A evolução do jornalismo na era digital através da narrativa de “Diabo Veste Prada”
Todos conhecemos o fenómeno intemporal que foi, e ainda é, O Diabo Veste Prada. Desde moda, luxo, jornalismo e tudo aquilo que faz parte do mundo da comunicação, a história de Andy Sachs e de Miranda Priestly continua como uma grande inspiração para milhares de jovens neste ramo.
Tal como Andy, o sonho de muitos aspirantes a jornalista é contar histórias, viajar pelo mundo e relatar os acontecimentos, desde os mais belos aos mais violentos. Talvez de maneira egoísta, mas todos têm aquele sentimento de gratidão por partilharem com o público histórias às quais não teria acesso de outra forma.
Fonte: Steal The Look
O foco inicial desta personagem não era estar em contacto com o prestígio, mas sim com a verdade do mundo. Não estava concentrada em estar numa posição onde seria louvada por trabalhar com os maiores, mas sim por passar para o leitor histórias com significado.
Como todos sabemos, esta protagonista muito invejada pelo seu público acaba por trabalhar numa das revistas com mais renome no mundo da moda, a Runway. Traça um caminho muito importante dentro da revista, o que a leva à conquista do seu sonho de escrever histórias com significado, fora do leque cultural.
A evolução do jornalismo é algo que está muito presente nestes filmes, e a clara mudança no mundo dos media reflete-se por completo nesta história. A sequela inicia-se a partir de um ponto de ebulição, tanto na Runway como na vida de Andy. Enquanto que a Runway está a ser alvo de críticas por influencers nas redes sociais e cortes de orçamento, Andy acaba de perder o seu emprego por causa da realidade económica e digital do jornalismo moderno, nomeadamente a falta de adesão aos artigos online e também devido a cortes de orçamento.
Esta perda de Andy é um reflexo de como o mundo do jornalismo está hoje em dia. Mesmo com todo o prestígio que o seu trabalho estava a ganhar, sendo premiada pelos seus textos, foi alvo de cortes e acabou por ser despedida em conjunto com os seus colegas: um sinal de completa ignorância perante o seu sucesso. Não importa quanto sucesso tenhamos. Se algo não for valorizado o suficiente pelos mercados, pelos leitores e não contribua, de forma suficiente, para o capital, vai acabar por ser extinguido de uma forma ou outra.
Fonte: Máxima
E isto faz com que nós, espectadores, entendamos que apesar do sucesso que o primeiro filme teve, a sua sequela vai muito além do glamour da cena da moda. Tem uma visão muito mais abrangente da realidade do que é a comunicação nos dias de hoje, onde a valorização não corresponde ao sucesso e onde o sucesso nem sempre é suficiente para sustentar os meios de comunicação.
Isto porque O Diabo Veste Prada, lançado em 2006, surgiu numa era dominada pelos formatos tradicionais dos media: as revistas dominavam o mundo e detinham imenso poder. Já em O Diabo Veste Prada 2 denota-se um claro declínio desta indústria, que é a grande mudança que as personagens tentam navegar.
Fonte: Disney+
Este declínio dá-se devido à grande evolução tecnológica que se deu após os anos 2000 e à digitalização do conteúdo, não apenas relativo às redes sociais mas também relacionado aos media, que param de ser puramente analógicos para ser digitais: como a população já não procura formas físicas de consumo, não sente a necessidade de estar em contacto físico com as novas informações.
E esta mudança está denotada no segundo filme, pelo facto de todos os problemas surgirem devido à falta de envolvimento e interesse perante a revista, na sua versão física e na sua versão digital. Para além de demonstrar o declínio da indústria da produção de mídia física, também demonstra o declínio do interesse do público pelo jornalismo e meios de comunicação que não sejam em formatos mais “fáceis” de consumir.
Conclui-se assim que a narrativa desta duologia é um exemplo perfeito da representação das mudanças no mundo da comunicação, em particular das mudanças no jornalismo e nos meios de transmissão dos media. É também uma boa representação dos esforços que temos de fazer para manter viva uma forma de comunicação que, independentemente da sua vertente, é essencial e necessária.
Fonte da Capa:
Artigo Corrigido por: Carlota Lourinho
AUTORIA
A Matilde, de 19 anos, sempre teve uma curiosidade imensa e uma vontade de saber um pouco acerca de tudo. Desde a teoria da relatividade de Einstein aos livros da Sally Rooney. Encontrou na Escs Magazine uma oportunidade para explorar, através da escrita, um novo interesse na astronomia e outras ciências, em conjunto com um dos seus tópicos de conversa favoritos: a literatura.
Passa uma grande parte do seu tempo no Booktube, onde descobre as novidades e alguns dos grandes clássicos que, infelizmente, ainda tem por ler.




