Conferência de imprensa: DocLisboa
No dia 21 de setembro de 2026, a ESCS Magazine foi convidada a participar na conferência de imprensa do DocLisboa, onde ficou a conhecer melhor a programação destinada ao evento para este ano, que decorreu entre os dias 15 e 25 de outubro no Cinema São Jorge.
A conferência realizou-se no Culturgest e foi mediada pelo presidente da direção do mesmo, Mark Deputter. A direção e equipa artística do DocLisboa, composta por Boris Nelepo, Hélder Beja e Cíntia Gil, também auxiliou na sua concretização e foi acompanhada pela co-chefe de programação do evento, Cecilia Barrionuevo, pela chefe de divisão de Acção Cultural da Câmara de Lisboa, Laurentina Pereira e, também pelo programador da Cinemateca Portuguesa, Luís Mendonça.
O DocLisboa conta, até ao presente, com cerca de duas décadas e meia de edições realizadas, sendo esta a vigésima quarta, e tem vindo a crescer nos últimos anos enquanto festival, tendo a cada ano que passa uma maior aderência por parte do público. Como todos os anos, o festival teve um filme de abertura e outro de encerramento, que serviram de destaque para o que se poderá esperar e para o que se poderá “ficar a querer”. Neste ano, os filmes foram, respetivamente, Guerrilha no Asfalto, de Edgar Pêra, que consistiu na abertura de questões por responder sobre a história de Portugal, e Thanks for Coming, de Alain Cavalier, que revisita muitas imagens de arquivo, da passagem do tempo, a sua vida, gatos e os amigos. Foram duas vertentes distintas mas que resumiram todo o evento.
Fonte: ESCS Magazine
As secções principais
Houve 5 secções principais de mostras de filmes documentais portugueses e internacionais, cada uma delas focando-se numa certa temática. A primeira a ser apresentada foi a Retrospectiva Lino Brocka – Matem o Artista Nacional, criada em parceria com a Cinemateca Portuguesa, e segundo Luís Mendonça será uma mostra de filmes que junta o cinema popular com o cinema de autor limitado. Alguns deles estarão no seu formato original, tornando-se numa experiência única que contribuirá para dar a conhecer um dos realizadores mais marcantes do cinema filipino. A secção Riscos – New Visions dedica-se a propor um cinema que acontece como espaço de resistência. Tal como disse Cíntia Gil, é um conjunto que faz com que se olhe para as imagens como hipóteses e não como pensamentos. Nesta secção, houve uma revelação do cinema filipino através dos três filmes de John Torres que estiveram presentes. Em destaque, estiveram também as curtas de Sophie Roger, que partem de um cinema mais íntimo, remetendo novamente para o cinema enquanto hipótese e permanentes tentativas. Da Terra à Lua é uma secção composta por 42 filmes e que, por sua vez, se dedica a “ajudar” na compreensão e na tomada de uma visão ampla, face ao que tem vindo a acontecer no mundo. Alguns dos filmes em destaque desta divisão são The Land that Wouldn’t Die, de Alea Jacarandas, e O Nosso Último Filme sobre Lisboa, do coletivo Left Hand Rotation, que “revisita” o passado histórico de Portugal e imagina o que terá restado das memórias e das lutas partilhadas no ano do terramoto. A secção HeartBeat será dedicada ao apelo para a celebração da arte e de como ela é capaz de nos afetar, através de diferentes tipos e nas nossas diferentes fases da vida. Será o “encontro entre cinema e expressões artísticas”, principalmente em convergência com a música. Esta secção terá em destaque filmes como Kate Bush-The Timeless Genius, da realizadora Sonia Gonzalez. O filme revisita o talento da cantora, outrora desconhecida, “investigando” o ápice nos seus 63 anos de vida que a tornou num “génio intemporal”. Neste Quarto, de Ana Rocha Sousa, que leva a emblemática Carminho até ao Japão para, em conjunto com a sua música e poesia, relembrar a necessidade urgente de fazer com que as pessoas se entendam umas com as outras .
Fonte: DocLisboa
Outros Programas e atividades
Obviamente que o festival não é feito sem a presença das competições nacionais e internacionais, por isso este ano não foi diferente. Na competição internacional estarão presentes 11 filmes, dos quais um é português, chamado 13 Alfinetes, realizado por João Pedro Rodrigues e João Rui Guerra da Mata, que conta uma história de amor, vingança e sangue que ocorreu na Lisboa medieval. A competição nacional contará também com 11 filmes, com destaque para Sopa de Cavalo Cansado, de Maria Novo, A voz de todos – Jornal do Fundão, de Manuel Mozos e A casa é a ruína de uma casa, de Inês Sapeta Dias, sendo muitos dos restantes filmes em parceria com diversos outros países. Por fim, a competição Verdes Anos tem como propósito o apoio aos novos cineastas portugueses e à estreia desses mesmos filmes em competição, uma mais valia para quem quer começar a marcar o seu lugar no mundo do cinema.
Este ano a mostra de cinema documental contou com a Grécia como país convidado, que esteve principalmente envolvida no programa Constelações/Nebulae-espaço de indústria, uma área de apoio a novos filmmakers com projetos em desenvolvimento. É uma mais valia, permitindo esse contacto extra e a abertura de horizontes em relação ao país. Para além disso, houve uma mostra de produções portuguesas, um seminário de realização com convidados internacionais e ainda o “Laboratório Arché”, que, em conjunto, permitiu a partilha e o ganho de conhecimentos necessários na execução de uma produção cinematográfica, ajudando projetos que já estejam em fase de cortes. O ABCDoc também continuou na edição deste ano, visto que tem tido uma relevante importância no que toca à formação de novos públicos. As Festas DOC BEAT, tradição que decorre há cerca de 3 anos, aconteceram novamente este ano, começando pela festa de antecipação, no dia 25 de setembro, e continuando de 15 a 24 de outubro.
Fonte: DocLisboa
O DocLisboa 2026 chegou, assim, em força como nos anos anteriores e teve muito para ver, ouvir, experienciar e conhecer. O festival continua a inovar graças à contínua aposta na parceria com diversos países, promovendo não só o cinema “nicho” de grandes nações, que acabam por ser abafadas pelas grandes indústrias, como também o próprio cinema português e a cultura portuguesa.
Fonte da Capa: DocLisboa
Artigo Corrigido por: André Nunes
AUTORIA
Para a Mariana, desde cedo que a escrita lhe toca de forma diferente. Por entre diários e mais diários e muitas vezes pelos textos da escola, sempre adorou passar as ideias e os pensamentos para o papel.
Além disso, é uma fanática pela sétima arte e os seus “segredos”, adora fazer mini (ou macro) críticas de filmes que vai vendo no Letterbox e tem o sonho de ir a todos os maiores festivais de cinema que puder.
Por enquanto, aproveita a ESCSMagazine para compartilhar a sua visão acerca das novidades e curiosidades que o Cinema e a Televisão têm para conhecer.




