Opinião

O super poder das pessoas altamente sensíveis

O que são pessoas altamente sensíveis?

Segundo a Dr. Elaine Aaron, estes indivíduos, tanto homens como mulheres, são ampla e intensamente estimulados pelo meio envolvente, desde o mais ínfimo detalhe até ao supremo panorama. Mas não só; uma vez que o sistema nervoso de uma pessoa altamente sensível consegue captar e processar informação intensamente, esta é capaz de criar um vasto e rico mundo interior, com o qual se relaciona ativamente.

Esta habilidade é, de acordo com o que se conhece atualmente, um traço de personalidade inato, embora não se consiga identificar uma causa genética específica. Pouco se sabe, ainda, sobre de que forma o próprio temperamento da pessoa pode influenciar o seu grau de sensibilidade e empatia.

Uma coisa é certa: esta hipersensibilidade quase osmótica traz vantagens e desvantagens. Se por um lado as emoções positivas são um prazer, as negativas podem ser aflitivas. E a verdade é que o percorrer de todo um espectro colorido com as diferentes energias pode ser muito desgastante. É necessário um certo auto-cuidado para o prevenir.

Contudo, se tal capacidade é um poder de intuição magnificente, também é, muitas vezes, percecionado pela sociedade como uma forma de timidez ou introversão, que nem sempre é apreciada. Esta é uma das razões para a “descoberta” deste traço ser relativamente recente, pois os conceitos são frequentemente misturados. Esta confusão pode ser explicada, na minha opinião, pelo facto de as pessoas hipersensíveis poderem sentir-se dominadas pela estimulação excessiva, afastando-se temporariamente de situações que exijam demasiado, fenómeno de “isolamento para contemplação” similar ao dos introvertidos. Efetivamente, a maioria (70%) destes sujeitos com elevada sensibilidade é introvertida, mas os restantes são extrovertidos.

Seguindo a linha de pensamento, surgem as questões: Qualidade ou defeito? Bênção ou fardo? Como são afinal consideradas e acolhidas pela sociedade?

Mesmo acreditando que esta seja reputada como uma mais valia em certas áreas, nomeadamente, a área artística, creio que o destaque é julgar a sensibilidade, principalmente a emocional, como uma fraqueza. Esta ideia de conotação negativa comummente difundida provém, a meu ver, da relutância em sermos autênticos.

A nossa tendência é, (sempre) foi e (sempre) será, defendermo-nos dos “perigos” que nos rodeiam; como tal, criamos barreiras para não nos colocarmos numa posição de suscetibilidade e, acima de tudo, de vulnerabilidade.

O mal está nestes “perigos”. Na presente época em que se valoriza a competitividade extrema e em que se desconfia de tudo e de todos, há uma enorme dificuldade em arriscar e em nos expormos elementarmente. Mal nos apercebemos de que o verdadeiro perigo é o processo de entorpecimento a que nos subjugamos por medo. E, assim, vamos tentando ignorar a desconexão que nos acolhe friamente.

Imagino a vulnerabilidade como a chave para união. Independentemente de ser fácil ou não, é necessário aventurar o espírito para o libertar. Este é um desafio particularmente complicado para as pessoas altamente sensíveis; estas, habituadas a ouvir que deviam ser mais “fortes” e “não levar as coisas tão a sério ou tão a peito”, sentem-se restringidas inerentemente e, procurando corresponder às expetativas, acabam por reprimir a sua característica, a qual é super importante num mundo cada vez mais decadente. É um sintoma da doença ideológica que atravessamos.

Recorrendo a uma história contada por Elena Herdieckerhoff para ilustrar a minha opinião, as borboletas, cuja beleza frágil nos pode urgir a querer protegê-las dos “perigos”, não devem ser mantidas em cativeiro; devem, sim, estar em total liberdade e correndo riscos (é certo) essenciais para genuinamente viver. Afinal, não precisam de ser “salvas” de “perigos” exteriores, mas da ameaça do próprio perigo.

É imperativo ganhar «coração» (do termo latino «cor»), coragem!

Obra de Elaine Aaron: The Highly Sensitive Person: How to Thrive When The World Overwhelms You

Link da TEDx Talk de Elena Herdieckerhoff

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