Coco Chanel e o nascimento da elegância moderna
Poucos nomes na História da moda evocam tanto mistério e elegância como o de Gabrielle “Coco” Chanel. Mais do que uma criadora, Chanel foi uma força cultural que redefiniu a mulher moderna, libertando-a do espartilho e das convenções.
“A moda não é algo que existe apenas na roupa. A moda está no céu, na rua, está nas ideias, na forma como vivemos, no que está a acontecer.”
Fonte: Colagem feita pela redatora
Nascida em 1883, começou a trabalhar como modista de chapéus em 1910, tendo aberto nesse mesmo ano a sua primeira loja – a base do seu legado – que atraía toda a cidade de Paris. Dois anos mais tarde, o seu instinto pressentiu o boom das estâncias balneares e abriu uma segunda loja em Deauville.
Gabrielle Chanel viveu a vida como quis. As provações de uma jovem órfã e os sucessos de uma mulher de negócios bem-sucedida transformaram-na numa mulher com um carácter extraordinário, audaz, livre e à frente do seu tempo.
Fonte: Collection Deauvilloise
Foi em Biarritz, outra cidade que, na época, também estaria em voga, que abriu a sua Maison de Couture, em 1915, onde vendia roupas feitas em jersey. Gabrielle Chanel instalou-se no N.º 31 Rue Cambon, em 1918 – apartamento que, em junho de 2013, juntamente com a escadaria de espelhos, o Ministério da Cultura francês classificou como monumento histórico, reconhecendo-lhes importância nacional.
Fonte: Biblioteca nacional de França / Frères Séeberger
Em 1921, lançou o N.º5, o primeiro perfume de uma criadora de moda, que abalou os códigos de perfumaria da época com as suas notas e o seu frasco refinado.
Fonte: Litografia Sem/ CHANEL
O seu estilo minimalista, prático e livre contrastava com o luxo exuberante da época. Chanel era o seu próprio modelo: confiante na postura e refinada na simplicidade. Criou uma imagem de mulher independente e moderna e tornou-se o espelho do ideal que vendia.
Durante a década de 1920, revolucionou a moda com a “Petite robe noire”: um clássico intemporal, o verdadeiro ícone do “chic” à francesa. A revista Vogue descreveu-a, em 1926, como “o Ford de Chanel, o vestido que todas querem ter”. Tal como o popular automóvel, o vestido simbolizava acessibilidade, modernidade e funcionalidade. Feito de crepe preto, com cintura descaída e franja de pérolas, transformou o preto, antes símbolo de luto, num emblema de sofisticação. A “Petite robe noire” tornou-se indispensável para a “hora do cocktail”, entre as 18h e as 20h, horário em que se reunia um círculo íntimo e onde brilhavam as flappers e as garçonnes – mulheres emancipadas para quem a vida era uma sucessão de prazeres.
Coco criou a coleção de jóias “Bijoux de Diamants”, em 1932, que escandalizou o mundo da joalharia, mostrando mais uma vez como as suas criações tornavam démodé tudo o que havia sido feito anteriormente. Sendo uma mulher de negócios extraordinária, a primeira a construir uma empresa independente e internacional, a estilista começou a posar para publicitar a sua marca.
Fonte: Boris Lipnitzki / Roger-Viollet
Após fechar a sua Maison, em 1939, Chanel voltou ao trabalho em 1954, aos 71 anos, desafiando o domínio masculino de designers como Dior. Propôs o tailleur Chanel, de corte reto e conforto refinado, símbolo da mulher ativa do pós-guerra. Como disse Karl Lagerfeld, “o génio de Chanel foi fazer a coisa certa no momento certo”.
Depois da sua morte, em 1971, o estilo Chanel parecia estar congelado até que Lagerfeld, nomeado diretor artístico da CHANEL, o reinventou, em 1983, misturando clássico e irreverente: correntes douradas, ganga, cabedal e o famoso duplo “C”. Deu nova vida às coleções Croisière, introduziu os Métiers d’art e as pré-coleções, devolveu a marca à Alta-Costura e criou o Prêt-à-Porter, tal como o conhecemos hoje.
Fonte: AFP
Mais do que criar roupas, Coco Chanel criou uma atitude. As pérolas e diamantes usados casualmente, assim como os seus perfumes icónicos, tornaram-se elementos de um estilo emblemático – uma forma de emancipação que continua a inspirar mulheres a vestir, a pensar e a viver com liberdade.
Fonte da Capa: Pinterest
Revisto por Inga Carvalho
AUTORIA
Vive num mundo onde mil e uma curiosidades vagueiam nos seus pensamentos, Ambre, aluna do 2.° ano da licenciatura em Jornalismo, sonha em, talvez um dia, poder conciliar todos os seus desejos… Animais, ciência, moda e cultura são algumas das milhentas paixões que tecem a tão confusa teia que é a sua mente. Por enquanto (e como sempre fez), refugia-se na escrita, um sítio em que pode expressar cada milímetro que percorre o seu espírito. Para explorar o tão vasto universo da escrita, Ambre aventura-se no desafio de ser Editora de Ciências, na ESCS Magazine - a melhor revista de Benfica.







