PLAYLIST: Melhores do Ano – Músicas, Álbuns e Artistas

Para o bem ou para o mal, mais um ano está a chegar ao fim. É altura de recolher ao quentinho da casa, celebrar as festas e abrir prendinhas. Aqui na secção de música da ESCS MAGAZINE, é tempo de fazer uma retrospetiva deste ano bastante musical que agora termina. Fica com as nossas escolhas das músicas, dos álbuns e dos artistas que marcaram de forma única e especial o nosso 2017.

 

Bruno Andrónico

Música do ano: “Put Your Money On Me”, Arcade Fire

De um álbum do qual esperava mais, esta foi uma das poucas que não desapontou. Bem pelo contrário, Put Your Money On Me é, na minha modesta opinião, a melhor música do mais recente álbum dos Arcade Fire (e sim, a Everything Now fica no ouvido e também é muito boa).

Passou pelo meu Spotify vezes suficientes para no espaço de 4 meses ter sido a música que mais ouvi este ano. Qualidade.

 

Álbum do ano: “Sleep Well Beast”, The National

O álbum do ano não podia ser outro. Os The National fizeram uma obra de arte. Sleep Well Beast tem a tradicional melancolia dos americanos – que eu adoro – e está cheio de músicas que tocam cá no fundo. Tão bom como o álbum, foi o concerto de Matt Berninger e companhia no Coliseu no passado mês de novembro – concerto do ano, se me perguntarem (podes ler mais sobre ele aqui: http://escsmagazine.escs.ipl.pt/e-as-bestas-dormiram-bem-nessa-noite/). Incrível.

 

Artista do ano: Salvador Sobral

É impossível falar do ano de 2017 para a música nacional sem falar de Salvador Sobral. Com o seu estilo que não agradou a muitos, com uma música sem fogo de artificio, “não festivaleira”, sendo sempre genuíno, arrecadou para Portugal a primeira vitória de sempre num festival Eurovisão.

Foi um feito incrível, do qual Salvador Sobral foi o grande responsável, graças à sua teimosia em ser quem era e não se moldar às Eurovisões desta vida. Enorme.

(Os votos de melhoras e de rápido regresso aos palcos, Salvador!)

 

Daniel Pereira

Música do ano: “Havana”, Camilla Cabello

A música de Camila Cabello que transmite umas sensações latinas foi uma das músicas mais contagiantes que já ouvi e é impossível ficar parado quando a ouço. Depois da sua saída das Fifth Harmony, Camila conseguiu rovar ao público que ela realmente consegue fazer música sozinha (e da boa). Esta música é inovadora e tem sido um sucesso constante – conta já com mais de 400 milhões de streams no Spotify.

 

Álbum do ano: “Melodrama”, Lorde

A espera por este segundo disco de Lorde foi grande mas parece que valeu cada segundo. Este disco criado sob um conceito um bocado estranho – uma saída à noite – consegue ser genial na medida em que a cada música que ouvimos, as mensagens por trás das mesmas tornam-se menos explícitas. Sendo assim, Melodrama merece ser o álbum do ano devido à sua singularidade.

 

Artista do ano: Ariana Grande

A artista de 26 anos tornou-se assim uma das cantoras mais faladas do ano após o atentado terrorista que se deu após um dos seus concertos em maio. Ariana tornou-se assim numa grande influência pois fez de tudo para espalhar o amor que por momentos se esqueceu devido ao ataque (concerto de beneficência “One Love Manchester”). Esta pode não ter lançado nenhuma música nova em 2017, mas marcou pela diferença. Apesar deste último ponto que referi, é a quarta artista mais ouvida no Spotify este ano, o que prova o seu grande impacto na indústria musical.

 

Jorge Oliveira

Música do Ano: “4x Atlantis take1”, AFX

“4x Atlantis take1” é uma brincadeira de melodias pelas experientes mãos de um dos mais inovadores génios da música eletrónica de sempre: Aphex Twin. Sob um dos seus vários alter-egos (AFX) e armado apenas com 4 sintetizadores Atlantis da Intellijel, Aphex solta a sua magia, que apesar de limitada neste caso à falta de percussão, tem claramente a sua marca pessoal e inconfundível que tanta gente tem seduzido.

 

Álbum do Ano: “Insecurity Guard”, Kettenkarussell

“Insecurity Guard” é o mais recente álbum da dupla Kettenkarussell (Leafar Legov e Konstantin) do coletivo/editora Giegling que, sem dúvida, tem sido desde o início um fenómeno único e misterioso no mundo da música eletrónica. A misticidade presente tanto nos eventos que organizam pelo mundo como na sua sonoridade é bem visível em todo o álbum. Numa viagem que combina house, ambient e minimalismo com a classe habitual de Kettenkarussell, somos transportados do ínicio ao fim por melodias que nos confortam e detalhes rítmicos que lhe dão uma beleza sobrenatural. “Insecurity Guard” mostra-nos um mundo onde a música é despida, sem distrações nem conteúdo desnecessário, em que cada elemento acrescenta algo de importante ao total e é absolutamente necessário para completar a “pintura” que Kettenkarussell nos apresentam.

