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Cursos do futuro: o que atrai os jovens em 2026?

Num contexto em que o mercado de trabalho se transforma a um ritmo cada vez mais acelerado, escolher um curso superior deixou de ser apenas uma decisão baseada em gostos pessoais. Hoje, fatores como empregabilidade, médias de entrada e perspetivas de futuro têm um peso crescente nas escolhas dos estudantes. A Futurália 2026 voltou a refletir precisamente isso: uma geração mais informada, mas também mais estratégica nas suas decisões.

Ao longo do evento, foi possível identificar padrões claros nas preferências dos jovens. Entre os cursos mais procurados destacam-se Medicina, Psicologia, Engenharia de Gestão Industrial, Engenharia Mecânica e áreas ligadas à Gestão e Economia. Estas escolhas não são surpreendentes, uma vez que correspondem a setores tradicionalmente associados à estabilidade profissional e à valorização no mercado de trabalho.

No entanto, há mudanças interessantes a emergir. No caso da Escola Superior de Comunicação Social (ESCS), verificou-se um crescimento significativo no interesse pelo curso de Jornalismo, contrastando com anos anteriores, em que Publicidade e Marketing ou Relações Públicas e Comunicação Empresarial lideravam as preferências. Esta alteração pode refletir uma nova curiosidade dos jovens pela informação, pelos media e pelo papel do jornalismo num contexto marcado pela desinformação e pela crescente digitalização da comunicação.

Fonte: ESCS Magazine

Apesar desta diversidade de interesses, houve um comportamento transversal entre muitos estudantes, uma vez que a sua principal preocupação parecia centrar-se na média de entrada. Ao longo das conversas com representantes de instituições, tornou-se evidente que poucos jovens questionavam a estrutura dos cursos, as unidades curriculares ou as saídas profissionais. A informação mais detalhada era frequentemente apresentada de forma espontânea pelos próprios estudantes universitários presentes nos stands, o que levanta questões sobre o nível de profundidade com que estas decisões estão a ser ponderadas.

Por outro lado, alguns cursos registaram uma diminuição na procura em relação a anos anteriores. Áreas como Enfermagem, Educação e Informática parecem ter perdido algum protagonismo. Instituições como a Egas Moniz e a Universidade Católica confirmaram esta tendência, destacando uma transferência de interesse clara para Medicina, mesmo entre estudantes inicialmente inclinados para áreas da saúde. Ainda assim, é importante sublinhar que cursos como Enfermagem continuam a ter procura, embora menos expressiva do que no passado.

Paralelamente, existem cursos que, apesar de não estarem no topo das preferências, têm vindo a crescer de forma consistente. Comunicação Social, Arquitetura, Medicina Veterinária e Direito são exemplos de áreas que mantêm um interesse estável ou em ascensão. Na NOVA FCSH e na própria ESCS, este crescimento foi particularmente visível, demonstrando que há também espaço para escolhas menos óbvias, mas igualmente relevantes.

Fonte: ESCS

Estas tendências refletem um equilíbrio entre tradição e mudança. Por um lado, os jovens continuam a apostar em áreas consideradas seguras e prestigiadas; por outro, começam a surgir sinais de abertura a novas possibilidades, sobretudo em áreas ligadas à comunicação e à sociedade. Num mundo marcado pela inteligência artificial, pela transformação digital e por novas dinâmicas sociais, é provável que o conceito de “curso do futuro” continue a evoluir.

A Futurália, enquanto espaço de contacto direto entre estudantes e instituições, revela-se, assim, um espelho das ambições, dúvidas e prioridades desta geração. Mais do que indicar respostas definitivas, o evento mostra que o futuro académico dos jovens está a ser construído entre expectativas de estabilidade e a necessidade de adaptação a um mundo em constante mudança.

Fonte de Capa: Instituto Politécnico de Lisboa

Artigo revisto por Constança Paixão

AUTORIA

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Matilde é estudante do 3.º ano de Jornalismo e orgulhosamente Setubalense. Desde pequena, sempre adorou escrever e dar asas à criatividade (às vezes até demais, especialmente quando tinha de cumprir com um limite de palavras!). Apaixonada por viajar, tirar fotografias e ir às compras, já passou por quase todos os continentes. Criativa, dedicada e ambiciosa, dá sempre o seu melhor em tudo o que faz.