Literatura

22 de maio: Dia do Autor Português

Sociedade de Escritores e Compositores Teatrais Portugueses (SECTP) (1925)

Ao longo da História portuguesa, como é de conhecimento geral, os artistas enfrentaram inúmeras dificuldades para se conseguirem efetivamente afirmar na sociedade. Por esta razão, muitas das iniciativas ligadas a este ramo falharam mas, no dia 22 de maio de 1925 nasce a Sociedade de Escritores e Compositores Teatrais Portugueses (SECTP), através da assinatura da escritura de constituição da mesma, em Lisboa. A sociedade foi criada com o objetivo de unir “escritores teatrais e compositores musicais portugueses para a defesa dos seus direitos e melhoria dos seus interesses…”. Em 1970, a sua designação alterada para a atual: Sociedade Portuguesa de Autores (SPA). 

Dia do Autor Português (1982 – 2021)

No entanto, o dia 22 de maio não assinala apenas o aniversário desta sociedade; também é celebrado o “Dia do Autor Português”, criado em 1982, pelo maestro Nóbrega e Sousa, membro da direção da SPA. O seu propósito é homenagear os autores portugueses pertencentes ao setor da arte e da cultura, incluindo áreas desde a Literatura às artes plásticas. Nóbrega e Sousa, em 1982, decide assinalar a data com a leitura e divulgação da “Mensagem do Dia do Autor”, subscrita por personalidades da cultura portuguesa, e com a atribuição de prémios. 

O dia tem sido celebrado, ao longo dos anos, por várias instituições, para além da própria Sociedade dos Autores Portugueses, como escolas, bibliotecas e câmaras municipais de todo o país. No que diz respeito à SPA, este ano a celebração decorrerá no dia 25 de maio, com a entrega do prémio SPA | Mariano Gago a Manuel João Monte. O autor venceu a terceira edição do referido prémio com a obra “O bairro da tabela periódica”, sendo um livro de carácter científico que aborda os elementos químicos. 

Maestro Nóbrega e Sousa, fundador do Dia do Autor Português
Fonte: RTP

Autores Portugueses Contemporâneos

Para marcar o Dia do Autor Português este ano, pessoalmente decidi referir também alguns três portugueses contemporâneos que se destacam no âmbito da Literatura e três das suas obras.

Vítor Aguiar e Silva

Vítor Aguiar e Silva venceu a última edição do Prémio Camões. O autor, para além de escritor, é poeta, investigador e professor. Notabiliza-se pelo seu papel na política da língua portuguesa, sendo opositor ao acordo ortográfico, tendo coordenado inclusive a Comissão Nacional de Língua Portuguesa (CNALP) e foi membro do Conselho Nacional de Cultura. 

Entre as suas obras, destacam-se:

  • aTeoria da Literatura” (1967);
  • aCamões: Labirintos e Fascínios” (1994);
  • a “Jorge de Sena e Camões: Trinta Anos de Amor e Melancolia” (2009).

O autor também recebeu vários prémios e homenagens como:

  • o Grau de Grã-Cruz da Ordem da Instrução Pública (2004);
  • o Prémio Vida Literária da Associação Portuguesa de Escritores (2007);
  • o Doutoramento Honoris Causa pela Universidade dos Açores (2018).
Segundo Vítor Aguiar e Silva, “a ideia de que seria mais fácil acabar com o analfabetismo é uma ideia falsa”.
Fonte: Sábado

José Tolentino Mendonça

José Tolentino Mendonça é poeta, sacerdote, ensaísta, tradutor e professor. É também responsável pela Biblioteca Apostólica e pelo Arquivo Secreto do Vaticano e integrou uma delegação que representou Portugal, em 1999, na 9.ª Bienal Internacional do livro do Rio de Janeiro.

Das suas composições, são realçadas:

  • “Os Dias Contados” (1990);
  • “O Pequeno Caminho das Grandes Perguntas” (2017);
  • “Uma Beleza que nos Pertence” (2019).

O poeta também recebeu vários prémios, como:

  • o Prémio Cidade de Lisboa de Poesia (1998);
  • o Grande Prémio de Poesia Teixeira de Pascoaes APE (2016):
  • o Prémio Capri-San Michele (2017).
Para José Tolentino Mendonça, “a poesia é a arte de resistir ao seu tempo”.
Fonte: Comunidade Cultura e Arte

Maria Teresa Horta

Maria Teresa Horta é escritora e jornalista. É também conhecida pela sua posição feminista, demonstrada na sua luta, juntamente com Maria Isabel Barreno e Maria Velho da Costa, ao longo do processo judicial instaurado após a publicação da obra “Novas Cartas Portuguesas”. Por esta razão, representam a escrita feminina contemporânea.

Para além da obra referida, destacam-se também:

  • “Poesia Reunida” (2009);
  • “Anunciações” (2016);
  • “Eu sou a Minha Poesia” (2019).

A escritora também foi galardoada com prémios como:

  • os Prémio Máxima Vida Literária (2010 e 2012);
  • o Prémio Autores SPA / Melhor Livro de Poesia (2017).
  • o prémio Correntes d’Escritas (2021). 
Quando confortada com o que contrariaria estereótipo de feminista, Maria Teresa Horta respondeu que “as pessoas não entendem, não sabem o que é o feminismo”.
Fonte: DN

Embora sejam autores com muitas diferenças, tanto a nível profissional no que diz respeito às suas carreiras, como a nível literário no que corresponde aos temas que abordam, todos possuem algo em comum: notabilizam-se pelas suas posições e pelo seu papel ativo na sociedade, embora em aspetos também distintos. 

Existem muitos artistas cujas obras, infelizmente, apenas se tornam conhecidas após a sua morte. É fácil lembrarmo-nos de personalidades como Luís Vaz de Camões e Fernando Pessoa. Porque não dar um pouco mais a conhecer escritores atuais, vivos, que hoje são importantes?

Fonte da Imagem de Capa: Unsplash

Artigo revisto por Ana Rita Sebastião

Deixe uma resposta

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *