Literatura

Literatura confinada

Como já tem sido referido noutros artigos, as restrições impostas devido à nossa situação atual dificultam o acesso a serviços que não são considerados indispensáveis, como é o caso, infelizmente, do setor cultural, que tem vindo a ser cada vez mais prejudicado. No caso da Literatura, com o encerramento das bibliotecas e de grande parte das livrarias, estão a ser desenvolvidas novas estratégias, por parte de algumas instituições, de forma a poder interagir com a população, mesmo quando nos é pedido para ficar em casa. Neste artigo serão apresentadas algumas alternativas para manter o contacto com a cultura.

Bibliotecas online

Para quem prefere ler livros em formato digital e/ou outras alternativas digitais ou não consiga recorrer aos serviços fornecidos pelas bibliotecas, existem obras disponíveis em sites como o da Imprensa Nacional – Casa da Moeda, já referido num artigo anterior. É importante referir que existem casos onde o acesso é livre e outros onde o mesmo é restrito, dependendo da obra cuja leitura é pretendida. Desta forma, existem obras em que não é necessário qualquer tipo de subscrição ou licença, mas também existem livros cuja consulta requer algum tipo de licença. Seguem-se alguns exemplos de sites a que é possível aceder:

Literatura em take away

Por outro lado, para aqueles que preferem um bom livro em formato físico, surgiram iniciativas onde se tornou possível a entrega de livros e de outros materiais como CD´s, DVD´s ou jogos ao domicílio, em regime de take away e/ou “ao postigo, através de contactos telefónicos e eletrónicos, cumprindo as medidas de segurança impostas pelo Governo. No caso da compra e venda de livros, destaca-se o novo serviço fornecido pela Fnac, na aplicação da UBER EATS: “Alimenta a mente com livros”; através da FNAC READS, onde a entrega de livros se assemelha ao processo de entregas de refeições.

Por outro lado, no caso das bibliotecas é necessário obter o cartão de utilizador das mesmas. Caso ainda não possua um número de utilizador, é possível consultar o catálogo online. Este tipo de serviço encontra-se disponível um pouco por todo o país, incluindo bibliotecas municipais, como, por exemplo, a da Lousã. 

Para além disto, algumas bibliotecas também optaram por disponibilizar outros serviços como audiolivros e leituras através de chamadas, como é o caso das bibliotecas de Cascais e do Baião, respetivamente, que pretendem combater o isolamento e a solidão, nas diferentes faixas etárias. No primeiro caso, a Literatura continua a ser promovida através da plataforma online, embora algumas atividades presenciais se encontrem canceladas atualmente. 

Seguem-se apenas alguns exemplos de bibliotecas que aderiram a este tipo de iniciativas, com os respetivos links, onde é possível consultar as normas e os contactos de cada instituição:

  • Biblioteca do Baião – “Conta comigo: leitura à distância de uma chamada”, serviço de entregas em take away e entrega de livros ao domicílio;

Caso a biblioteca onde pretenda requisitar um livro não se encontre na lista, deverá consultar os serviços dispostos pela mesma atualmente.

Apelo ao Governo e reabertura das bibliotecas

No dia 11 de janeiro deste ano, a Associação Portuguesa de Bibliotecários, Arquivistas, Profissionais da Informação e Documentação (BAD) enviou uma carta dirigida ao Governo, através do Grupo de Trabalho das Bibliotecas Públicas (GT-BP). A carta foi assinada por várias personalidades que representam este setor e foi dirigida a três membros do Governo: à Ministra da Cultura, Graça Maria da Fonseca, à Ministra da Coesão Territorial, Ana Abrunhosa, e ao Secretário de Estado Adjunto e do Desenvolvimento Regional, Carlos Miguel. Tratou-se de um apelo à reabertura das instituições, mantendo as normas de higiene e segurança impostas, sugerindo medidas que poderiam ser adotadas para tal. Nesta carta é referida a necessidade de combate à desinformação e o facto de nem todas as funções das instituições poderem ser realizadas em teletrabalho. Também salienta a importância da cultura principalmente na saúde mental da população:

Numa fase em que os danos colaterais desta pandemia na saúde mental dos Portugueses já começam a ser analisados e parecem assumir contornos preocupantes, acreditamos que as Bibliotecas, o acesso livre à informação e a disponibilização de livros e leituras podem contribuir para diminuir os efeitos nefastos do isolamento.

Consulta a carta redigida ao Governo na íntegra aqui.

Devido à melhoria das condições de saúde pública, embora esta carta não tenha tido uma resposta imediata, o novo plano de desconfinamento já contempla o setor. A reabertura de bibliotecas, livrarias e arquivos já é possível a partir de hoje, 15 de março.

Fonte da Fotografia de Capa: Unsplash

Artigo revisto por Constança Lopes

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