 

Artista do Ano: Aleksi Perälä

É para mim muito difícil escolher um só músico como sendo “O melhor de 2017”, pelo simples facto de que existem vários que fizeram algo especial durante o ano. Seja na criação de obras musicais que sobressaem no meio de tanta mediocridade, seja na performance dessas ideias ao vivo através de uma abordagem diferente e surpreendente, ou no djing, inovando tanto na parte técnica como nas possibilidades de narrativa que um dj set pode ter. Em 2017, houve de tudo isto um pouco, porém, tendo que escolher um, destaco Aleksi Perälä como um dos músicos que melhor reuniu todas estas vertentes em 2017. Apesar de o Finlandês (residente em Inglaterra) não apostar no djing, as suas atuações em formato live act são únicas e, para muitos, transcendentes, assim como o álbum deste ano – “Simulation”- extremamente detalhado e trabalhado numa escala musical pouco ortodoxa que caracteriza a assinatura sonora de Aleksi. Como sempre, genial!

 

Maria Moreira Rato

Música do Ano:  “Divided States Of America”, The Script

Para alguns, estes três irlandeses são apenas conhecidos pelos hits Breakeven, For The First Time, The Man Who Can’t Be Moved e Hall Of Fame. Para mim, constituem a banda que mais amo e, este ano, fizeram algo que lhes é habitual mas com uma especial força: dar voz a quem não a tem e abordar as temáticas sociais que os preocupam quando estão a trabalhar em x ou y álbum.
Ora bem, há quem possa dizer que não sendo norte-americana, não conheço os problemas do país nem acompanhei o processo eleitoral de perto, mas a questão é a seguinte: interesso-me muito por política internacional e não é segredo que Donald Trump, para além de ter uma mente retrógrada, está a dividir (literalmente) os Estados Unidos, sendo a favor de políticas com as quais discordo ferverosamente, como a adoção de táticas de tortura (o waterboarding é um exemplo) e de armas nucleares ou a criação de uma fronteira entre os EUA e o México, nutrindo um desprezo profundo pelos imigrantes.
Portanto, Divided States Of America funciona como um autêntico hino contra o governo de Trump. E a verdade é que os versos How many times must I turn a blind eye
And deny what I’m seeing, deny what I’m seeing? nos fazem pensar.

 

Álbum do Ano: “Divide”, Ed Sheeran

Talvez esta escolha possa ser encarada como um cliché, mas até o Spotify faz questão de me informar que ouvi demasiadas vezes o Divide…! Desde singles como Castle On The Hill ou Shape Of You até às baladas adoráveis a que o Ed nos habitou – exemplo disso são a Hearts Don’t Break Around Here, a How Would You Feel ou a Happier – passando por composições ousadas como Galway Girl, Nancy Mulligan e Bibia Be Ye Ye, o Ed Sheeran é dos poucos artistas que (a meu ver) é capaz de conjugar a inovação com o respeito pelas suas raízes.

 

Artista do Ano: Salvador Sobral

Devo admitir que escolher um artista do ano é tudo menos fácil, até porque não considero que reúna as ferramentas necessárias para avaliar seja quem for. No entanto, o Salvador Sobral foi a pessoa que conseguiu conquistar-me e oferecer-me outra perspetiva da música quando achava que já tinha ouvido um pouco de tudo.
E não, não me refiro apenas à sua maravilhosa interpretação do tema Amar Pelos Dois, mas sim ao álbum Excuse Me (cujos temas já sei quase de cor e salteado), à sua prestação na banda Alexander Search e à forma como canta poemas de Fernando Pessoa como se sentisse cada palavra – bom, sente, mas fico sempre assoberbada.
Em maio, aquando da Eurovisão, Salvador afirmou “A música não é fogo-de-artifício, a música é sentimento” e aquilo que me surpreende mais é o facto de ter concretizado estas palavras em ações. Que continue assim!

 

Miguel Alexandre

Música do Ano: “Drew Barrymore”, SZA
Numa última análise, “Drew Barrymore” atua como uma autoexposição artística para SZA, de uma maneira imperfeita e infinitamente complexa – de certa forma, uma busca preventiva para chegar à própria fundação do medo, das imperfeições e das incongruências da artista. “Se não te definires, as pessoas vão fazê-lo por ti”, contou à revista Complex. Na era do superficialmente correto e do digitalmente efémero, este primeiro single de Ctrl – o disco de estreia – foi a música que mais se destacou para mim em 2017: não só os seus ritmos mais convencionais são cativantes o suficiente, como a sua mensagem mostra que há beleza para além da nossa disfuncionalidade.

 

Álbum do Ano: “Melodrama”, Lorde
Sinto que, ao longo deste ano, várias foram as minhas oportunidades para falar de – a esta altura: profetizar – Melodrama. Aliás, até escrevi uma primeira avaliação sobre o álbum aqui: http://escsmagazine.escs.ipl.pt/lorde-melodrama/

Este segundo disco da nova-zelandesa, com apenas 20 anos, é imprudentemente genial, introspetivo sem se tornar indulgente; e em pouco tempo, tornou-se na banda sonora adequada de quem conheceu as amarguras e as desventuras da casa dos 20. E claro que me incluo nesse irrestrito grupo.

 

Artista do ano: Father John Misty

“I hate to say it, but each other is all we got”, termina Josh Tillman na música que dá nome ao seu mais recente álbum, “Pure Comedy”. Num ano cheio de tumultos e conflitos sociais, tensões internacionais e incongruências políticas, a voz da esperança vem de onde menos se esperava: Father John Misty expõe ao mundo a catarse que viveu nos últimos anos e não tem medo de pôr o dedo na ferida de quem não se sente confortável com as críticas do cantautor. Crises ambientalistas, abuso corporativo, exploração capitalista, depressão, alienismo social e a realidade tecnológicas: estes foram temas que não só marcaram o aclamado álbum de Tillman, como também o ano de 2017.

 

Telma Rosário

Música do ano: “Lights Out”, Royal Blood

Os Royal Blood foram, sem dúvida, a minha grande descoberta de 2017. Lights Out, do seu álbum, How Did It Get So Dark, foi a minha música de eleição. Conjuga um bom ritmo com o poder de uma boa letra. Não consigo contar o número de vezes que dancei ao som desta música!

 

Álbum do ano: “Concrete and Gold”, Foo Fighters

No mundo da música, com o passar dos anos, é normal assistir à decadência de bandas que estão ativas há décadas. Os Foo Fighters são a exceção. Concrete and Gold é um álbum dinâmico, com a dose certa de baladas entre faixas de heavy metal. É por isso que alcançou o número um na Billboard 200, sendo reconhecido internacionalmente.

 

Artista do ano: Ed Sheeran

Depois de três anos em hiato sem partilhar algo nas redes sociais, desligando-se do mundo concentrando-se apenas na sua saúde mental (e também em escrever músicas), Ed Sheeran voltou com toda a força e energia. Lançou um álbum surpreendente— Divide — que conjuga hits pop como Shape Of You e melodias acústicas como Supermarket Flowers. Bateu recordes de vendas e streaming. Ainda anunciou uma turné mundial, que já conta com estádios e arenas esgotados, entre 2017 e 2018. Sem dúvida, a figura do ano.

 

Estas são as nossas escolhas para 2017. Parece que Ed Sheeran, Lorde e o nosso Salvador Sobral estão na frente desta grande corrida que é a secção de música da ESCS MAGAZINE. Eu, como editor da secção e, por isso, dono da última palavra, não posso deixar passar o Diogo Piçarra, a mágica Praying da Kesha e o icónico lendário Reputation da Taylor Swift. Isto é tudo uma brincadeira porque o que interessa realmente é celebrar a música que nos une. Esperemos que tenhas gostado e que celebres o ano novo connosco e com muita música! Feliz 2018 a todos.

Autor
Bruno Andrónico

Estudante de Audiovisual e Multimédia, amante de rádio e viciado em Coca-Cola. Escreve ocasionalmente para aliviar o stress. Só experimentou a ESCS Magazine no 2° ano, mas escreveu, gostou e ficou por cá.

Autor
Maria Moreira Rato

Se virem uma rapariga com o cabelo despenteado, fones nos ouvidos e um livro nas mãos, essa pessoa é a Maria. Normalmente, podem encontrá-la na redação, entusiasmada com as suas mais recentes descobertas “AVIDeanas”, a requisitar gravadores, tripés, câmaras, microfones e o diabo a sete no armazém ou a escrever um post para o seu blogue, o “Estranha Forma de Ser Jornalista”… Ah, e vai às aulas (tem de ser)! Descobriu que o jornalismo é sua minha paixão quando, aos quatro anos, acompanhou a transmissão do 11 de setembro e pensou: “Quero falar sobre as coisas que acontecem!”. A sua visão pueril transformou-se no desejo de se tornar jornalista de investigação. Outras coisas que devem saber sobre ela: fica stressada se se esquecer da agenda em casa, enlouquece quando vai a concertos e escreve sempre demasiado, excedendo o limite de caracteres ou páginas pedidos nos trabalhos das unidades curriculares. Na gala do 5º aniversário da ESCS MAGAZINE, revista que já considera ser a sua pequena bebé, ganhou o prémio “A Que Vai a Todas” e, se calhar, isso justifica-se, porque a noite nunca deixa de ser uma criança e há sempre tempo para fazer uma reportagem aqui e uma entrevista acolá…!

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