7ª Arte

Estratégia e distribuição cinematográficas: uma questão de arte ou prática?

O Cinema São Jorge recebeu a mesa redonda “Estratégias de Distribuição em Circuitos Independentes e Festivais” no âmbito do Monstra, festival de animação de Lisboa que a tua Magazine tem vindo a acompanhar. A sala que ainda há dois meses recebeu a Redação Multiplataforma do IV Congresso dos Jornalistas Portugueses encheu-se desta vez de entusiastas da vertente da animação da 7ª arte.

Salette Ramalho, em representação da Agência da Curta Metragem, foi a primeira interveniente. Coordena todas as atividades correntes da Agência, desde os contactos com produtoras, circulação de cópias, vendas, distribuição, novos projetos, etc.. A Agência, que foi criada pela Curtas Metragens CRI, entidade que realiza o Curtas Vila do Conde e o Festival Animar, possui uma vertente didática que foi enfatizada por Salette: “Com o nosso Training Program, convidamos os alunos de cinema a conhecer os profissionais”.

Mas nem só de pedagogia é feita a Agência, sendo que desde a organização do The Short Film Day (onde 36 cidades participaram na exibição de curtas em 2016), passando pelo seu catálogo com 359 filmes de ficção, 456 de animação, 141 de cariz documental e noventa de experimental, a Agência só tem motivos para sorrir.

Hemant Sharda, chefe de distribuição na National Film and Television School, conseguiu captar a atenção da audiência ao mencionar os alunos de excelência da universidade, como o diretor de fotografia David Tattersall, que trabalhou nos sucessos cinematográficos 007: Die Another Day e Star Wars, ou a realizadora Beeban Kidron que se evidenciou com Bridget Jones: The Edge of Reason.

“Desde 1971 que apostamos na qualidade e não é agora que vamos falhar. Pensem nos últimos Óscares. Cinquenta licenciados da nossa escola estão envolvidos em 16 dos filmes nomeados!”. Explicando o método de exigir o cumprimento das deadlines, apostar na prática e investir no mote “to study is not necessarily to learn”, Hemant terminou o seu discurso com a frase “the biggest room in the world is the best room for improvement”.

Para seguir o lema de que não há um limite para melhorarmos, interveio Katie McCullough, fundadora do Festival Formula, resultante da acumulação de dez anos de experiência na organização de festivais. “O nosso objetivo primordial é acompanhar os realizadores no seu percurso. Por vezes, passo horas ao telefone com x ou y pessoa, a tentar consolá-los. Mas esse é o meu trabalho, fazê-los acreditar no seu talento!”, afirmou, enunciando os princípios basilares do seu trabalho.

Tendo já trabalhado com várias companhias, Katie criou experiências teatrais e narrativas virtuais, o que a faz ter um conhecimento aprofundado daquilo que é necessário para ter a estratégia necessária para se ser um bom candidato a um festival de cinema: “Por vezes, as pessoas enviam os seus trabalhos para festivais que em nada têm a ver com os seus trabalhos e eu tenho de as educar no sentido oposto, de que tem de haver critério na hora da escolha”. No Festival Formula, Katie e a sua equipa têm apostado em realizadores irlandeses, asiáticos e negros, narrativas LGBTQ (lesbian, gay, bisexual, transgender, queer or questioning), filmes experimentais, de formato específico, etc., para atingir determinados nichos.

David Tattersall

Stefano Savio apresentou a Filmin, ou, como o Público a descreveu, “a Netflix do cinema de autor”. Para o fundador, é a “comunidade online para quem vive e respira cinema”. Presente em Espanha, Portugal e no México, é uma plataforma de VoD (vídeo-on-demand) de cinema independente, constituindo uma tecnologia de vanguarda no mundo, na medida em que é possível optar por TVOD (alugar um filme) ou SVOD (subscrever o serviço).

“A Filmin é o ponto de encontro para todos os cinema lovers. Temos um catálogo de quase mil títulos e espero que contribuamos para parar os downloads ilegais”.

Beeban Kidron

Com Salette e Stefano a fomentarem o crescimento do cinema português, Hemant a contribuir para a formação dos futuros profissionais da área e Katie a dar cartas na escolha do festival certo para cada filme, é possível afirmar que Orson Welles estava certo quando afirmou: “O cinema não tem fronteiras nem limites. É um fluxo constante de sonho”… E, quiçá, não estejamos assim tão longe de torná-lo realidade!

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Se virem uma rapariga com o cabelo despenteado, fones nos ouvidos e um livro nas mãos, essa pessoa é a Maria. Normalmente, podem encontrá-la na redação, entusiasmada com as suas mais recentes descobertas “AVIDeanas”, a requisitar gravadores, tripés, câmaras, microfones e o diabo a sete no armazém ou a escrever um post para o seu blogue, o “Estranha Forma de Ser Jornalista”… Ah, e vai às aulas (tem de ser)! Descobriu que o jornalismo é sua minha paixão quando, aos quatro anos, acompanhou a transmissão do 11 de setembro e pensou: “Quero falar sobre as coisas que acontecem!”. A sua visão pueril transformou-se no desejo de se tornar jornalista de investigação. Outras coisas que devem saber sobre ela: fica stressada se se esquecer da agenda em casa, enlouquece quando vai a concertos e escreve sempre demasiado, excedendo o limite de caracteres ou páginas pedidos nos trabalhos das unidades curriculares. Na gala do 5º aniversário da ESCS MAGAZINE, revista que já considera ser a sua pequena bebé, ganhou o prémio “A Que Vai a Todas” e, se calhar, isso justifica-se, porque a noite nunca deixa de ser uma criança e há sempre tempo para fazer uma reportagem aqui e uma entrevista acolá…!

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