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“No Castelo ponho um cotovelo Em Alfama descanso o olhar”

Alfama, que deriva do árabe al-hamma, é o mais antigo e um dos mais típicos bairros de Lisboa. Al-hamma significa banhos ou fontes, uma vez que lhe está associado, geologicamente, um grupo de nascentes minero-medicinais, que, ao longo da história, foram canalizadas para alimentar chafarizes. Um dos mais conhecidos é o Chafariz de El-Rei. Foi um dos bairros que sobreviveu ao terramoto de 1755.

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Abrangendo as freguesias de São Miguel, Santo Estevão e São Vicente de Fora – dos bairros de Lisboa, Alfama é o mais peculiar e o mais genuíno, assemelhando-se a uma antiga aldeia, onde as ruas estreitas (resultado da cultura muçulmana), os becos esguios, a roupa estendida nas janelas ou o grito da vizinha são pormenores da sua autenticidade, tornando Alfama num verdadeiro centro de cultura.

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No bairro de Alfama conviveram judeus, cristãos e muçulmanos. Foi também casa de muitos marinheiros, devido à sua proximidade do mar. Atualmente é um dos mais conhecidos internacionalmente, em particular pelas casas de fado, assim como pelos festejos dos Santos Populares na noite de 12 de junho.

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Com uma área que se estende do Castelo de São Jorge à Doca do Jardim do Tabaco, virado a sul e com uma vista única sobre o rio, o bairro de Alfama é paragem obrigatória para turistas e lisboetas. Basta apanharmos o comboio ou metropolitano até Santa Apolónia e, em 10 minutos, estamos em Alfama.

Para começar o nosso trajeto, a visita ao Castelo de São Jorge é prioritária.

O local foi ocupado pelos Romanos, Visigodos e Mouros antes de ser transformado no Palácio Real por volta do século XIV. Além das 11 torres, podemos visitar o Paço Real da Alcáçova, o pequeno bairro de Santa Cruz – que se encontra dentro das muralhas do castelo – ou até o periscópio na Torre de Ulisses, onde podemos observar a cidade.

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Depois da visita ao castelo, podemos descer a ladeira – ou apanhar o elétrico 28 – em direção à Catedral da Sé. Construída sobre uma antiga mesquita, abriga a pia onde Santo António – o Santo padroeiro de Lisboa – foi batizado. Os traços da igreja são caraterizados pelos modelos românico, gótico e barroco.

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Para almoçar, podemos fazer uma pequena paragem no restaurante – e casa de fados de referência – “Parreirinha de Alfama”, onde nos podemos deliciar com qualquer prato da cozinha tradicional portuguesa, onde passaram e cantaram, ao longo de 50 anos de história, nomes como Amália e Alfredo Marceneiro.

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Na parte da tarde, para continuarmos a nossa visita a Alfama – que respira Fado – podemos dirigir-nos ao Museu do Fado. Aberto desde 1998, apresenta-nos uma visão mais ampla sobre o impacto cultural do Fado na cultura portuguesa e a sua influência e propagação internacionalmente. Além de uma exposição permanente, um centro de documentação, um auditório – com agenda regular – e um café-restaurante, o Museu do Fado alberga também uma escola com cursos de Guitarra Portuguesa.

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Antes de continuarmos o nosso percurso, partimos em direção à Confeitaria Rainha Dona Amélia – perto da Casa dos Bicos – onde podemos lanchar, deliciando-nos comas célebres queijadas, que são o ex libris desta pastelaria, em homenagem a Dona Amélia – criadas em 1901 nos Açores para receber a rainha. De fabrico próprio, tal como a restante doçaria, podemos também provar o famoso pastel de nata.

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Também em Alfama temos uma das mais conhecidas igrejas lisboetas – o Panteão Nacional, ou Igreja de Santa Engrácia. E é para lá que podemos seguir.

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Panteão Nacional de Lisboa, como o conhecemos, tem uma longa história de atrasos, reconstruções e restaurações: que começa em 1568, quando a Infanta D. Maria mandou construir uma igreja na freguesia de Santa Engrácia – que em 1681 um violento temporal acabou por devastar. A sua reconstrução acabou por se arrastar durante quase 3 séculos – o que deu origem à expressão “obras de Santa Engrácia”. O desenho da Igreja terá sido inspirado na Igreja de São Pedro, em Roma. Ganhou o estatuto de Panteão Nacional só em 1916, passando a ser residência póstuma de figuras importantes da nossa História, como Almeida Garrett, Teófilo Braga, Guerra Junqueiro, Aquilino Ribeiro, Humberto Delgado ou Amália Rodrigues. No Panteão podemos visitar também os cenotáfios (memoriais fúnebres erguidos para homenagear heróis importantes da História de Portugal) de Nuno Álvares Pereira, Infante D. Henrique, Pedro Álvares Cabral ou Afonso de Albuquerque. Uma verdadeira preciosidade para quem admira a História de Portugal.

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Alfama é o bairro das tascas – o botequim português – e das casas de Fado. Por isso mesmo, podemos jantar n’A Tasca do Chico, que é a sua junção perfeita. Situada na Rua dos Remédios, é o sítio ideal para nos deleitarmos com as melhores tapas e petiscos portugueses ao som do Fado.

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Além de todos estes pontos, indispensáveis, que podemos visitar em Alfama, é importante não esquecer a Casa dos Bicos – atual Fundação José Saramago, a Feira da Ladra – o mercado de rua mais popular da cidade, desde o século XIII, o Museu de Artes Decorativas portuguesas – que abriga a coleção doada por Ricardo Espírito Santo e que é de visita obrigatória para quem gosta de decoração e design, e o Museu Militar – um testemunho vivo de quantas batalhas Portugal já enfrentou: todos eles, também, afamados deste bairro lisboeta.

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Para continuarmos a percorrer Alfama no dia seguinte, podemos pernoitar no Alfama Pátio Hostel – que alia qualidade e bons preços – além da excelente localização – o Pátio dos Quintalinhos – a 5 minutos do Miradouro das Portas do Sol. Todas as noites são organizadas festas temáticas. Depois do pequeno almoço, que está incluído na estadia, podemos continuar o nosso passeio por um dos bairros mais bonitos, genuínos e autênticos de Lisboa – Alfama.

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