Literatura, Magazine Talks

Entrevista a Patrícia Rodrigues – Dia Mundial do Livro e dos Direitos de Autor

No Dia Mundial do Livro e dos Direitos de Autor, a ESCS Magazine recebeu Patrícia Rodrigues para uma Talk sobre escrita, criatividade e publicação no Foyer -1 da Escola Superior de Comunicação Social. A conversa foi conduzida por mim, Maria Rita Silva, e pela minha colega Sofia Silva, num ambiente descontraído, onde a autora falou sobre o seu percurso pessoal e literário.

Patrícia Rodrigues é a autora de Maria do Mar, publicado em 2022 pela Sana Editora, e de Casa de Fósforos, lançado de forma independente em setembro de 2025. Tem 25 anos, é natural de Almada e trabalha atualmente como gestora de projetos de tecnologia num banco. Sendo uma área diferente daquela que explora na escrita, explicou que sempre encontrou na escrita uma forma de equilíbrio no meio do quotidiano mais técnico e exigente:

O meu dia a dia é muito lógico, muito técnico (…) e eu acabo por ser uma alma muito criativa e livre.

Fonte: Patrícia Rodrigues

Começou a escrever de forma espontânea. Contou-nos que primeiro surgiram pequenos textos que escrevia em guardanapos ou no bloco de notas do telemóvel, e que mais tarde criou o projeto Panos Quentes no Instagram (@panosquentes__), onde começou a partilhar estes textos: os Panos Quentes surgem desta necessidade de partilhar com o mundo aquilo que vou deixando em guardanapos perdidos. Patrícia revelou durante a conversa que percebeu que queria escrever quando começou a sentir a necessidade de registar tudo aquilo que observava no dia a dia: Percebi que queria ser escritora no momento em que entendi que tudo, a qualquer instante, no meu dia a dia, gerava frases infinitas no meu bloco de notas do telemóvel. Acrescentou ainda que não conseguia concentrar-[se] só nas coisas mundanas e naquilo que toda a gente vê.

Maria do Mar foi o primeiro livro de Patrícia Rodrigues e nasceu durante o confinamento, escrito em apenas três meses. A história acompanha o crescimento emocional da personagem principal e aborda o amor de diferentes formas. Apesar de ser uma obra de ficção, a autora admitiu que existe sempre muito dela própria naquilo que escreve: Desengane-se quem achar que quem cria arte não tem lá o seu cunho”

Fonte: Número F

O seu mais recente livro, Casa de Fósforos, surgiu de um momento muito mais pessoal: o livro foi inspirado pela perda da mãe aos 16 anos. Ainda assim, a autora fez questão de sublinhar que este não é apenas um livro sobre perda, mas sobretudo sobre amor, memória e família. Este é um livro sobre a combustão do amor, aquele que aquece, queima e, mesmo depois de apagar, continua a iluminar, afirmou ao apresentar a obra. Durante a conversa, falou abertamente sobre revisitar memórias ao longo da escrita e de como foi um processo emocionalmente exigente, descrevendo-o como uma catarse muito grande.

Maria Rita Silva (2.º ano de JORN) e Sofia Silva (2.º ano PM) | Fonte: Número F

Um dos pontos centrais desta Talk da Magazine foi perceber a diferença entre publicar um livro com uma editora ou optar pela autopublicação. Patrícia foi a pessoa indicada para nos dar uma visão sobre este assunto, uma vez que tem experiência nas duas opções. Depois de o primeiro livro ter sido publicado numa editora (a Sana Editora), Patrícia Rodrigues decidiu lançar o segundo livro de forma independente para ter mais liberdade criativa.

Explicou que todo o processo foi pensado ao detalhe: cada vírgula, cada ponto, a cor das páginas, o tipo de texto, tudo foi escolhido por mim

Publicar um livro de forma independente é um processo desafiante: Patrícia falou da pressão emocional e das inseguranças que surgem quando tudo depende apenas do autor: o teu impostor aparece com mais força porque és só tu a trabalhar para ti própria.

No entanto, Patrícia admitiu que há muitas mais vantagens e que esta opção lhe permitiu criar uma obra mais fiel àquilo que imaginava e mais próxima da sua identidade enquanto escritora. Realçou ainda que apesar de ser preciso um investimento financeiro, este é menor na autopublicação. Ao responder sobre qual dos caminhos recomenda a novos autores, acabou por transmitir a ideia de que não existe uma resposta certa, porque depende muito dos objetivos e da liberdade criativa que cada pessoa procura.

Mais do que uma conversa sobre livros, esta Talk da ESCS Magazine acabou por ser também sobre identidade, memória e liberdade criativa. Foi uma oportunidade para conhecer melhor o percurso de uma autora jovem que está a construir o seu espaço na literatura portuguesa de forma muito pessoal e autêntica.

Fonte da Capa: Número F

Artigo revisto por Miguel Calixto

AUTORIA

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A Maria Rita tem 18 anos e vem do Bombarral, terra que quase ninguém sabe onde fica. Uma das suas maiores paixões é a leitura: é nos livros que sente que pode escapar à realidade e viver em diversos mundos diferentes. Aliada à leitura vem a escrita, pois escrever é a sua forma favorita de se expressar. É devido a este gosto pela comunicação e por ter descoberto o bichinho da rádio em criança que está no segundo ano em Jornalismo. Na ESCS Magazine quer não só falar de algo de que gosta, como também divertir-se e explorar mais a sua criatividade.