Moda e Lifestyle

 Haute Couture de Christian Dior

A 21 de janeiro de 1905 nasceu Christian Dior, o homem que viria a redefinir a silhueta feminina do pós-guerra e a inscrever o seu nome na história da moda. Fundador da maison Dior, em 1946, o criador francês procurava devolver beleza, graça e esperança a um mundo ainda marcado pelos escombros da Segunda Guerra Mundial. Foi com esse desejo de renovação que, em fevereiro de 1947, apresentou a sua primeira coleção de alta-costura.

Retrato de Christian Dior por Paul Strecker, 1928.
Fonte: Pinterest

A coleção Corolle, apresentada no dia 12 desse mês, ficou eternizada sob o nome “New Look”, expressão cunhada por Carmel Snow, então editora-chefe da Harper’s Bazaar, ao congratular Dior pelo impacto imediato das suas criações. Dior propôs uma estética radicalmente diferente: ombros suaves, bustos plenos, cinturas marcadas, como lianas e saias longas e volumosas.

Fonte: Mahan Rasouli

“We came from an epoch of war and uniforms, with women like soldiers with boxers’ shoulders. I designed flower women”. 

Christian Dior

Durante a década seguinte, Dior dominou a moda feminina em Paris e no mundo inteiro. Quase em todas as estações, lançava uma nova silhueta, adequada a cada tipo de morfologia, como a Oblique, a Scissors, a Tulip, a Y-line, a H-line e a A-line. Para além dos seus extraordinários vestidos de gala, deixou também a sua marca com os icónicos vestidos de cocktail

Fonte: Colagem feita pela redatora

Em 1949, cerca de 75% das exportações de moda parisiense pertenciam à maison Dior, um sinal claro do seu peso económico e cultural. O designer foi pioneiro na introdução de tecidos tradicionalmente associados ao vestuário masculino, como o pied-de-poule, numa abordagem que combinava estrutura, luxo e inovação.

Fonte: The Red List

A sua estética estava profundamente enraizada nas influências do século XIX, com tecidos estruturados, como o cetim duchesse e as lãs jacquard, bem como numa conceção do corpo feminino sustentada por uma verdadeira “arquitetura” de busto e ancas. Apesar do elitismo inerente à alta-costura, o “New Look” ficou gravado como símbolo de otimismo e de um futuro melhor.

Após a morte súbita de Christian Dior, em 1957, o seu jovem assistente Yves Saint Laurent assumiu a direção criativa da casa, aos 21 anos, sendo inicialmente saudado como o salvador da moda francesa. Seguiram-se outros diretores artísticos, que continuaram a reinventar os códigos da maison, de Marc Bohan a Gianfranco Ferré, John Galliano, Raf Simons e, desde 2016, Maria Grazia Chiuri, a primeira mulher a ocupar esse cargo na Dior. Uma herança intemporal perpetuada no icónico endereço parisiense: 30 Avenue Montaigne.

Fonte: Pinterest

“Dior é um génio ágil, único do nosso tempo, com um nome mágico que combina Deus e ouro [Dieu et Or]”

Jean Cocteau, escritor francês

Mais de um século depois do seu nascimento e décadas depois da sua morte, Christian Dior continua a encarnar a força encantadora da moda, algo que, como ele próprio dizia, é “um ato de fé”. 


Fonte da Capa: Getty/Bettmann Archive

Revisto por Ariana Valido

AUTORIA

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Vive num mundo onde mil e uma curiosidades vagueiam nos seus pensamentos, Ambre, aluna do 2.° ano da licenciatura em Jornalismo, sonha em, talvez um dia, poder conciliar todos os seus desejos… Animais, ciência, moda e cultura são algumas das milhentas paixões que tecem a tão confusa teia que é a sua mente. Por enquanto (e como sempre fez), refugia-se na escrita, um sítio em que pode expressar cada milímetro que percorre o seu espírito. Para explorar o tão vasto universo da escrita, Ambre aventura-se no desafio de ser Editora de Ciências, na ESCS Magazine - a melhor revista de Benfica.