7ª Arte

O boneco de madeira de Geppetto que se tornou híbrido nas mãos de mestres da sétima arte

Entre a década de 40 do séc. XX e o séc. XXI, o rapaz infortunado cujo nariz crescia de cada vez que mentia, nascido da necessidade que um carpinteiro italiano possuía de ter um filho, foi reinventado. As Aventuras de Pinóquio nunca se mantiveram inalteradas e, por isso mesmo, o festival de cinema de animação Monstra, que se realizará até 29 de março, está a apostar numa retrospetiva das mesmas. Captámos a tua atenção? Entra no mundo da obra-prima de Carlo Collodi connosco!

Um dia, Gepeto construiu um boneco de madeira muito perfeito e bonito e pôs-lhe o nome de Pinóquio.

Corria o ano de 1881 quando o jornalista Carlo Collodi iniciou a publicação do Giornale per i bambini (Jornal para as crianças), primeiro periódico italiano destinado ao público infantil. Aí, publicou pela primeira vez a Storia di un burattino (História de um Boneco), primeiro título das Aventuras de Pinóquio. O autor não imaginava que esta história, cujo sucesso havia sido elevado, atingiria outro patamar em 1940, com a adaptação do texto para o cinema por Hamilton Luske (produtor das primeiras versões de Cinderela, Alice no País das Maravilhas, entre outros) e Ben Sharpsteen (produtor de Dumbo).
Nesta primeira adaptação cinematográfica, o guião foi criado quase estritamente seguindo as ideias de Collodi: Geppetto construíra Pinóquio (que significa pinhão em italiano) e, numa noite estrelada, uma fada azul dera vida ao boneco de madeira, testando a sua coragem, lealdade e honestidade. O seu amigo Grilo Falante avisou-o dos perigos que corria, mas Pinóquio envolveu-se em várias confusões, até que atingiu o desafio final: salvar Geppetto que estava preso na barriga de uma baleia. Em termos de prémios, o filme arrecadou dois prémios nos Óscares de 1940: foi vencedor nas categorias de melhor banda sonora e melhor canção, com When You Wish Upon a Star.

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O espetáculo começou. Pinóquio foi a estrela.
Em 1972, Pinóquio transitou do grande ecrã para a televisão, numa minissérie de seis episódios, com uma duração total de duzentos e oitenta minutos. Posteriormente, foi comercializada numa versão mais pequena, de cento e oitenta minutos, transformada em filme. É nítido que esta adaptação ganha muito com a representação das personagens por humanos e não por cartoons, na medida em que lhes conferem emoções mais realistas. Por outro lado, é possível notar que se perdem os tons fortes, a leveza e, quiçá, a puerilidade associadas aos outros filmes. Contudo, Luigi Comencini era um mestre da “comédia à italiana” e não dominava na perfeição a animação como os restantes cineastas.

— Perdoa-me papá – suplicou Pinóquio muito arrependido.
Pinóquio 3000, de Daniel Robichaud, de 2004, transformou a conhecida marioneta do imaginário infantil num robô, criando uma interpretação futurista do romance As Aventuras de Pinóquio. Misturando a magia com a história original de Pinóquio, os seres humanos com os fictícios, os elementos de Collodi com alguns que achou por bem acrescentar à trama, Robichaud formou Scamboville, uma cidade futurista constantemente em desenvolvimento sob o reinado de um autarca cujo nome é Scamboli. O filme foi indicado ao Prémio Goya (galardão anual da Academia de las Artes y las Ciencias Cinematográficas de España) na categoria de melhor filme de animação.

— Agora tenho um filho verdadeiro! Exclamou, contentíssimo, Geppetto.
Em 2012, Pinóquio regressa às suas origens através da arte do cineasta Enzo d’Alò. A ação do filme decorre numa pequena vila na Toscânia e, nas suas peripécias, o rapaz conta com o gato e a raposa, a fada madrinha, Mangiafoco – que constitui um obstáculo no seu caminho, pretendendo queimá-lo – e o patife Lucignolo, que acaba por levá-lo até ao país das maravilhas. O filme foi tão bem recebido pela crítica que terminou por ser exibido no 70º Festival Internacional de Cinema de Veneza, ainda que fora de competição.

Agora que desmistificámos a famosa marioneta, basta que dês um pulinho à Cinemateca de Lisboa, nos dias 22, 23 e 24 de março, para te inteirares de todos os pormenores das aventuras do Pinóquio, no Monstra, porque o talento e a animação andam por aí à solta!

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Se virem uma rapariga com o cabelo despenteado, fones nos ouvidos e um livro nas mãos, essa pessoa é a Maria. Normalmente, podem encontrá-la na redação, entusiasmada com as suas mais recentes descobertas “AVIDeanas”, a requisitar gravadores, tripés, câmaras, microfones e o diabo a sete no armazém ou a escrever um post para o seu blogue, o “Estranha Forma de Ser Jornalista”… Ah, e vai às aulas (tem de ser)! Descobriu que o jornalismo é sua minha paixão quando, aos quatro anos, acompanhou a transmissão do 11 de setembro e pensou: “Quero falar sobre as coisas que acontecem!”. A sua visão pueril transformou-se no desejo de se tornar jornalista de investigação. Outras coisas que devem saber sobre ela: fica stressada se se esquecer da agenda em casa, enlouquece quando vai a concertos e escreve sempre demasiado, excedendo o limite de caracteres ou páginas pedidos nos trabalhos das unidades curriculares. Na gala do 5º aniversário da ESCS MAGAZINE, revista que já considera ser a sua pequena bebé, ganhou o prémio “A Que Vai a Todas” e, se calhar, isso justifica-se, porque a noite nunca deixa de ser uma criança e há sempre tempo para fazer uma reportagem aqui e uma entrevista acolá…!

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