Ferro Rodrigues assume cargo como presidente da Assembleia da República

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O deputado foi eleito com menos votos do que aquilo que se esperava. (Fonte: Marcos Borga)

Votaram 230 deputados, com dois votos brancos e Fernando Negrão recolheu 108. Significa que dois deputados de uma das bancadas da esquerda não votaram em Ferro Rodrigues

Eduardo Ferro Rodrigues foi eleito esta sexta-feira presidente da Assembleia da República com 120 votos, ultrapassando em quatro votos os 116 de uma maioria absoluta necessária para a eleição do presidente.

Sendo o voto secreto, é impossível saber se os votos dados ao político socialista são ou não exclusivos de esquerda. O que se pode sublinhar é que, se forem somados todos os deputados dos partidos de esquerda parlamentar, são 122 no total. Pode-se concluir, também, que a esquerda não está totalmente dentro dos 120 votos dados ao deputado do Partido Socialista. Contudo, entre os 120 que votaram, poderão estar deputados de direita.

No discurso de posse como presidente do Parlamento, Ferro Rodrigues mencionou a coligação e fez críticas disfarçadas ao Presidente da República: “Temos o direito e o dever de exigir respeito pela soberania da Assembleia da República”, continuo dizendo, “um respeito escrupuloso pelo papel dos outros órgãos de soberania: Presidente da República, Governo, tribunais, órgãos das regiões autónomas e autarquias locais” – tendo sido interpretado como uma resposta à comunicação de Cavaco Silva.

Uma crítica clara, recebida com fortes aplausos das bancadas parlamentares de esquerda. O socialista defendeu que “a oposição tem um estatuto e um papel tão relevante como o do Governo” e que “nenhuma democracia sobrevive sem uma cultura de lealdade institucional e de diálogo estratégico entre os partidos”.

O nome do deputado socialista para a cadeira de presidente foi muito falado nas últimas semanas e, tal como era esperado, António Costa apresentou o nome do ex-ministro e ex-líder da bancada parlamentar para o cargo.

No entanto, esta decisão tem já sido vítima de algumas críticas. Na passada sexta-feira, o líder parlamentar do PSD, Luís Montenegro, acusou o PS de querer por fim a “mais uma das boas tradições da democracia portuguesa”.

“Não há nenhuma altura na nossa história democrática em que não tenha sido esse partido a propor e fazer aprovar o presidente da Assembleia da República. É mais uma das boas tradições da nossa democracia que o PS quer travar e inverter”, continuou Montenegro.

De acordo com dados obtidos pela agência LUSA, nos últimos 20 anos, tem havido apenas um candidato ao cargo de presidente da Assembleia da República, proposto pelo partido mais votado nas legislativas, e que tem sido sempre eleito à primeira volta (abrindo exceção para Fernando Nobre).

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