e com boas maneiras”. São estas as senhoras que dirigem a reunião anual de quiches de 1956. O público não é um mero espectador, representa as outras irmãs da sociedade. Isto cria uma proximidade em relação às personagens, dado que há uma maior envolvência do público no decorrer da peça. De…

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    Agenda Cultural de maio

    Este ano, Lisboa é em maio um palco para residentes, turistas, amantes das artes, música e do Sol, que mesmo no backstage vai dando um tom da sua graça. O que não falta também são iniciativas culturais para começar a aproveitar cada vez mais o tempo, agora que os dias se sobrepõem às noites. No entanto, é nas noites que começamos as nossas sugestões para este mês. O Lisbon Under Stars procura promover o património lisboeta através de uma experiência que evoca todos os sentidos. Uma instalação que revive os episódios da história de Portugal através de projeções, efeitos visuais e um compêndio das mais recentes e mais antigas obras…

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    Agenda Cultural – março

    Entramos no mês de março com a abundância de chuvas de ”David”, mas também uma rica e variada oferta cultural perfeita para cultivar o teu lado mais artístico e criativo. Em grande parte, as propostas apresentadas enaltecem e partem de artistas contemporâneos que procuram cada vez mais reconhecimento e impacto no panorama nacional. O ciclo de dança O Cumplicidades, numa segunda edição, é um exemplo desse desejo de minimizar o fosso entre espectador e artista, através da observação e aprendizagem da sua arte. O Festival Internacional de Dança Contemporânea de Lisboa reúne oito criações da autoria de Tânia Carvalho e Abrahm Furtado, a decorrer entre os dias 10 e 16…

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    O Escândalo de Phllippe Dussaert – review

    Marcus Caruso atravessou o Atlântico para interpretar o premiado monólogo “O Escândalo de Philippe Dussaert”. O ator, mais conhecido pelo público português pela presença em telenovelas da rede Globo, comprovou, no passado dia 25 de Fevereiro, a distinção que é atribuída à sua performance. Para aqueles que pretendam assistir à peça (agora apenas no Porto, Famalicão, Águeda, entre outros) sugiro que dêem por terminada a vossa leitura. O movimento artístico de vanguarda, com definições artísticas que em pouco se cruzam com aquelas pelas quais os grandes mestres se regiam, é, ainda hoje, um ponto de reflexão. Com três buzinas sonantes a peça começa, expondo logo de início que qualquer conhecimento…

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    Género na Arte – Review

    A entrada para a exposição é um curto corredor negro. Idealmente sempre se fomentou na sociedade esta ideia de que depois das trevas vem a luz, de que depois do mal vem o bem, da ignorância o conhecimento. No entanto, essas são muitas das conceções perpetuadas pela sociedade, tal como as de género, identidade sexual, orientação sexual, entre outros. A passagem do corredor negro para um comprido corredor de paredes brancas onde se estendem palavras, salas e luminosidade simboliza muito a transformação que a coletânea de obras pode provocar em muitos dos seus visitantes. A exposição “Género na Arte. Corpo, Sexualidade, Identidade, Resistência.” traz ao Museu Nacional de Arte Contemporânea…

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    Agenda Cultural Fevereiro

    Fevereiro é o mês dos apaixonados, dos solteiros, do Carnaval e a segunda feira para todas as resoluções de ano novo. Por isso nesta agenda cultural deixo sugestões apaixonantes, divertidas e que trarão uma sensação de recomeço. Alexandre Farto aka Vhills já provou o seu valor nacional e internacional. Não só pelas suas obras mas também por iniciativas como a Underdogs e o Festival Iminente, que disseminam e fomentam a cultura urbana contemporânea. Neste que é o segundo mês de 2018, Alexandre Farto deixa-nos com Intrínseco. Uma instalação com elementos visuais como a figura humana, já recorrente nas obras do artista, mas num suporte em PVC que permite uma constante…

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    Keep on Trocking, trocando estereótipos

    Uma futura mamã “sabe” que, se for menina, vai haver alguém que lhe oferecerá babygrows rosinhas e que, se for menino, azuis; que no primeiro ano as meninas vão para o ballet e os meninos para o karaté. No entanto, as coisas nunca foram assim tão lineares e cada vez mais nos afastamos dos paradigmas de género, uma vez que sempre houve meninas no karaté e meninos no ballet e ainda há toda uma panóplia de atividades extracurriculares para as crianças. Mas o artigo de hoje é sobre uma companhia que educa principalmente os graúdos; é para os amantes de ballet e para aqueles que dizem coisas como “ballet é…

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    Paus na sexualidade

    Não é preciso sermos uma árvore para sabermos o que é um Pau Duro com Coração Mole, ou um pau mole de coração duro. Em muito estes trocadilhos, e não falando de galhos, transmitem os modos como podemos encarar uma atração. Assim, na exposição “ Pau Duro Coração Mole “ encontramos excertos de algo que nos é tão familiar como o sexo e o amor. Ao que cada série poderia ser considerada arte erótica e simultaneamente não o é, uma vez que não apela apenas à imagem como estímulo sexual mas como estímulo do que é ser sexual e de como é encarada a sexualidade. Os quatro artistas, são artistas…

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    Os negros – Teatro São Luiz

    Negro, preto, sujo, seboso, mal cheiroso, nojento, rude, sem maneiras. Negro como o carvão, o alcatrão, a graxa. Negro com o seu cheiro, com as suas coxas dançantes, com os seus corpos de pecado. Será que é assim que o “mundo branco” via e ainda vê os negros? O Teatro São Luiz vê, com o cair da noite, a entrada de 13 atores cuja pele é espelho do céu escuro e denso. Uma adaptação de “Le noir” de Jean Genet esteve em cena desde dia 5 de outubro e reuniu uma plateia tanto branca como negra, ao longo dos dez dias de exibição. A obra é de uma interpretação tão…

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    A Arte da Fome

    Dois homens em cena, uma enorme capacidade de interpretação, uma luz da moda da Primark a centro do palco e uma sala cheia, ao ponto de dizerem à entrada “Sente-se onde quiser”. O ambiente não poderia ser mais apropriado à compreensão e empatia gerada pelos três contos kafkianos, “O Primeiro Sofrimento”, “Josefine, a Cantora ou o Povo de Ratos” e “Um Artista da Fome”. No modesto palco do teatro São Luiz estes contos ganharam vida, numa devoção à arte quer das personagens, quer dos atores. O trapezista, numa presença etérea representado por um feixe de luz, transmitia ainda assim o seu perfeccionismo e peculiaridades. A encenadora, Carla Bolito escolheu a…