Artes Visuais e Performativas,  Secções

«Os Despojos do Dia»

ART - Andreia Filipa - 12 Mar - imagem corpo 1

Imagem 1

Se os despojos provêm do homem, se é ele quem os cria, é necessário mostrá-los – aos olhos do homem e para o homem -, numa imagem quase idealista num espaço quase perfeito, mas que nada mais é senão a Natureza. É a partir deste mote que surge «Os Despojos do Dia», uma exposição de fotografia da autoria de Rui Dias Monteiro. Esta pôde ser visitada entre o dia 21 de janeiro e o dia 5 de março na Galeria 50, na Rua do Alecrim, em Lisboa.

«Os Despojos do Dia» é uma série de imagens de Cabo Verde que Monteiro eternizou através da sua máquina fotográfica e da sua sensibilidade quase imediata para a perceção daquilo que se evidencia num espaço natural.

O autor pretende manter a fotografia tão simples e natural quanto a própria paisagem que a rodeia; como tal, não faz quaisquer retoques nas imagens em termos de edição, apenas algumas correções de luz.

«Os despojos do dia
já são céu

já são terra 
à deriva

onde ondas

como desertos ao vento

se misturam entre nós

e roem à costa»

O objetivo é considerar os «despojos» como sendo mais do que lixo, mais do que objetos ignorados pelas pessoas no seu quotidiano. Aqui, a ideia não é criticar a presença desses mesmos objetos na natureza devido à ação humana, mas tentar observá-los de outra forma: traços singulares de uma paisagem única.

ART - Andreia Filipa - 12 Mar - imagem corpo 2

Imagem 2

E um aspeto importante: nada foi colocado com o propósito de ficar bem e de ser fotografado; os objetos já estavam nos locais onde foram vistos por Rui Dias Monteiro.

Por fim, o que mais chama a atenção é a conjugação de fotos numa linha cromática inteligente, com contrastes óbvios como o apresentado na imagem 3.

ART - Andreia Filipa - 12 Mar - imagem corpo 3

Imagem 3

Rui Dias Monteiro apresenta-nos, assim, uma outra imagem do real; uma imagem que vai além do óbvio, do que é considerado aceitável; e consegue-o apenas com três coisas: a máquina fotográfica, o desperdício e a Natureza.

Deixe uma resposta

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *