7ª Arte

EuroCine Parte II: O Cinema Italiano

A viagem pelo cinema europeu prossegue. Partindo de França, o caminho não é longo até chegarmos ao destino desta semana.

Célebre pela fantástica gastronomia e pelas conquistas no futebol, a Itália também é campeã da Sétima Arte. Com vários prémios internacionais arrecadados, o cinema italiano foi dos primeiros a surgir no Velho Continente e tem construído uma imensa comunidade de fãs no decurso das décadas.

Os seguintes seis filmes são um exemplo soberano da excelência dos cinéfilos italianos. Independentemente da era em que foram realizados, a qualidade é inegável e as mensagens mantêm-se intemporais. São, à semelhança das produções francesas, bem assentes nos valores tradicionais do cinema.

Ladri di Biciclette (1948), de Vittorio De Sica

Apesar de muito criticado aquando da estreia, Ladrões de Bicicletas é atualmente considerado um dos melhores filmes da história da Sétima Arte. Baseado no livro de Luigi Bartolini, retrata o conto de um pacato trabalhador que parte em busca da sua bicicleta roubada. Uma das primeiras expressões da corrente do neo-realismo italiano, a obra de De Sica ilustra a genuína condição humana à procura do seu espaço num mundo ambíguo e hostil. A presença do desespero e da insignificância do Homem é constante e o contexto da mensagem mantém-se adequado aos tempos atuais. Adeptos de cinema ou não, creio que qualquer pessoa deve ver Ladrões de Bicicletas pelo menos uma vez na vida.

 

The Good, the Bad & the Ugly (1966), de Sergio Leone

O clássico dos clássicos dos Western Spaghettis dos anos 60. Sergio Leone e Clint Eastwood foram figuras de culto no revolucionar deste género e em O Bom, o Mau e o Vilão estabeleceram um marco que perdurará para sempre nos arquivos do cinema. Ainda que igualmente muito criticado durante o período de estreia, depressa os planos aproximados, os teatrais duelos e a narrativa encenada por Leone mereceram os devidos elogios. Uma mistura de ação e emoção que fazem valer a imensa extensão de quase três horas do filme. Se isto não basta para o visualizarem, refiro que a trilha sonora foi composta por Enio Morricone.

 

Cinema Paradiso (1988), de Giuseppe Tornatore

Vencedor do Óscar de Melhor Filme Estrangeiro em 1989, Cinema Paradiso apresenta-nos uma improvável relação entre um projecionista e uma petiz criança no pós-2ª Guerra Mundial. É considerado o ponto alto da carreira de Giuseppe Tornatore que recorre a vários elementos distintivos de outras obras cinéfilas. A montagem de beijos já perto do fim é um dos pontos memoráveis de Cinema Paradiso que o elevaram ao estatuto de filme de culto e também aquilo que lhe conferiu uma presença assídua na cultura popular. O naturalismo humano está novamente presente, assim como Enio Morricone no cargo de compositor.

 

La Vita è Bella (1997), de Roberto Benigni

Encontrar os mais pequenos deleites que nos façam crer que a vida é bela. Uma emocional comédia de um bibliotecário judeu que tenta sobreviver ao Holocausto em plena 2ª Guerra ao mesmo tempo que se apaixona por uma belíssima mulher.  Esta obra-prima de Roberto Benigni representa outro feito de relevo para o cinema italiano. Além de ter sido galardoado com o Óscar de Melhor Filme Estrangeiro, o próprio Benigni levou para casa a estatueta de Melhor Ator, juntando-se a um total de sete outras nomeações nos 71º Prémios da Academia. Como em muitos casos, qualquer indivíduo tem que ver A Vida é Bela pelo menos uma vez.

 

Gomorra (2008), de Matteo Garrone

Um olhar sobre o universo da máfia Napolitana. Gomorra é baseado nas investigações de Roberto Saviano sobre os clãs de crime organizado que depois do moderado sucesso aquando da estreia, originou uma série televisiva em 2014. Um filme que retrata sem filtros os implacáveis bastidores da máfia italiana, onde predomina a crueldade sem meias medidas. Repleto de ação e com personagens muito bem caracterizadas, foi um sucesso de bilheteira e foi considerado por muitos entendidos de cinema como um dos melhores filmes de 2008.

 

La Grande Bellezza (2013), de Paolo Sorrentino

Paolo Sorrentino é um dos realizadores europeus de maior sucesso na atualidade e confirmou esse estatuto em A Grande Beleza. Vencedor do Óscar de Melhor Filme Estrangeiro, retrata um galã escritor e que se aproveita dos privilégios da fama para seduzir e encantar em festas da alta sociedade. Sorrentino leva-nos a uma viagem com os pés bem assentes na terra à procura da inocência e de um espírito altruísta que o protagonista procura alcançar. Não é um filme fácil de se acompanhar, mas que merece ser visto pela sua simplicidade, estética e celebração da arte.

O nosso segundo olhar sobre o cinema europeu está concluído. Embarcamos agora rumo a um destino que tem vindo a cimentar a sua posição nas passadas três décadas e tem merecido um outro destaque por parte da crítica internacional. Se, por alguma razão, não ficaram satisfeitos com a brevidade desta lista, sugiro novamente que deem uma vista de olhos pelas sugestões do WatchMojo.com.

Até à próxima!

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