Atualidade,  Informação

Leonor Teles vence Urso de Ouro de curtas-metragens no Festival Internacional de Cinema de Berlim

carolinapescada

Com apenas 23 anos, a realizadora Leonor Teles venceu este sábado, dia 20 de Fevereiro, o prémio Urso de Ouro na categoria de curtas-metragens do Festival Internacional de Cinema de Berlim.

“Balada de um Batráquio” é um filme de intervenção de curta duração que trata a questão do preconceito xenófobo português em relação à comunidade cigana. Filha de pai cigano, Leonor achou que não poderia apenas apresentar a problemática; tinha “de tentar inserir um pouco daquilo que pode vir a ser a resposta em relação a este comportamento xenófobo”, como a própria explicou em declarações à Agência Lusa.

A curta-metragem centra-se na prática comum em Portugal do uso de sapos de cerâmica por lojistas e proprietários de cafés e restaurantes com o objetivo de evitar a entrada de indivíduos de etnia cigana, que têm várias superstições ligadas ao animal, nos seus estabelecimentos. A realizadora já se tinha debruçado sobre esta comunidade no seu primeiro filme, “Rhoma Acans”, em 2013.

Leonor é a mais jovem recipiente do prémio, que, confessou, recebeu com surpresa: “eu nunca pensei chegar a Berlim, quanto mais ganhar o Urso de Ouro”. Já foi felicitada pelo Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, que lhe desejou a continuação de uma carreira de sucesso, realçando ainda que “o seu sucesso é também a afirmação de Portugal”.

Leonor licenciou-se em Cinema pela Escola Superior de Teatro e Cinema, e é desde o ano passado mestre em Audiovisual e Multimédia pela Escola Superior de Comunicação Social. “Balada de um Batráquio” vai estrear em Portugal em Abril, no IndieLisboa, quanto mais não seja porque o filme é representado pela agência Portugal Film, uma agência criada por este festival.

A 66.ª edição do Festival Internacional de Cinema de Berlim contou com a presença de oito filmes de produção portuguesa, três dos quais na competição oficial, incluindo a longa-metragem “Cartas de Guerra”, de Ivo Ferreira, inspirada na correspondência de António Lobo Antunes.

Deixe uma resposta

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *