O efeito romcom: como as comédias românticas dos anos 2000 mudaram a nossa forma de vestir, agir e sonhar
São várias as comédias românticas que fizeram dos anos 2000 uma época de ouro. Nelas prevalece um elemento comum: a protagonista. Esta é caracterizada por ser uma rapariga carismática e com uma personalidade marcante, como Elle Woods (Legally Blonde) ou Kat Stratford (10 Things I Hate About You).
A influência destas personagens foi para além dos ecrãs do cinema. Não eram apenas as estrelas de uma história de amor: eram os nossos ícones de estilo e atitude. Com os seus slip dresses e atitudes, influenciaram a forma de vestir, de agir e de planear o próprio futuro de uma geração. Mais de duas décadas depois, o fenómeno renasceu: do TikTok às passarelas vermelhas, o estilo romcom dos anos 2000 está de volta e mais vivo do que nunca.
Do ecrã para o armário

Fonte: Pinterest
Ver um romcom nos anos 2000 significava tirar apontamentos de moda. O figurino deixava de ser apenas uma roupa para a cena e passava a ser a estrela do filme. Todas as raparigas queriam sair à rua com mini saias de cintura baixa e tops de alças finas. O visual e as peças que estas personagens usavam revelavam uma postura e atitude cheias de personalidade.
Estrelas como Leighton Meester, Britney Spears, Paris Hilton e Jessica Alba levaram esta estética para as capas de revista e para as passadeiras vermelhas. Ver as nossas artistas favoritas a usar as mesmas peças que nós tornava aquela moda ainda mais desejável de replicar no dia-a-dia.
Main character energy e a construção da confiança

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A personalidade destas personagens prendia-nos ao ecrã: eram engraçadas e mostravam a sua autonomia. Ao vermos mulheres tão seguras de si a lidar com desafios profissionais e dramas pessoais com um sorriso, aprendemos que a autoconfiança é uma atitude que se constrói.
Esta autoconfiança era evidente na forma como recusavam mudar a sua essência para se encaixarem nas expectativas da sociedade. Cher Horowitz (Clueless), por exemplo, provou que uma imagem ultra-feminina não diminui a inteligência de ninguém.
Além disso, estas personagens mostravam uma grande capacidade de comunicação e liderança. Um ponto fundamental era a resiliência com que enfrentavam os falhanços. Ver mulheres para as quais olhamos com admiração a cair, a levantar e a ajustar o rumo das suas vidas ensinou-nos que ter main character energy não é ser infalível, mas sim ter a coragem de assumir o controlo do próprio caminho.
Sonhos e autonomia

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Antigamente, o final feliz do cinema romântico era o momento em que o casal protagonista ficava junto. Já nas romcoms dos anos 2000, o amor deixou de ser o único objetivo. Em muitos dos casos, antes de o encontrarem, estas mulheres queriam conquistar o emprego dos seus sonhos, escrever para grandes edições e subir na carreira.
A ambição profissional passou a ser vista como um traço de orgulho. Víamos isso em Jenna Rink (13 Going on 30), que acorda no corpo de uma adulta de 30 anos e coloca a sua criatividade e entusiasmo ao serviço da revista Poise. Esta mesma ambição era vista em Andy Sachs (The Devil Wears Prada), que tentava ter uma carreira de sucesso no jornalismo de moda.
No fundo, foi passada uma mensagem a toda uma geração: a independência financeira e a realização pessoal vêm primeiro. Ter alguém ao lado podia ser uma adição à vida, mas nunca a condição para a sua validação.
Ver as protagonistas destes filmes em escritórios de topo, redações de revistas ou ateliês de moda fez com que muitas raparigas redefinissem os seus objetivos. Carreiras no jornalismo, direito, moda ou comunicação passaram a ser vistas como caminhos cheios de ambição, inspirando o público a querer construir o seu próprio sucesso.
O renascimento do romcom

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Décadas depois do seu surgimento, a estética dos anos 2000 permanece e encontrou uma nova vida no digital. Nas redes sociais, a tendência, batizada de romcom core, tornou-se um verdadeiro fenómeno. Jovens de todo o mundo recriam os visuais, impulsionados pelas bandas sonoras da época. Uma das recriações mais famosas é a do icónico vestido amarelo de Andie Anderson (How to Lose a Guy in 10 Days).
Rapidamente, esta tendência chegou à indústria do luxo. Marcas como a Blumarine lançaram os tops acetinados e a Miu Miu trouxe de volta as minissaias de cintura baixa. A Versace e a Dolce & Gabbana voltaram com os vestidos de alças finas e brilhos que dominaram as passadeiras vermelhas no início do milénio.
Não é por acaso que a Geração Z decidiu apaixonar-se pelo universo dos anos 2000. O renascimento do romcom core surge como um refúgio sinónimo de conforto e autoconfiança. Redescobrir estes filmes e adotar o seu estilo tornou-se uma forma de trazer um pouco de magia cinematográfica para o nosso dia-a-dia.
Revisitar as comédias românticas dos anos 2000 é relembrar uma era que nos ensinou a priorizar a nossa história. Afinal, entre escolhas de moda arrojadas, grandes ambições e os imprevistos do dia-a-dia, a grande lição das romcoms dos anos 2000 continua atual: o rumo das nossas vidas está nas nossas mãos e a verdadeira protagonista seremos sempre nós.
Fonte da Capa: Pinterest
Revisto Por: Raquel Bernardo
AUTORIA
A Matilde frequenta atualmente o segundo ano da licenciatura em Jornalismo. Do canto e piano ao ballet e à dança contemporânea, expressar-se através da arte é algo que faz desde que se lembra. Esse lado criativo levou-a a apaixonar-se cedo pelo universo da moda e pela evolução das tendências, assim como alimentar uma veia fangirl assumida - passa horas a analisar videoclipes, ver entrevistas e a criar playlists onde artistas como Måneskin, BTS e Tate McRae partilham o mesmo espaço. Apaixonada por frappuccinos e movida por uma curiosidade insaciável, vê na palavra escrita o seu maior refúgio e o espaço onde tudo ganha mais sentido.

