O Regresso da Melhor Alexia
Aos 32 anos, Alexia Putellas é a jogadora mais internacional pela Espanha e a figura central da história moderna do FC Barcelona.
Nascida na Catalunha e jogadora do clube desde 2012, a sua carreira parecia atingir o teto máximo em 2021/2022, quando conquistou consecutivamente a Bola de Ouro, o The Best da FIFA e o prémio de jogadora do ano da UEFA. No entanto, a trajetória de domínio absoluto sofreu uma paragem abrupta com a ruptura do ligamento cruzado anterior na véspera do Euro 2022. Embora tenha conseguido regressar no final da época 2022/23, participando em apenas seis jogos pelo Barcelona, esse regresso foi apenas o início de um processo de reintegração muito mais duro e ingrato do que o esperado.
A época 2023/2024 revelou-se um desafio de paciência. Com o trio de meio-campo do Barcelona consolidado e a equipa a praticar um futebol de alto nível, Alexia teve dificuldade em encontrar espaço para recuperar a titularidade. Este processo foi novamente interrompido em novembro de 2023, durante um jogo da Liga dos Campeões frente ao Benfica, onde uma nova lesão exigiu intervenção cirúrgica. Só voltou aos relvados em março de 2024 e, com a equipa em plena fase de sucesso, a capitã passou a ser utilizada maioritariamente vinda do banco ou em jogos de rotação. Mesmo neste contexto, deixou uma marca inapagável na final da Liga dos Campeões contra o Lyon; jogou apenas quatro minutos, mas marcou o golo que selou a vitória por 2-0 nos descontos, um momento guardado pelos adeptos como prova de que a qualidade não se tinha perdido.

Fonte: CNN
Na temporada 2024/25, Alexia apresentou-se em excelente forma física, mas continuou a enfrentar dificuldades táticas. Com o meio-campo ainda preenchido, foi frequentemente deslocada para posições que não eram as suas para conseguir minutos. Ainda assim, a sua resposta foi impressionante, superando os números que alcançou na época em que ganhou a sua primeira Bola de Ouro. Contudo, a glória coletiva e os prémios individuais voltaram a escapar: o Barcelona perdeu a final europeia em Lisboa, frente ao Arsenal, e a Espanha caiu nos penáltis frente à Inglaterra no Euro. Apesar de ter sido a jogadora com mais contribuições diretas para golo no Europeu (três golos e quatro assistências), Alexia viu a sua colega de clube e seleção, Aitana Bonmatí, ser eleita a melhor jogadora de ambos os torneios e, mais tarde, vencer a sua terceira Bola de Ouro consecutiva. O quarto lugar de Alexia nesse prémio foi por ela classificado como um motivo de orgulho, dada a dificuldade do caminho percorrido para voltar ao nível das melhores do mundo.
O momento de viragem ocorreu ainda na época passada, em janeiro de 2025, com a saída de Keira Walsh para o Chelsea. Walsh tinha sido contratada para ocupar o vazio deixado pela lesão de Alexia em 2022, e a sua presença no eixo da equipa tinha dificultado o regresso da capitã à sua posição natural. Com esta saída, Alexia recuperou finalmente o seu espaço, preparando o terreno para a explosão que se vê na presente temporada.
Esta época, depois das lesões prolongadas de Patri Guijarro e de Aitana Bonmatí (afastada até abril de 2026), Alexia assumiu-se como a peça fulcral e a “cola” indispensável do sistema Blaugrana. A capitã lidera a equipa com números avassaladores: 31 contribuições para golo, sendo 12 na Liga dos Campeões, além de ter sido eleita a melhor jogadora da Nations League ao serviço da seleção, o que a coloca novamente no primeiro lugar da corrida pela Bola de Ouro.

Fonte: Ara
Este sucesso individual é indissociável da aposta estrutural do Barcelona no futebol feminino. A ligação emocional de Alexia ao clube, onde é a melhor marcadora de sempre da equipa feminina e está apenas a três golos de ultrapassar César Rodríguez para ser a segunda maior goleadora de toda a história do FC Barcelona, reflete-se nas bancadas. Após quebrar recordes de assistência em 2023 contra o Real Madrid e o Wolfsburg, o novo Spotify Camp Nou, voltou a fazer história em 2026. Nos quartos-de-final da Liga dos Campeões frente ao Real Madrid, onde 60.067 pessoas assistiram ao jogo, estabelecendo, até à data, o recorde de assistência do novo recinto – superando inclusive os números da equipa masculina.
Neste momento, a temporada atinge o seu ponto de ebulição, com o Barcelona a disputar as meias-finais da Liga dos Campeões frente ao Bayern Munique. Após o 1-1 na Alemanha, na Allianz Arena, que também abriu portas para 31 mil pessoas, todas as decisões passam novamente pelo Camp Nou, onde se espera superar o recorde de assistência anterior. Este cenário de glória serve também de moldura para a grande incógnita que paira sobre os adeptos: o contrato da capitã termina no verão deste ano e a decisão sobre a sua continuidade será o marco que definirá a próxima era do clube.
Depois de anos marcados por recuperações longas, recaídas e uma luta constante para provar que ainda tinha lugar no meio-campo que ajudou a criar, Alexia Putellas parece estar mais próxima do que nunca de recuperar o trono mundial.

Fonte: FCB Femení
Fonte de Capa: ESPN
Artigo revisto por Beatriz Mendonça
AUTORIA
A Maria está no segundo ano de Jornalismo e sempre foi daquelas pessoas que não consegue dizer que não a um desporto novo. Já passou por quase todos, mas foi a ginástica que acabou por dominar a sua vida durante anos. Agora, longe das competições, encontrou na Magazine o espaço ideal para manter viva a ligação a um mundo que sempre a fascinou.

