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Mulheres iranianas vão poder assistir a alguns desportos masculinos

O Irão decidiu atenuar a lei que proibia as mulheres de assistir a eventos desportivos masculinos. A agência estatal IRNA divulgou este sábado uma pequena nota que revela que o vice-ministro dos Desportos, Abdolhamid Ahmadi, confirmou a apresentação de um “regulamento abrangente para a presença de famílias iranianas e mulheres em estádios desportivos” junto do Conselho de Segurança Nacional no último mês.

A lei será posta em prática durante o actual ano iraniano que se iniciou a 21 de março. Contudo, esta lei não abrangerá todos os géneros de eventos. “Como é óbvio, [há] algumas áreas do desporto [nas quais] as famílias não estão interessadas a assistir nem há a possibilidade de que o possam fazer”, disse Ahmadi à Reuters, sem especificar que eventos estão excluídos. Ainda assim, a notícia é vista como uma abertura do regime de Teerão.

De acordo com a lei islâmica no Irão, as mulheres estão proibidas de assistir a eventos desportivos protagonizados por homens. O regime considera que as mulheres devem ser protegidas do comportamento indecoroso do público masculino ligado ao desporto. Uma alteração a esta norma, em Janeiro, permitiu que as mulheres estrangeiras não fossem abrangidas pela proibição.

Esta lei recebeu maior atenção do público depois do caso de Ghoncheh Ghavami. Esta jovem iraniano-britânica, de 25 anos, foi condenada a um ano de prisão após assistir a um jogo de voleibol masculino em Teerão.

Diversas organizações que defendem os direitos humanos lutaram pela sua libertação e o Governo Britânico intercedeu junto de Teerão. Nesta altura, as autoridades acusaram a jovem de “propaganda contra o regime”. Ao fim de quase cinco meses de prisão foi libertada devido ao pagamento de uma fiança, e, na semana passada, o Tribunal de Recurso concedeu-lhe uma amnistia.

A presença de mulheres nos jogos de voleibol masculino está interditada desde 2012, assim como em vários outros desportos.A FIFA tem pressionado o governo iraniano para alterar esta norma: “Levantei este tópico na minha reunião com o Presidente do Irão, Hassan Rouhani, e vim com a impressão de que esta situação intolerável poderia mudar nos próximos tempos. No entanto, nada aconteceu”, escreveu Blatter na revista semanal da FIFA, no início de março.

 

 

 

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