A decadência da seleção italiana: de campeã do mundo a ausência confirmada no Mundial
Durante muitos anos, falar de Itália, no Futebol, era falar de uma seleção temida, respeitada e quase sempre presente nos momentos decisivos. Quatro títulos mundiais, uma identidade forte e uma tradição de jogadores e treinadores de enorme qualidade faziam parte da imagem da Squadra Azzurra. Por isso, o contraste com o presente é duro: a campeã do mundo em 2006 entrou numa decadência lenta, mas profunda, que a afastou do lugar que, durante décadas, ocupou ao lado das maiores seleções da história.
O título conquistado na Alemanha parecia reforçar a ideia de continuidade. A Itália tinha acabado de voltar ao topo do mundo e muitos acreditavam que aquele sucesso serviria de base para mais alguns anos de estabilidade. No entanto, o que veio a seguir foi o oposto. Aos poucos, a seleção deixou de inspirar o mesmo respeito, perdeu regularidade e passou a viver mais de memórias do passado do que de conquistas recentes. Cada grande competição foi-se tornando uma nova oportunidade de recuperação, mas também um novo teste à sua fragilidade.
No Mundial de 2010, a Itália entrou no grupo F, juntamente com Paraguai, Nova Zelândia e Eslováquia. A estreia trouxe um empate com o Paraguai, depois veio outro empate frente à Nova Zelândia e, por fim, a derrota com a Eslováquia selou a eliminação ainda na fase de grupos. Foi um choque enorme para uma campeã em título, sobretudo porque a equipa não conseguiu vencer nenhum dos três jogos.
Quatro anos depois, no Mundial de 2014, a história repetiu-se. A Itália ficou num grupo com Uruguai, Costa Rica e Inglaterra. Começou bem, mas perdeu frente à Costa Rica e contra o Uruguai, o que acabaria por ditar a sua eliminação. Mais uma vez, a seleção caiu cedo demais, deixando a ideia de que já não tinha a força de outros tempos para aguentar a pressão de um Mundial.
O mundial de 2018 foi ainda mais doloroso: a Itália nem sequer chegou à fase final da competição. No play-off de apuramento, defrontou a Suécia e acabou eliminada por 1-0 no conjunto das duas mãos, depois de um empate sem golos em Milão e de uma derrota pela margem mínima em solo sueco. Pela primeira vez em 60 anos, a seleção italiana ficava fora de um Mundial.
Em 2022, parecia existir finalmente espaço para uma reação. A vitória no Euro 2021 tinha devolvido algum orgulho ao país e criado a esperança de que a seleção estivesse de novo no bom caminho. Esse Europeu trouxe também uma geração nova e promissora, com destaque para Federico Chiesa, além de nomes como Donnarumma, Barella e Locatelli. Parecia o início de um novo ciclo. No entanto, essa esperança durou pouco.
No play-off, a Itália perdeu com a Macedónia do Norte por 1-0. Foi um dos momentos mais dramáticos da sua história recente, porque aconteceu em casa e porque destruiu de imediato a ilusão de regresso ao Mundial. A derrota mostrou que o título europeu, por mais importante que tivesse sido, não tinha resolvido os problemas mais profundos da seleção.
A queda de 2026 acabou por confirmar tudo o que vinha sendo dito ao longo dos últimos anos. Desta vez, a Itália voltou a falhar a presença no Mundial após perder com a Bósnia e Herzegovina no play-off final, por 4-1, nos penáltis, depois de um empate no tempo regulamentar e no prolongamento. Foi a terceira ausência consecutiva num Campeonato do Mundo, algo impensável para uma seleção com tanta história.
Nos Europeus, o percurso também foi feito de altos muito altos e baixos. Em 2008, a Itália caiu nos quartos de final; em 2012, chegou à final, mas perdeu com a Espanha; em 2016, voltou a parar nos quartos; e em 2024 saiu nos oitavos de final. O grande momento de esperança surgiu em 2021, quando a seleção conquistou o Europeu e fez regressar a ideia de que a decadência podia estar a ser travada. Mas esse título, por mais simbólico que tenha sido, acabou por ter um efeito limitado.
É precisamente aí que muitos especialistas encontram a raiz do problema. Fala-se de uma formação que já não produz tantos jogadores de topo como antigamente, de uma menor aposta em jovens italianos e de uma Serie A que perdeu força competitiva face a outras ligas europeias. Fala-se também da falta de um projeto sólido e duradouro, capaz de renovar a seleção com consistência e não apenas de reagir aos fracassos depois de eles acontecerem. Em vez de uma reconstrução clara, a Itália tem vivido de soluções rápidas, mudanças de rumo e esperanças que raramente duram muito.
No fundo, a decadência da seleção italiana é a história de uma grande potência que passou demasiado tempo a olhar para trás. A memória do Mundial de 2006, e até do Euro 2021, continua viva, mas já não chega para esconder o presente. A Itália continua a ser um nome enorme do futebol, mas hoje é uma seleção mais marcada pela nostalgia do que pela certeza de voltar ao topo.
Fonte da Capa: Olympics
Artigo revisto por Mariana Ranha
AUTORIA
A Patrícia começou agora o segundo ano em Jornalismo, mas desde pequena sabia que queria escrever e informar. Sempre curiosa e atenta ao que a rodeia, encontrou na Magazine o espaço ideal para explorar temas variados e desafiar-se a contar histórias de forma criativa. Aceitou o desafio de assumir a editoria de Informação e está pronta para descobrir novas histórias e conhecer mais sobre o mundo.



