Música

Gisela João

Quase a celebrar o aniversário do seu mais recente (e homónimo) álbum, Gisela João começou o ano em grande com dois concertos nos coliseus do Porto e de Lisboa. Depois das actuações nos dias 23 e 31 de Janeiro, respectivamente, a fadista segue agora para uma digressão pela Bélgica, já no próximo mês de Março.

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Foi ao ouvir Amália que Gisela João descobriu a ancestral rota do fado. A música era “Que Deus Me Perdoe” e a ouvinte uma pequena Gisela João, de oito anos. No entanto, foi na adolescência que decidiu seguir esse mesmo rumo, traçando o seu próprio caminho. Mulher do Norte, natural de Barcelos, foi na sua cidade natal que se estreou numa casa de fados, onde chegou a cantar noites inteiras a capella.

Em 2006 surge o seu primeiro álbum a solo, “Gisela João – O Meu Fado” e, três anos mais tarde, edita um álbum enquanto membro do grupo Athantihda, que conjugava o fado com outros géneros, como o pop e o tango. Embora pouco reconhecidas, estas experiências contribuiram para a formação de Gisela João, tal como a conhecemos hoje: um exemplar único e genuíno de talento no fado português.

Hoje a sua música é reconhecida pelo público luso e por outros fadistas de renome, entre eles Camané e Carlos do Carmo. O seu álbum de 2013 já se tornou disco de ouro, e inclui temas originais e (re)visitas a fados já decorados pelos portugueses. Refiro-me a “Não Venhas Tarde”, um fado originalmente cantado por Carlos Ramos, e a uma divertida versão da “Casa da Mariquinhas”, de Amália.

O seu portfólio musical conta com várias parcerias, desde Joss Stone a Fernando Alvim, passando pela participação no concerto de homenagem ao multifacetado António Variações, no Rock In Rio 2014, e por uma colaboração com a MC Capicua, no tema “Soldadinho”, que recomendo vivamente a todos os amantes de música portuguesa.

Os concertos de Janeiro esgotaram ambos os Coliseus e revelaram-se um sucesso. Como sempre, Gisela João demonstra-se uma artista humilde e calorosa com os fãs e com os músicos que a têm acompanhado nesta viagem.

Espera-se um novo disco ainda este ano com um novo repertório e, à partida, novos concertos. Até lá, resta-nos a memória dos últimos espetáculos e aquilo que tanto caracteriza o fado: saudade.

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