Literatura

Galardões literários 2021

Ao longo deste ano já foram distinguidos inúmeros escritores, portugueses e de outras nacionalidades, através de vários prémios literários em diversas categorias, desde os prémios entregues pela Associação Portuguesa de Escritores (APE) ao Prémio Rainha Sofia de Poesia Ibero-Americana. Foram realçados novamente nomes de autores já conhecidos pelo seu contributo para a literatura, como Bruno Vieira Amaral e Hélia Correia.  Neste artigo serão apresentados três autores que conquistaram distinções recentemente: Valter Hugo Mãe, David Diop e Ana Luísa Amaral.

Grande Prémio de Romance e Novela da APE

O escritor Valter Hugo Mãe foi anunciado, no passado dia 18, como o vencedor do Grande Prémio de Romance e Novela da Associação Portuguesa de Escritores (APE), pela obra Contra Mim. Neste livro, o autor regressa à sua própria infância, proporcionando ao leitor momentos de introspeção. Segundo o júri do concurso, coordenado por José Manuel de Vasconcelos e constituído por Maria de Lurdes Sampaio, António Pedro Pita, Manuel Frias Martins, Carlos Mendes de Sousa e Rita Patrício, “Esta escrita recria, sensível e ironicamente, o olhar comovido da criança, na descoberta do mundo e das palavras, e nesse gesto de resgate podemos ler a projecção de um autor a desenhar-se perante os seus leitores”.

O escritor, nascido em Angola, é também reconhecido para além das fronteiras portuguesas, nomeadamente em países como o Brasil e a França. Entre as obras anteriormente publicadas pelo mesmo, é possível distinguir A máquina de fazer espanhóis, cuja 19.ª edição foi prefaciada por Caetano Veloso, através da qual venceu o Grande Prémio Oceanos de Literatura. Também se destaca O remorso de Baltazar Serapião, que galardoou o autor com o Prémio Literário José Saramago, em 2007.

Valter Hugo Mãe também se destaca por ser editor, cronista, cantor, artista plástico e, recentemente, foi curador da exposição ”Bruto”, de Agostinho Santos. 

Valter Hugo Mãe
Fonte: Público

Booker International Prize

No dia 2 deste mês, também foi anunciado o vencedor do Booker International Prize: David Diop, o primeiro francês a ser distinguido com este prémio. O autor conquistou o mesmo com At Night All Blood is Black (que, em português, significa “À noite todo o sangue é negro”). A história centra-se na vida de um soldado senegalês que combate pela França durante a 2.ª Guerra Mundial. O protagonista acaba por perder o seu próprio controlo emocional após perder um amigo de infância na guerra. A obra foi traduzida para inglês por Anna Mocschovakis, com quem o autor irá partilhar o prémio. Segundo a presidente do júri, Lucy Hughes-Hallett (historiadora e romancista), “ a sua prosa encantatória e visão negra brilhante fizeram sacudir as nossas emoções e explodir as nossas mentes, que nos enfeitiçaram”. O júri foi também constituído por Aida Edemariam (jornalista), Neel Mukherjee (escritor) e George Szirtes (poeta).

David Diop nasceu e leciona na França, embora tenha crescido no Senegal (ex-colónia francesa, cuja independência foi reconhecida em 1960, ou seja, após a 2.ª Guerra Mundial). É também professor catedrático de literatura do século XVIII e já foi galardoado com outros prémios literários, nomeadamente o Prémio Goncourt des Lycéens, o Prémio Ahmadou-Kourouma e o Strega European Prize, em Itália.

David Diop, autor da obra vencedora
Fonte: bbc.com
Anna Mocschovakis, tradutora da obra vencedora
Fonte: bbc.com

Prémio Rainha Sofia de Poesia Ibero-Americana e Prémio Literário Francisco de Sá de Miranda

Ana Luísa Amaral foi galardoada duas vezes recentemente. A primeira distinção, no dia 31 de maio, foi através do Prémio Rainha Sofia de Poesia Ibero-Americana, o que é “considerado a maior distinção para a poesia no espaço literário ibero-americano”, segundo o jornal Público (https://www.publico.pt/2021/05/31/culturaipsilon/noticia/ana-luisa-amaral-ganha-premio-rainha-sofia-poesia-iberoamericana-1964719). O prémio pretende reconhecer toda a obra poética da autora e é atribuído pela Universidade de Salamanca e pelo Património Nacional Espanhol. Segundo Ricardo Rivero, reitor da universidade referida, a autora “personifica alguns dos melhores valores ibéricos e ibero-americanos (…): a defesa da liberdade, a dignidade da pessoa e a equidade de género”.

O segundo galardão recebido pela poetisa foi o Prémio Literário Francisco de Sá de Miranda, promovido pela Câmara Municipal de Amares, aproximadamente duas semanas depois. A obra destacada foi Ágora e o concurso foi presidido por Sérgio Guimarães de Sousa, professor na Universidade do Minho, que afirmou que a mesma reescreve “de modo intimista e fulgurante emblemáticos episódios bíblicos“. O júri foi também constituído por Ana Isabel (professora catedrática) e Isidro Gomes de Araújo (vereador da Cultura da autarquia).

Ana Luísa Amaral foi professora de Literatura Inglesa na Faculdade de Letras da Universidade do Porto e tem um doutoramento sobre Emily Dickinson, uma referência para a poetisa. Anteriormente, a autora foi distinguida com outros prémios como o Prémio Literário Correntes d’Escritas, o Prémio Letterario Poesia Giuseppe Acerbi e o Grande Prémio de Poesia da Associação Portuguesa de Escritores.Entre as suas diversas obras publicadas, podemos referir What’s in a Name, Arder a Palavra e Outros Incêndios, assim como E Todavia.

Ana Luísa Amaral
Fonte: Público

Estes são apenas três dos vencedores de prémios literários anunciados este ano, sendo que o mesmo ainda não acabou. O mundo da literatura está em constante mudança e crescimento, com contributos de autores muito diferentes entre si, como podemos afirmar através daqueles que foram referidos. Destacam-se poetas e romancistas um pouco por todo o mundo a cada dia que passa. Quem serão os próximos a ser distinguidos?

Fonte da Imagem de Capa: Unsplash

Artigo revisto por Inês Pinto

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