Moda e Lifestyle

O cansaço do bege e o regresso das cores

Durante anos, o bege foi muito mais do que apenas uma cor: tornou-se uma forma de estética. Predominante em casas com tons de areia, guarda-roupas neutros e maquilhagem invisível, o bege reinava no mundo do minimalismo. Simples, mas luxuoso, esta cor era sinónimo de limpo e minimalista, predominante tanto na moda quanto na decoração. 

Este fenómeno passou a ser mais sério com a ascensão do “clean aesthetic”, onde a neutralidade de tons passou a significar elegância e organização.

O minimalismo ganhou mais força após a pandemia e até este ano parecia dominar os roupeiros e as decorações. A individualidade e a excentricidade ficaram em suspenso e num mundo neutro. 

Nos roupeiros surgem os básicos, como escolhas mais simples para o dia a dia. Na decoração, predominam as cozinhas brancas, os vasos bege e a combinação de madeira clara com um estilo clean em tons neutros que, em alguns casos, chegou a influenciar até as árvores de Natal.

Fonte: Pinterest

Contudo, em 2025, o bege deixa de ser a personagem principal e começa a ver-se mais cor. A cor é energia e é através dela que se reafirma a identidade pessoal, escolhendo padrões que revelam os gostos e preferências. 

Na decoração, o bege dá lugar a papéis de parede com padrões excêntricos combinados com cores ousadas. Atualmente, as riscas, as combinações de cores e as taças em formatos de frutas são a escolha preferencial. Os padrões predominam e nenhuma peça de decoração passa despercebida. A geração que cresceu com interiores do Pinterest procura agora autenticidade e destaque, elegendo peças vintage, heranças familiares e cerâmicas imperfeitas. Os lares deixam de pertencer a um catálogo e voltam a ser uma biografia daqueles que ali vivem.

Fonte: Pinterest

Na roupa elegem-se cores para cada estação e aposta-se em padrões, lenços ousados e texturas diferenciadas. Os amantes da moda anseiam construir e encaixar looks com diferentes formas, texturas e cores que transmitam a sua identidade e preferências. 

Fonte: Pinterest

O regresso da cor não significa o fim do minimalismo e o desaparecimento do bege, mas sim a sua desconstrução. O verdadeiro luxo em 2026 não é parecer discreto e clean, é ser autêntico. O bege deixa de ser regra e, apesar de não desaparecer, torna-se uma opção.

Fonte da Capa: Homify

Artigo revisto por Lara Santos

AUTORIA

+ artigos

A Matilde está no segundo ano do curso de Relações Públicas e Comunicação Empresarial. Há cinco anos que se interessa pelo mundo da comunicação e desde então tem praticado a sua escrita. Criativa e dinâmica, procura sempre temas inovadores, desafiando-se a novas escritas. A moda é o seu mundo e, por isso, não podia deixar passar esta oportunidade única de escrever sobre ele. Ao longo do tempo percebeu que este era o lugar onde devia estar e hoje escreve com o propósito de passar aos leitores os seus sentimentos sobre este mundo imenso da moda.