“One Day At a Time” está de boa saúde e recomenda-se

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Fonte: Netflix

A terceira temporada da série original Netflix “One Day At a Time”, também conhecida por “Um dia de Cada Vez”, estreou no início de fevereiro na maior plataforma de streaming mundial e não podia estar de melhor saúde.

“Um dia de Cada Vez” é uma adaptação de uma série clássica dos anos 60, que acompanha o dia-a-dia de três gerações de uma família cubano-americana. Uma mãe divorciada e veterana do exército (Justina Machado) educa os seus dois filhos adolescentes com a “ajuda” da sua mãe cubana (Rita Moreno) e do senhorio (Todd Grinnell). Em jeito de sitcom e com episódios de duração aproximada de 30 minutos, a série dá-nos uma perspetiva atual da vida em família e como é que cada um lida com as dificuldades do quotidiano.

Esta temporada recomeça após o susto que ocorreu naquele que foi o melhor episódio da segunda temporada, no qual Lydia teve um problema de saúde que a deixou inconsciente no hospital. É a partir desta premissa que começa o primeiro de 13 episódios da terceira temporada.

Novamente, e sendo a personagem principal, todas as histórias se centram em Penelope ou nela irão terminar, de alguma forma. A veterana de guerra vai ter de gerir os estudos para o seu exame prático de enfermeira e a educação dos seus filhos enquanto lida com os seus próprios problemas, nomeadamente os ataques de ansiedade e o stress pós-traumático.

Em relação ao resto das personagens, pode dizer-se que, ao longo de três temporadas, a maior evolução foi, sem dúvida, a dos dois filhos de Penolope: Elena (Isabella Gomez) e Alex (Marcel Ruiz).

Depois de se ter assumido como homossexual no final da temporada 1 e com todos os problemas daí decorrentes, que foram trabalhados na segunda temporada, os últimos episódios retratam Elena como uma personagem mais madura e pronta para se tornar sexualmente ativa com a sua parceira, Syd. Isto irá, como vemos no episódio 7, levar a que Penelope se aperceba de que a sua filha está realmente a tornar-se numa mulher, o que traz novos problemas e desafios. Parece-me a personagem mais bem trabalhada desta temporada.

Já Alex não tem o destaque que muito provavelmente merece, visto que, tal como a sua irmã, deu um grande salto nesta temporada e passou de uma criança, como era apresentada no início da comédia, para um adolescente. Com a exceção do episódio 2, onde Penelope descobre que o seu filho mais novo tem uma conta de Instagram só para os seus amigos, e no episódio 5, quando descobre que Alex experimentou drogas.

Esta temporada trouxe uma visão um pouco de diferente de Scheneider, interpretado por Todd Grinnell. Cada vez mais se torna num confidente de Penelope e no seu suporte emocional por ela providenciado e isso faz com que o público acabe por, indiretamente, desejar que os dois se tornem um casal (embora muitos possam não o admitir).

O que ficou a faltar? Sobretudo a continuação da história da cidadania americana, conseguida pela cubana Lydia e pelo canadiano Scheneider, que teve grande destaque no final da última temporada. Numa altura conturbada na política da imigração norte-americana e sendo que a série se baseia numa família latino-americana, parece-me que poderia tocar mais neste assunto.

Além disso, em certos momentos, a relação de Elena com Syd recai num estereótipo e as duas parecem mais feministas do que propriamente adolescentes. Ressalvo, no entanto, a importância desta linha de ação visto que ainda existe muito preconceito para com casais homossexuais nos Estados Unidos da América.

No geral, foi uma temporada bem conseguida e que mantém o nível das anteriores, tornando a série numa das melhores do seu género na Netflix, superada apenas por “Grace and Frankie”. Volta a tocar em assuntos sérios, como o uso de drogas, o problema do alcoolismo, a ansiedade e o pânico, mas também o stress pós-traumático. E aqui destaco sobretudo a ansiedade pela qual tanto mãe como filha passam e a maneira como lidam com isso, através da ajuda de Alex.

Não está ainda confirmada uma quarta temporada, mas, se acontecer como tem acontecido no passado, um anúncio pode estar para breve.

Fotografia “thumbnail”: Fonte- The Vulture

Artigo corrigido por Mariana Coelho

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