Cinema e Televisão

O cinema de João Canijo

Fonte: Repórter sombra (https://reportersombra.com/os-actores-fetiche/)

O cinema português tem vindo a destacar-se pelo mundo fora. Nos últimos anos os filmes em língua portuguesa têm marcado presença em inúmeros festivais, e os prémios não tardam a chegar. Um dos realizadores que mais se tem destacado é João Canijo.

Este realizador português iniciou a sua carreira em 1986 com o filme Três menos Ele. Os seus métodos de criação são muito específicos e são aquilo que o distingue na hora de escolher o elenco. Prefere trabalhar com mulheres, pois considera que são mais interessantes e o elenco raramente muda. A presença de Rita Blanco, Anabela Moreira, Beatriz Batarda e Cleia Almeida é assídua e são raros os filmes em que não participam. As suas pesquisas caraterizam-se pela criação de Microcosmos sociais, produzindo um filme marcado pelo lugar onde decorre. Todos os seus filmes terminam com ou têm cenas de violência física brutal, incluindo mortes. Os filmes têm ainda violência psicológica. Canijo procura assim desmistificar a ideia dos brandos costumes dos portugueses.

É autor de Noite Escura (2004), que estreou no Festival de Cannes de 2004, e foi o filme português escolhido como candidato ao Óscar de Melhor Filme Estrangeiro desse ano. Noite Escura arrecadou também, já em Portugal, o Globo de Ouro para Melhor Filme. Em 2011, João ganhou o prémio Melhor Realizador no Festival Caminhos do Cinema Português pelo filme Sangue do Meu Sangue. Alguns dos seus filmes mais conhecidos são:

Filha da mãe (1990)

Fonte: CinePT (http://www.cinept.ubi.pt/pt/filme/2768/Filha+da+Mãe)

A história gira à volta de Maria (Rita Blanco), uma “filha da mãe” cómica, agressiva, cínica e sentimental. Tem um namorado, Adriano (João Cabral), que se dedica a pequenos tráficos e roubos. A sua mãe é Júlia (Lídia Franco), atriz insegura e mazinha que tem por amante ocasional Gigi (Miguel Guilherme), ator e toxicodependente, sempre sem dinheiro e com o coração dividido entre Júlia e Dalila, sua colega de palco. O seu pai é Álvaro (José Wilker), um pintor que, depois de ter estado desaparecido durante vinte anos no Brasil, quer voltar para Júlia como se nada tivesse acontecido e dá de caras com uma filha que não sabe se é sua e que, quase sem se dar conta, lhe cai nos braços.

Ganhar a vida (2001)

Fonte: CinePt (http://www.cinept.ubi.pt/pt/filme/4618/Ganhar+a+Vida)

Cidália, portuguesa de 36 anos, vive com o marido, dois filhos e a irmã nos arredores de Paris. Um dia, o seu filho mais velho é morto pela polícia e a vida de Cidália transforma-se radicalmente. Lança-se num protesto contra o abuso de autoridade das forças policiais que irá isolá-la quer da família quer da comunidade portuguesa. A revolta desta imigrante portuguesa em França foi o pretexto de João Canijo para construir este envolvente drama que serve para refletir sobre uma certa mentalidade da comunidade portuguesa que tenta, obstinada e inconsequentemente, passar despercebida na sociedade francesa.

Noite Escura (2004)

Fonte: Allmovie (https://www.allmovie.com/movie/noite-escura-v309220)

Durante uma noite escura, algures numa província portuguesa, começa mais um dia de trabalho numa casa de alterne gerida pela família. Estão presentes Pai, Mãe, as duas filhas e as raparigas que entretêm e seduzem os clientes – um mundo de falsas aparências – mas esta não é uma noite normal, pois o pai, a quem um negócio corre mal, vê-se obrigado a sacrificar a filha mais nova. Será este o fim da família?

Sangue do Meu Sangue (2011)

Fonte: IMDB (https://www.imdb.com/title/tt1625155/)

O Bairro Padre Cruz serviu de cenário para o filme. Márcia (Rita Blanco) é mãe solteira. Vive com a sua irmã, Ivete (Anabela Moreira), e com os seus dois filhos: Cláudia (Cleia Almeida) e Joca (Rafael Morais). Tudo na sua vida foi conquistado com muito trabalho e esforço e nunca aguardou que o inesperado acontecesse. Duas tragédias chegam para marcar esta família: Cláudia apaixona-se por um dos seus professores da faculdade e Joca, por ser um traficante cadastrado, contrai uma dívida com quem não devia. A partir daí Márcia e Ivete preparam-se para o pior e só o amor incondicional pela família as pode salvar.

Fátima (2016)

Fonte: Cine Cartaz (https://cinecartaz.publico.pt/Filme/371710_fatima)

No início de maio de 2016, um grupo de 11 mulheres parte de Vinhais, em Trás-os-Montes, em peregrinação a Fátima. Durante nove dias e ao longo de quatrocentos quilómetros, fazem o seu caminho individual, superando as adversidades com estoicismo, coragem e fé. 

Este é um “road movie” semidocumental que tem como pano de fundo a relação entre mulheres e que tenta refletir sobre as “coisas extremas que se podem fazer por necessidade de fé”.

Segundo o realizador, o projeto iniciou-se com “um texto que foi construído ao longo de dois anos, porque as atrizes fizeram peregrinações reais que documentaram. E foi a partir dessa informação, dos incidentes e dos acidentes das várias peregrinações, que se chegou ao guião do filme”, conta. Canijo explica também que “as atrizes estiveram em Vinhais para serem de Vinhais. As suas personagens têm vidas que elas viveram em Vinhais”.

Artigo revisto por: Rita Serra