Cinema e Televisão

Marty Supreme: estrela do ping-pong VS egocêntrico

No passado dia 22 de janeiro de 2026 chegou aos cinemas de Portugal o filme Marty Supreme. Aquilo que, à partida, aparenta ser apenas mais um filme biográfico sobre um jogador de ping-pong vai-se transformando e revelando uma diferente faceta do que pode significar a chegada ao sucesso.

A narrativa começa com o que parece uma tentativa “mal feita” (entre muitas aspas), de esconder a arrogância que o nosso “querido” protagonista, na verdade, carrega. No entanto, após os primeiros minutos, percebemos que não será uma história simples. A tensão sente-se desde o início, assim como o grande ego, a perspicácia e o poder de manipulação que Marty Mauser demonstra ter, e  que percorrerão o resto do filme. 

Marty Supreme consegue integrar vários géneros num só: comédia, drama, e até ação. 

Tudo parece acontecer ao mesmo tempo e a todo o tempo, enquanto assistimos à tentativa de um verdadeiro charlatão chegar à grandeza de ser uma estrela do ping-pong. Em todos os momentos, somos rapidamente abordados por constantes situações de stress e confusão, que tornam a atmosfera do próprio cenário quase palpável, fazendo com que nós próprios queiramos fazer de tudo para ganhar.

O filme é a verdadeira representação de alguém imensamente obcecado com a sua carreira, tão obcecado ao ponto de fazer de tudo, mesmo que isso envolva certos crimes ou o abandono das pessoas que ama. Esta obsessão pelo sucesso acaba por transparecer o próprio ator que o representa, Timothée Chalamet, que nos últimos tempos tem vindo a mostrar cada vez mais aquilo de que é capaz; o esforço e empenho que coloca nos seus papeis e o amor e orgulho que tem pelo seu trabalho, que tal como Martin Mauser podem ser vistos com arrogância.

Fonte: Cinemundo

É impossível negar todo o processo árduo que foi necessário para esta grande produção, tanto por parte dos atores, que passaram anos a aprimorar as suas técnicas, até à fase de distribuição, com o marketing avassalador que foi feito na promoção do filme. Filme este que teve a sorte de ter sido nomeado para os Óscares, com uma das categorias a ser a de Melhor Ator Principal. Como se veio a saber no dia 15 de março de 2026, para tristeza de muitos e felicidade de outros, Timothée Chalamet não levou a vitória – o que, querendo ou não, não podia ter sido uma experiência  mais “à Marty Supreme” possível. 

O trabalho do realizador Josh Safdie, ao fazer com que, mesmo sem querer, apoiemos uma pessoa de mau caráter na sua jornada para o sucesso, foi desempenhado com toda a dedicação e inteligência. De tal modo que,  à medida que o final se aproximava, mais queríamos voltar a rever e sentir tudo de novo, mesmo que o sonho do protagonista e a forma como trabalha para o alcançar não façam jus aos nossos valores ou crenças. Esta é a verdadeira empatia humana que Marty Supreme inconscientemente representa.

Fonte: The Guardian

Fonte da capa: The Suffolk Journal

Artigo corrigido por: André Ventura

AUTORIA

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Para a Mariana, desde cedo que a escrita lhe toca de forma diferente. Por entre diários e mais diários e muitas vezes pelos textos da escola, sempre adorou passar as ideias e os pensamentos para o papel.
Além disso, é uma fanática pela sétima arte e os seus “segredos”, adora fazer mini (ou macro) críticas de filmes que vai vendo no Letterbox e tem o sonho de ir a todos os maiores festivais de cinema que puder.
Por enquanto, aproveita a ESCSMagazine para compartilhar a sua visão acerca das novidades e curiosidades que o Cinema e a Televisão têm para conhecer.