Portugal, lugar de tantos encantos, recantos e rendas altíssimas

Pois bem, embora seja um tópico que já tenha sido muito falado, creio que nunca é de mais sublinhar os problemas atuais do nosso país e este é, inegavelmente, um deles. Inicialmente, não achei que se fosse tornar em algo tão prejudicial para nós portugueses. Mas, com as notícias que têm saído ultimamente e ter-me colocado a observar que já nem são apenas as zonas centrais da capital a serem afetadas, mas muitas mais espalhadas por todo o canto do continente, só prova que se está a tornar num cenário terrífico.

Felizmente, ainda vivo com a minha mãe e não tenho de me preocupar com rendas. No entanto, no meu quadro de objetivos está marcada uma saída da casa da minha querida progenitora mal arranje trabalho. E visto que já estou à procura, mesmo encontrando-me no último semestre da licenciatura, acredito que vá alcançar essa meta no máximo no espaço de um ano. E foi devido a isso também que me comecei a questionar: se os preços das habitações estão assim agora, como é que estarão daqui a um ano? Atenção, não tenho nada contra apartamentos pequenos e não tenho uma necessidade absoluta de viver em Lisboa ou em algum local que esteja relativamente perto do centro. Mas, sendo realista, começo a imaginar-me a não conseguir dividir um T0 em Marvila com a minha gata. E nem eu nem ela costumamos ocupar muito espaço.

As casas que os portugueses tanto ansiavam para comprar mal saíssem dos seus primeiros lares possuem agora uma tabela de preços tão alta que vamos todos ver-nos obrigados a ficar em casa dos pais até aos trinta ou mais. Nós sabemos que, por um lado temos de entender que isto se deve muito ao facto de o nosso país se ter tornado num dos países de seleção turística e isso é ótimo para outros setores, mas por outro quem acaba a lutar pela vida independente com salários precários e a dividir um T3 com mais de 6 amigos só para conseguir pagar as contas somos nós.

Li, há uns dias, uma notícia na revista “Economia Online”, em que o título era “Amadora à frente de Lisboa e Porto na subida do preço das casas”. Segundo a notícia, o facto de a cidade possuir mais de 100 mil habitantes faz com que esta possa aumentar mais os seus preços de habitações. Eu olho para esta situação e penso: ‘como é que é possível que uma zona que há uns anos atrás era considerada uma das zonas em que as pessoas optavam por comprar casa por se localizar na periferia de Lisboa e pelo facto de os preços das mesmas serem medianos ou baixos, ser agora um local em que, dificilmente, um português com salário mínimo consegue adquirir uma habitação?’

Portugal, que país tão bonito que és, cheio de cultura e de graça. Mas, honestamente, se isto se prolongar vou ter de começar a ir a um Imovirtual internacional. Por muito que me custe abandonar o meu país, não sou rica e não ambiciono ser só para conseguir um apartamento minúsculo com condições que não justificam o seu preço.

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