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Dignos de Cinema: A Arte dos Grandes Golpes

É praticamente impossível pensar nos grandes assaltos a museus sem evocar mentalmente a imagética dos grandes filmes e séries de Hollywood.

Os roubos, sobretudo de obras de arte, transformam-se em histórias para o grande ecrã, cheias de quadrilhas improváveis, líderes carismáticos, esquemas sofisticados e enredos dramáticos, mas qual será a realidade destes golpes? O que motivará os seus intervenientes?

O exemplo com grande cobertura mediática mais recente foi o assalto ao Louvre, em 2025. No dia 19 de outubro, em plena luz do dia, quatro suspeitos fizeram-se passar por trabalhadores, infiltrando-se no museu mais conhecido de França, e roubaram, em menos de oito minutos, um conjunto de jóias valiosas, incluindo safiras e diamantes, no valor estimado de aproximadamente 88 milhões de euros. Este caso foi muito ridicularizado pela aparente facilidade com a qual os assaltantes acederam às jóias, apontando para a falta de segurança do museu. As críticas chegaram ainda a subir de tom quando, após o golpe, se revelou que os softwares do Louvre estavam desatualizados e que a palavra-passe do sistema de videovigilância era “Louvre”.

Mas este não é um caso isolado. Os furtos podem ser um modo rápido de fazer muito dinheiro, um protesto com motivações sociais, morais ou políticas, uma demonstração da superioridade intelectual do assaltante, uma busca por estatuto ou reconhecimento ou, simplesmente, a vontade de gerar caos e desordem.

Obras icónicas, como “O Grito”, de Edvard Munch, já atraíram a atenção de vários ladrões, que encontram eles próprios o seu cunho artístico, fazendo do roubo de arte uma arte em si mesmo. No caso particular d`”O Grito”, o quadro foi subtraído da Galeria Nacional de Oslo e o assaltante deixou para trás um bilhete a dizer “obrigado pela falta de segurança”.

Fonte: Pixabay

A vertente criminosa do furto de obras de arte até na máfia italiana se proliferou. Em 1969, o clã Badalamenti roubou a obra “Natividade”, de Caravaggio, cortando-a em partes e vendendo-as no mercado negro.

Um dos maiores assaltos da História, com direito a proporções hollywoodescas, teve lugar em Boston, quando 13 obras de arte da autoria de artistas como Vermeer, Rembrandt, Monet e Degas foram levadas do museu Isabella Stewart Gardner, em apenas 81 minutos, custando ao museu o equivalente a 500 milhões de dólares. Os assaltantes vestiram-se de polícias e usaram bigodes falsos para o golpe, que acabou mesmo por inspirar uma série da Netflix.

Outro golpe digno das plataformas de streaming aconteceu, não num museu ou galeria, mas sim num aeroporto. Em Schipol, Amsterdão, em 2005, um grupo mascarado de trabalhadores do aeroporto roubou um veículo de carga cheio de pedras preciosas, no valor de 62 milhões de euros. 

O caso mais célebre já conta com mais do que um século e continua a intrigar os estudiosos. Aconteceu precisamente no Louvre, em 1911. Foi o roubo da Mona Lisa.

O quadro, que até então não tinha o prestígio ou a fama que hoje lhe atribuímos, foi retirado do museu por um ex-funcionário chamado Vincenzo Peruggia, que alegou ser um patriota cujo desejo era restituir a pintura de Da Vinci à sua terra-mãe. Quer por patriotismo, quer pela procura de lucro, a verdade é que o furto da “Gioconda” fez do quadro o mais reconhecido até aos dias de hoje. O seu desaparecimento deu origem a um frenesi sem precedentes. 60 detetives foram convocados para procurar a obra de arte e o seu ladrão. As pessoas passaram a deslocar-se ao Louvre para visitar o espaço em branco previamente ocupado pela Mona Lisa e o quadro rapidamente se tornou um símbolo, uma das imagens mais populares no meio artístico e muito para lá do mesmo.

Fonte: Pixabay

Apesar da espetacularidade e do dramatismo destes assaltos, os estudiosos de Cambridge revelam que as obras de arte, no mercado negro, acabam por ser vendidas, em média, por 7% a 10% do seu valor no mercado aberto.

Num mundo com esquadrões criminosos, disfarces e métodos insólitos, é natural que haja também detetives sagazes como Arthur Brand, que se tem dedicado a encontrar obras de arte roubadas.

Este “Indiana Jones do mundo da Arte” tem no currículo o facto de ter encontrado “Buste de Femme” mais conhecido como o Retrato de Dora Maar, um famoso quadro de Picasso que fora roubado 20 anos antes, entre outras peças valiosas e relevantes, entre as quais se destaca ainda “O Jardim do Presbitério Nuenen na Primavera” de Vincent Van Gogh.

Arthur Brand esteve ainda envolvido na descoberta das estátuas de bronze dos Cavalos de Hitler, peças muito importantes do espólio artístico oriundo da Alemanha Nazi.

O mundo artístico está cheio de desaparecimentos, roubos caricatos e planos elaborados para fazer escorrer o conteúdo de alguns dos maiores museus do mundo para o mercado negro. Apesar de, em última análise, ser um negócio pouco lucrativo, os grandes assaltos são ainda terreno fértil para argumentistas por todo o mundo. 

Fonte da capa: Pixabay

Artigo revisto por Mariana Ranha

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O André é um orgulhoso buraquense, movido a café. Começou este ano a licenciatura de jornalismo na ESCS e o seu percurso na Magazine. Adora sol, mar, churrasco, convívio, rock, humor e livros. Preza, sobretudo, o amor pela escrita e a vontade de marcar a diferença um dia, contribuindo um bocadinho para um mundo melhor.
Na ESCS Magazine vê uma oportunidade de aprender e arriscar.