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A praxe dá que falar… e que ler!

A curta-metragem praxis, apresentada no DocLisboa em 2011 e vencedora do prémio melhor curta portuguesa, vai dar origem a um livro, o primeiro da coleção “Cadernos Desobedientes”.

É um livro de bolso; na verdade é um pequeno manual que expõe a história da praxe e enumera alguns argumentos “famosos” que se enunciam quando se aborda este tema, nomeadamente “à praxe só vai quem quer” ou “a praxe é um ensinamento para a vida”.

Bruno Cabral, o realizador da curta-metragem, junta-se ao sociólogo João Mineiro e lança o manual “Desobedecer à Praxe”, um livro que aborda vários casos de praxes polémicas entre 2009 e 2014, praxes essas que têm processos em tribunal, foram violentas, provocaram ferimentos e até mortes. Dirigindo o livro aos estudantes, os autores recorrem à faculdade do Minho como exemplo (do que não é exemplo) no que concerne à questão de integração. Pode ler-se num exemplo que os estudantes que não vão à praxe são excluídos de todas as festas académicas, ou seja, não são obrigados a ir à praxe, mas se não forem não serão acolhidos na comunidade académica. Com este exemplo, os autores pretendem expor que não há alternativa de atividades de integração para muitos dos alunos que acabam de chegar do secundário.

E as praxes abusivas?
Recorrem à situação francesa para lançar o debate: em 1998 a praxe foi colocada na lei, ou seja, passou a ser possível acusar praxistas de agressão podendo estes ser presos até seis meses e ter de pagar cerca de 7500 euros. Esta lei continua em vigor em França e mesmo em 2014 registaram-se varias condenações.

Em Portugal apenas existe um site, criado pelo Ministério da Educação, o praxesabusivas@mec.gov.pt, que permite aos estudantes exporem as suas queixas contra as atividades que consideram abusivas. As reclamações que se enquadrem dentro dos parâmetros de “praxes abusivas” são encaminhadas para as instituições respetivas e resolvidas como essas assim entenderem.

Querem os autores do Desobedecer à Praxe criminalizar a praxe?

O objetivo não é exatamente esse; Bruno Cabral afirma não pretender que a consequência primeira seja a criminalização destas atividades, mas sim o debate acerca das mesmas. Os autores apontam para a falta de estudo sobre o fenómeno em Portugal e essa é uma das recomendações do livro— o Ministério da Educação deveria financiar um estudo para se entender melhor a praxe e os problemas que esta tem colocado. Outra recomendação do livro é o desaconselhamento das atividades de praxe por parte das reitorias e órgãos diretivos.

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