Literatura

Desenhador de Palavras: John Steinbeck

“Um escritor deve acreditar que aquilo que está a fazer é o mais importante do mundo. E deve apegar-se a esta ilusão, ainda que saiba que não é verdade.”

Desenhador de Palavras - John Steinbeck - Joana Santos

Quem o diz é John Steinback, um dos muitos escritores que deixaram a sua marca neste mundo através das palavras.

Nasceu em 1902, em Salinas, no estado norte-americano da Califórnia e viveu toda a sua vida apaixonado pelos livros. Ainda muito novo, por influência dos pais, lia Dostoiévski, Flaubert e George Eliot. Conciliava as leituras com a vida no campo: gostava de observar os trabalhadores do Vale de Salinas, um lugar fértil ideal para a agricultura, a apenas 20 quilómetros do oceano Pacífico.

Viver perto dos livros e do campo fez com que se sentisse indeciso na hora de escolher o curso pelo qual queria enveredar, por isso, optou por frequentar as aulas de Biologia Marinha, sem nunca perder de vista as aulas de Inglês e Literatura, na Universidade de Stanford. Foi em Stanford que começou a publicar os seus textos — contos e poemas — em revistas universitárias. Porém, não se sentindo feliz com a vida académica, deixou os estudos antes sequer de ter conseguido obter o diploma.

Rumou a Nova Iorque. Lá percorreu a cidade em busca de um editor para os livros que tinha escrito desde tenra idade. Neste período inicial, em que foi escritor freelance, acumulou diversos trabalhos: foi técnico de laboratório, pedreiro na construção de Madison Square Garden e repórter diário de um periódico nova-iorquino, o The American. Depressa percebeu que estes trabalhos serviam para acumular vivências, experiências e tornar a sua escrita mais rica. Assim, continuou a querer procurar trabalhos fora da área da escrita. Foi aprendiz de pintor, jornaleiro, caseiro e vigilante. Enquanto trabalhava numa propriedade em High Sierra, um lugar isolado do resto do mundo, escreveu aquele que seria o seu primeiro grande trabalho publicado: Cup of Gold, em 1929. Seguiu-se The Pastures of Heaven e, mais tarde, To a God Unknown. Mas os seus livros passavam despercebidos. Só com o lançamento de Tortilla Flat, um retrato dos trabalhadores mexicanos nos Estados Unidos da América, é que conseguiu receber a atenção do público, atenção essa que atingiu o seu auge com o livro As Vinhas da Ira, um livro que mais tarde se converteu num filme. Este livro, em inglês The Grapes of Wrath, deu-lhe a oportunidade de ser ainda galardoado com o Prémio Pulitzer e também com National Book Award, em 1939.

O escritor de Salinas mostrou ser um homem incansável, sempre pronto a experimentar novas formas de viver a sua vida, obtendo assim conhecimento para tornar mais reais as suas histórias. No fundo, John Steinback pretendeu falar sobre os trabalhadores da classe baixa, que, vivendo uma vida miserável, ocupavam o limbo do sistema económico. Em comum, todas as personagens dos seus contos eram seres solitários que lutavam pela sua dignidade com vontade de fugir à crueldade e à injustiça de que eram alvo.

John Steinback queria ser a voz daqueles com quem partilhava a vida neste mundo. Era um ser preocupado com a injustiça social e encontrou na escrita o meio para denunciar aquilo que via com os seus olhos. Essa vontade ser a voz daqueles que muitas vezes não se podiam manifestar contra a falta de dignidade com que eram obrigados a viver fez com que fosse reconhecido, poucos anos antes da sua morte, com o Prémio Nobel da Literatura, em 1962.

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